Em tempos de Coronavírus, o Brasil é o país da subnotificação e da falta de prevenção

corona02Sem testagem em massa e com uma rede de saúde insuficiente, o Brasil não terá como saber o número de infectados por coronavírus

Em meio às manifestações de empresários, políticos, e do presidente da república Jair Bolsonaro no sentido de que a pandemia do coronavírus não é o bicho papão que os governos do resto do mundo estão fazendo parecer (o da Índia, por exemplo, acaba de colocar 1,3 bilhão de pessoas em confinamento total). 

Um grande problema para qualquer apreciação realista da amplitude que a pandemia do coronavírus poderá ter no Brasil é o fato de que os sistemas de controle para detectar se os indivíduos estão doentes ou não são historicamente falhos.

Tomemos por exemplo o caso das notificações de intoxicação por agrotóxicos.  Em 2015, a pesquisadora Rosany Bochner, vinculada ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict/Fiocruz) e  então coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox),  trouxe à tona um problema grave de saúde pública. A partir de dados coletados pelo Sinitox, Bochner chegou à conclusão de que para cada caso de intoxicação registrado (ou seja notificado), outros 50 casos passavam em branco, gerando uma estrondosa taxa de subnotificação de 50:1.

No caso do coronavírus, esta subnotificação estaria no Brasil na ordem de 11:1 segundo estudo realizado pelo insuspeito Centro para Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas (CMMDI)  da London School of Tropical Medicine, do Reino Unido, que fez um cálculo da subnotificação da COVID-19 em vários países. O levantamento feito pelo CMMDI sugere que no Brasil apenas 11% do total de casos  teriam sido diagnosticados. Como a testagem por aqui ainda está sendo restrita aos casos que já deram entrada em hospitais, os dados do CMMDI também poderia estar subestimados, pois efetivamente não há um controle sobre aqueles que já foram infectados e não atingiram o grau necessário para procurarem unidades hospitalares.

Supondo que a incidência real de infectados por Coronavírus esteja na faixa de 11% a 50% do número sendo difundido pelo Ministério da Saúde até agora, o que temos pela frente é efetivamente um desafio que a nossa rede de hospitais não tem como enfrentar sem que ocorra um grande números de óbitos. Há que se notar que o total de mortes não ficará nos números estimados pelo proprietário da rede Madero que estimou que teremos algo entre 5.000 e 7.000 fatalidades causadas pelo coronavírus até que haja o achatamento da curva.

Para que se veja o tamanho do problema que se aproxima no horizonte, o site “The Intercept Brasil” publicou hoje uma matéria indicando que um relatório da Agência Brasileira de Informação (Abin), se a mesma curva de progressão de países como China, Itália e Irã for aplicada, o nosso país chegará a 6 de abril com 5.571 mortos e 207.435 casos de infectados pela doença. Também é importante notar que as curvas dos países citados tem possui uma taxa de subnotificação, o que torna as previsões da Abin ainda mais graves.

evolução coronavírus

Fonte: Abin, 22/03/2020

Então como explicar as manifestações do presidente Jair Bolsonaro e de determinados empresários de que governadores e prefeitos estão exorbitando em face de uma “gripezinha”?  Como a matéria do “The Intercept Brasil”,  pelo menos o presidente Jair Bolsonaro não o faz por falta de informações já que ele recebeu o citado relatório da Abin.  Daí que o motivo para tentar reabrir o que está fechado, desconsiderando o efeito que teria sobre o agravamento da difusão já subnotificada da pandemia do coronavírus, atende a outros interesses que não o da saúde da maioria do povo brasileiro.  Quais interesses são esses é que esta aberto para debate, pois quanto ao tamanho do desafio que estamos enfrentando não há.

 

Associações de juristas denunciam golpe de Estado por trás de medidas de Bolsonaro

Segundo entidades, presidente e equipe conduzem país a caos social e risco de genocídio com atropelo de direitos essenciais para justificar assalto autoritário ao poder

28/11/2019 Cerimônia da Troca da Guarda PresidencialEntidades alertam que MP 927 promove “esgarçamento das relações que permitem a sobrevivência digna”

Por Redação RBA

Entidades alertam que MP 927 promove “esgarçamento das relações que permitem a sobrevivência digna”

São Paulo –  Em nota, entidades ligadas ao meio jurídico denunciaram o que julgam ser um golpe de Estado em curso no Brasil, por conta de ações do governo Bolsonaro como a edição da Medida Provisória 927. Entre outros pontos, a MP autoriza a suspensão dos contratos de trabalho por até quatro meses, sem pagamento de salários.

Segundo a nota, a edição da MP “revela clara tentativa de estender a calamidade pública que já se instaura em razão da covid-19 às pessoas que vivem do trabalho, retirando-lhes a possibilidade de sobrevivência física”.

“Enquanto outros países buscam garantir manutenção do emprego e a OIT [Organização Internacional do Trabalho] manifesta-se salientando a importância da proteção social durante a pandemia, o governo brasileiro aproveita-se da crise sanitária para deflagrar mais um ataque aos direitos sociais trabalhistas”, diz o documento. “A MP convalida o ilícito: o uso de trabalho em situação análoga a de escravo, ou seja, de trabalho não remunerado.”

Para as entidades, a iniciativa do governo tem uma finalidade evidente. “(…) não se vislumbra outro objetivo nessa medida, do que a criação de caos social e de esgarçamento das relações que permitem a sobrevivência digna, apostando num verdadeiro genocídio, a ponto de criar o caldo necessário à instauração de um governo autoritário e sem qualquer compromisso com os parâmetros democráticos”.

“Por tais razões, denunciamos publicamente o governo e exortamos as instituições democráticas a adotarem providências necessárias para inviabilizar a aplicação da MP 927 e afastar imediatamente o governo eleito, em razão da reiterada prática de atos de absoluta irresponsabilidade diante da gravidade do momento que enfrentamos.”

Confira a íntegra da nota:

Denúncia contra o golpe de estado em curso no Brasil

As entidades abaixo nominadas vem DENUNCIAR, nacional e internacionalmente, que está em curso no Brasil um golpe de estado, revelado pela utilização abusiva do Decreto nº 06 de 2020, cujo artigo 1º reconhece que as medidas de exceção estão sendo adotadas “exclusivamente para os fins do art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000”, ou seja, para dispensar o governo de dar conta de seus gastos e de suas escolhas políticas, em um momento de crise sanitária, enquanto se pretende utilizá-lo para além disso. E mesmo que tal decreto não autorize a extensão da exceção por meio de Medida Provisória, no último dia 22 de março de 2020 o governo publicou a MP 927, que revela clara tentativa de estender a calamidade pública que já se instaura em razão da COVID-19 às pessoas que vivem do trabalho, retirando-lhes a possibilidade de sobrevivência física.

Enquanto outros países buscam garantir manutenção do emprego e a OIT manifesta-se salientando a importância da proteção social durante a pandemia, o governo brasileiro aproveita-se da crise sanitária para deflagrar mais um ataque aos direitos sociais trabalhistas. O texto da MP 927, com suas ilegalidades, torna a relação de trabalho uma benesse do empregador, chegando mesmo a desnaturar o contrato de trabalho, subtraindo uma de suas principais características, a onerosidade, além de disciplinar a conversão da quarentena em férias ou “feriado antecipado”, autorizar prorrogação de jornada para quem já está exposto na área da saúde ou a prática de afastamento sem remuneração, como se fosse possível sobreviver sem salário. Suspende exigências em saúde e segurança do trabalho, quando o que mais precisamos é exatamente redobrar esses cuidados. A MP convalida o ilícito: o uso de trabalho em situação análoga a de escravo, ou seja, de trabalho não remunerado.

A previsão de que a situação de precariedade se mantenha por até 270 dias, mesmo que a crise sanitária esteja sendo prevista para um período de, em média, 150 dias, revela seu verdadeiro intento. Não há preocupação com a saúde do povo, mas sim o uso perverso da pandemia, para retirar ainda mais direitos.

Por isso mesmo, não se vislumbra outro objetivo nessa medida, do que a criação de caos social e de esgarçamento das relações que permitem a sobrevivência digna, apostando num verdadeiro genocídio, a ponto de criar o caldo necessário à instauração de um governo autoritário e sem qualquer compromisso com os parâmetros democráticos.

Por tais razões, denunciamos publicamente o governo e exortamos as instituições democráticas a adotarem providências necessárias para inviabilizar a aplicação da MP 927 e afastar imediatamente o governo eleito, em razão da reiterada prática de atos de absoluta irresponsabilidade diante da gravidade do momento que enfrentamos.

AJD Associação Juízes para a Democracia

AAJ Associação Americana de Jurista

ALJT – Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho

ABRASTT – Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora

ABRAT Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas

JUTRA – Associação Luso-brasileira de Juristas do Trabalho

Frente ampla em Defesa da Saúde dos Trabalhadores

MATI – Movimento da Advocacia Trabalhista Independente

Instituto Trabalho Digno

IPEATRA Instituto de Pesquisas e Estudos Avançados da Magistratura e do Ministério Público do Trabalho

AGETRA Associação Gaúcha dos Advogados Trabalhistas

DIESAT – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho

ABRASCO Associação Brasileira de Saúde Coletiva

FEJUNN-RJ Frente Estadual de Juristas Negras e Negros do RJ

IBDU – Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico

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Este material foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

A pandemia do Coronavírus coloca o Bolsonarismo nas cordas

bolso corda

A forma singular de fazer política do presidente Jair Bolsonaro, aquela que alguns chamam de “Bolsonarismo”, já foi adjetivada de diversas formas, a maioria pouco lisonjeira.  Entretanto, cavalgando na onda de descontentamento de parcelas significativas da população brasileira com a forma de gerenciar o Estado por parte principalmente dos governos do Partido dos Trabalhistas (PT), o “Bolsonarismo” vinha surfando de forma fácil os mares revoltos criados por uma economia que não sai da profunda recessão em que se encontra desde o início do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

Mas no que consiste exatamente o “Bolsonarismo”?  Eu diria que os ingredientes principais juntam uma clara rejeição ao conhecimento científico, o apelo aos valores religiosos e uma aposta quase ilimitada da suposta capacidade do individualismo como mecanismo de melhoria econômica, além dos elementos que apontam para uma forma peculiar de nacionalismo subordinado (no caso aos EUA).

Pois bem, todas as características que formam o núcleo central do “Bolsonarismo” estão agora em xeque pelo coronavírus. Para começo de conversa, a necessidade de uma resposta científica rápida joga por terras formulações que menosprezam o conhecimento científico e os cientistas que o produzem.  Está claro para a maioria das pessoas que será necessária a intervenção da ciência rápida e eficaz da comunidade científica para que uma vacina seja desenvolvida. 

Outro fundamento do “Bolsonarismo” que é reduzida a pó é a de que individualmente poderemos chegar a uma espécie de autosalvação econômica. As cenas de entregadores de comida e motoristas de aplicativos que agora não conseguem dinheiro sequer para comprar gêneros básicos já estão correndo o mundo e corroendo rapidamente a fábula de que pela precarização das relações de trabalho é possível se chegar a ganhos econômicos que dispensem a ação dos sindicatos. 

A última peça a cair está sendo o desmoronamento do governo de Donald Trump em face da rápida expansão da pandemia do coronavírus nos EUA. Como o “Bolsonarismo” é uma espécie de sub-Trumpismo, a eventual remoção de Donald Trump do poder nas próximas eleições presidenciais que deverá ocorrer nos EUA logo após o achatamento da curva da pandemia deixará o “Bolsonarismo” sem qualquer tipo de âncora ideológica e, pior, econômica.

Há quem tema que colocado na extrema defensiva, o presidente Jair Bolsonaro irá tentar recorrer a uma solução de força para preservar sua forma peculiar de ver o mundo. Ainda que isso não seja inteiramente descartável, eu diria que a maioria preocupação de Jair Bolsonaro deveria ser a de manter o cargo pelo qual tanto lutou.  É que até agora sua posição diante da pandemia do coronavírus tem sido pífia, o que poderá transformar o Brasil em uma espécie de área global de quarentena por tempo indefinido. 

O que mais poderia se esperar de um governo composto por negacionistas, senão negação?

jair bolsonaro ministério

Vejo em muitas pessoas a completa surpresa pela postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro em relação aos riscos colossais que estão sendo impostos sobre a população brasileira, especialmente sobre suas porções mais pobres, por causa da pandemia do coronavírus. 

Pessoalmente eu fico surpreso com esse elemento de surpresa, visto que o governo Bolsonaro é composto por negacionistas de várias estirpes em algumas áreas estratégicas. O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo é um negacionista das mudanças climática, negação essa que é compartilhada de forma velada pelo ministro do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. 

Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não apenas nega o perigo imposto pelo uso extensivo e intensivo de agrotóxicos altamente perigosos e banidos em outras partes do mundo.  Tereza Cristina transformou a negação sobre os ricos riscos  trazidos por agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente em um verdadeiro tsunami de aprovações de agrotóxicos altamente tóxicos que até os países produtores, incluindo a China, querem distância, apesar de vendê-los de forma frugal no Brasil. 

Por outro lado, o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda Paulo Guedes, o Posto Ipiringa de Jair Bolsonaro, nega o óbvio naufrágio de suas políticas ultraneoliberais e ainda tenta surfar na crise do coronavírus para empurrar mais privatização e mais perda da soberania nacional como a única solução para que o Brasil saia da recessão prolongada em que se encontra.

Também temos a ministra Damares Alves que nega até a necessidade de termos políticos que protegem a saúde e a integridade das mulheres brasileiras, apesar de seu ministério ser, em tese, voltado justamente para garantir a proteção delas.

No timão dessa nau de negacionistas, temos Jair Bolsonaro que antes de negar a gravidade da pandemia do coronavírus já havia negado tantas outras coisas, incluindo a existência de um regime militar entre 1964 e 1985, sendo ele próprio um defensor dos instrumentos de coerção que marcaram os 21 anos de duração do regime de exceção.

Então por que poderia se esperar qualquer ação racional e lógica, a começar pela imediata retomada dos investimentos em ciência que pudesse dotar os cientistas brasileiros dos recursos de que necessitam para desenvolver uma vacina para o coronavírus? A resposta é simples: não há como esperar qualquer coisa que beire o reconhecimento de que vivemos um momento singular na história do Brasil, momento este que requer uma participação ativa da comunidade científica, dos serviços público de saúde e da ação solidária da nossa população para que possamos atravessar a pandemia como  um mínimo de perdas de vidas humanas.

Felizmente para todos nós, a conta do custo de tantos negacionismos acumulados desde janeiro de 2019 está chegando para Jair Bolsonaro. E eu me arrisco a dizer que as próximas semanas poderão ser palco de uma mudança drástica na forma com que a maioria dos brasileiros se relaciona com a postura negacionista de Jair Bolsonaro e seus ministros negacionistas em questões chaves nacionais.

Cientista desmente vídeo de Bolsonaro sobre suposta droga milagrosa para a Covid-19. A culpa é da produção?

Já circula amplamente nas redes sociais um vídeo onde o presidente Jair Bolsonaro comunica o possível uso da cloroquina para cura da Covid-19 que, segundo ele,  o fato lhe teria sido comunicado por médicos do Hospital Albert Einstein (o que foi devidamente negado pela renomada instituição).

Pois bem, posto abaixo uma versão do mesmo vídeo, mas com as devidas explicações e desmentido das afirmações de Jair Bolsonaro pelo economista Eduardo  Moreira e pela professora doutora Luciana Costa do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Aí alguém pode se perguntar como a equipe de comunicação da presidência da república teria não só permitido a veiculação de informação, no mínimo, imprecisa por Jair Bolsonaro, mas a própria produção do vídeo que agora acaba sendo desmentido por uma cientista especializada em doenças infecciosas.

A imagem abaixo aparentemente mostra não apenas o momento em que o referido vídeo foi produzido, mas também quem eram os membros da equipe que “produziu” o material, quais sejam, os três filhos do presidente Jair Bolsonaro que possuem cargos eletivos (o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro).

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Apesar dessa não ser primeira vez que essa “equipe” se envolve na produção de materiais visuais do agora presidente Jair Bolsonaro, o momento é especialmente grave e toca na vida de milhões de brasileiros.

A pergunta que se coloca é a seguinte: quem vai ser responsabilizado se a fala do presidente Jair Bolsonaro que este veículo dissemina for responsável por intoxicações graves em quem comprar e usar o cloroquina para combater a COVID-19? O presidente ou os seus filhos? Ou todos eles?

Yes, habemus coronavírus!

A imagem abaixo nem precisa de legenda, pois se trata do reconhecimento (tardio é verdade) de que o Brasil passa por uma grave crise sanitária e que pode ter tido sua amplitude aumentada pela irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro que saiu às ruas quando deveria estar confinado, segundo orientações do seu ministro da Saúde.

MINISTÉRIO MASCARADOEm cadeia nacional, Jair Bolsonaro informa que 17 membros da comitiva que o acampanhou a Miami contraíram o coronavírus.

Agora, convenhamos, quem imaginaria há uma semana ver Sérgio Moro, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro portando máscaras cirúrgicas? Seria cômico, se não fosse trágico e, pior, perigoso.

Os panelaços voltaram… o alvo agora é Jair Bolsonaro

Há alguns dias acompanho a movimentação nas redes sociais em prol da realização de um panelaço neste dia 18 de março a partir das 20:30 (ver um dos cartazes de convocação abaixo).

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Mas eis que na noite desta 3a. feira, 24 horas antes do protesto que está sendo convocado nas redes sociais, as principais capitais brasileiras (principalmente em suas áreas mais ricas) eclodiram um estridente panelaço, do mesmo tipo daqueles que ocorreram durante a campanha em prol do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (ver abaixo vídeo mostrando este protesto no bairro de Vila Madalena na cidade de São Paulo).

Ainda que seja precoce dizer qualquer coisa sobre a capilaridade da revolta que aparece nas áreas ocupadas pelas classes médias e altas nos setores mais pobres da população, o certo é que se o governo Bolsonaro fosse um barco, o melhor nome para ele seria “Titanic”, e o que estamos vendo hoje é apenas a ponta de um gigantesco iceberg.

Como amanhã há outro protesto marcado e com as mesmas características do que aconteceu espontaneamente na noite de hoje. Vamos conferir se a toada será a mesma ou não. Se for, poderemos afirmar coisas mais concretas.

Incrivelmente, a degradação do suporte político ao governo Bolsonaro não parece vir de nenhuma ação coordenada da chamada esquerda institucional, e sim da sequência de manifestações irresponsáveis do próprio presidente Jair Bolsonaro (incluindo as feitas sobre a pandemia do coronavírus) e sua trupe de ministros sinistros. A noite deverá ser tensa no Palácio do Planalto. Essa esquerda deve estar tão surpresa quanto os bolcheviques quando entraram no Palácio de Inverno do Czar em São Petersburgo.  E não ficarei surpreso se dentro do que se chama de “esquerda” vierem pedidos de respeito à institucionalidade. A ver!

O coronavírus avança: Já são 13 os contaminados na comitiva que esteve com Bolsonaro em Miami

bolso atoO presidente Jair Bolsonaro tira fotos com apoiadores em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, depois de participar de protestos contra o STF e o Congresso Nacional

O número cabalístico para o Bolsonarismo já foi alcançado entre os membros da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em seu recente tour em Miami. É que o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, é o 13o. a ser declarado oficialmente como estando contaminado pelo coronavírus.

Entre os já oficialmente declarados como portadores do coronavírus estariam quatro seguranças pessoais do presidente Jair Bolsonaro, o que coloca esses servidores públicos em uma distância mínima do chefe do executivo federal. Tal constatação torna ainda mais “sui generis” a declaração de que Jair Bolsonaro testou negativo para essa infecção, visto que seguranças pessoais estão sempre muito próximos daquele cuja pessoa estão protegendo.

Mas o que importa aqui é que diante de uma situação de saúde coletiva, a opção do presidente da república de abandonar o confinamento em que estava colocado para participar de um ato público em que apertou mãos e manuseou telefones celulares de vários participantes me parece algo que beira o inexplicável.

A questão de fundo aqui é que ao desprezar orientações médicas que indicavam a necessidade de confinamento até segunda ordem, o presidente da república enviou mais um sinal anti-ciência para seus apoiadores mais apaixonados. Estes apoiadores que podem não ser muitos numericamente compensam a falta de massa com um inegável aguerrimento para seguir os passos anti-ciência de seu “mito”. E esse aguerrimento poderá consequências nefastas se for aplicado para impedir a aplicação as decisões de várias instâncias de governo, resultando em conflito aberto como aquele que passou o governador de Goiás e ex-líder da União Democrático Ruralista, Ronaldo Caiado, quando tentou sensibilizar os participantes do ato pró-Bolsonaro em Goiânia sobre o potencial devastador do coronavírus (ver vídeo abaixo).

Que ninguém se engane ou se deixe enganar: o combate à pandemia do coronavírus necessitará de uma quase perfeita articulação entre diferentes esferas de governo, forte apoio da comunidade científica, alta integração dos serviços de saúde e um alto grau de cooperação da população.  E não será com bravatas e descuido como as oferecidas ontem pelo presidente Jair Bolsonaro que o Brasil irá conseguir isso. Simples assim!

Atos pró-Bolsonaro em tempos de coronavírus são produto do desprezo pelo conhecimento científico

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Os atos que estão marcados para o dia de hoje contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional em mais de 229 cidades brasileiras estão sendo motivos de chacota generalizada, visto que muitos que se opõe ao governo Bolsonaro dizem que se as pessoas de extrema-direita optarem por se contaminar pelo coronavírus, isto poderia até ser bom porque haveria uma espécie de auto-eliminação de pessoas indesejáveis.

Esse raciocínio não resiste a um exame mínimo da realidade de como o coronavírus se propaga de forma tão eficiente quanto letal.  Assim, qualquer aglomeração, independente da ideologia que as convoquem, são, neste momento, um atentado à saúde pública de todos os brasileiros.  Que dentre os apoiadores do atual governo exista um grande número de céticos quanto ao valor do conhecimento científico, isto é inegável. Entretanto, tal fato não isenta os que se opõe a Jair Bolsonaro de apontar para o fato de que distanciamento social neste momento é a ferramenta mais eficiente para conter o crescimento exponencial da contaminação pelo coronavírus.

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Mas pior do que opositores que se comportam de forma jocosa de tratar a presença nos atos de hoje é atitude do presidente Jair Bolsonaro que está reforçando, desde sua área de confinamento contra o coronavírus, com o uso do Twitter, o chamado para que seus apoiadores compareçam aos atos e se aglomerem para defender suas políticas ultraneoliberais. Aí já passamos do limite da irresponsabilidade para adentrar no campo da irresponsabilidade com a saúde coletiva dos brasileiros.

E é fundamental lembrar algo básico: o coronavírus ignora diferenças ideológicas e age com forte eficiência em seres humanos, seja qual for a posição que elas ocupam no espectro. Por isso, dependendo do tamanho dos atos desde 15 de março,  poderemos ter um aumento mais rápido da penetração da pandemia no Brasil. Se isso acontecer, o dia de hoje ficará marcado como aquele em que um governo, contaminado por seus crenças anti-científicas, jogou o nosso país nos braços de um vírus letal.

Primeiro resultado indica que Jair Bolsonaro estaria contaminado pelo Coronavírus

bolso corona 1O presidente Jair Bolsonaro teria testado positivo para coronavírus, e aguarda apenas o resultado da contra-prova para ter sua contaminação confirmada ou não.

Algo que já se especulava desde que o secretário de Comunicação Social da presidência da república, Fábio Wajngarten, apareceu infectado pelo coronavírus parece agora estar se confirmando. Falo aqui do resultado do exame feito no presidente Jair Bolsonaro que teria dado um resultado positivo para infecção pelo coronavírus (ver imagem abaixo).

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Se confirmada a infecção do presidente da república pelo coronavírus, as repercussões políticas, econômicas e ideológicas serão imensas. É que até onde se tem notícia, Jair Bolsonaro seria o primeiro chefe de executivo a ser declarado com a enfermidade em todo o planeta, o que, convenhamos, é uma honraria macabra.  

As consequências da confirmação da infecção por Jair Bolsonaro poderão trazer resultados devastadores sobre seu governo, na medida em que ficarão evidente os limites de uma variante ideológica que desdenha do conhecimento científico acumulado ao longo de quase 400 anos em prol de uma negação em regra da ciência, a começar pela questão das mudanças climáticas.

O interessante é ler a matéria escrita pelo jornalista Leandro Mazzini que aponta a mansão do presidente Donald Trump na Flórida como possível ponto de origem da contaminação não apenas de Fábio Wajngarten e  Jair Bolsonaro, mas de boa parte da delegação brasileira que acompanhava o presidente da república em seu tour pelos EUA.   Se isso for confirmado, é bem provável que também Donald Trump esteja contaminado pelo coronavírus, o que terá também efeitos devastadores para a sua campanha de reeleição.

Enfim, aguardemos o resultado da contra-prova para verificar se Jair Bolsonaro está mesmo com coronavírus, visto as repercussões que isso inevitavelmente trará para seu governo. A ver!