Mineração de bauxita é repudiada em Rosário da Limeira

Este blog já postou várias postagens sobre os conflitos e tensões que estão cercando as tentativas da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), ligada ao Grupo Votorantim, de avançar suas atividades de mineração no município mineiro de Rosário da Limeira, que está localizado na Zona da Mata. Uma dessas postagens resultou inclusive num processo judicial contra mim por supostamente ferir a imagem da CBA, o qual, felizmente, foi indeferido pela justiça de Campos dos Goytacazes.

Eis que agora um novo desdobramento deverá causar ainda mais dissabores à CBA e aos seus esforços de conduzir atividades de mineração em Rosário da Limeira. Falo aqui da decisão da Câmara Municipal de Rosário da Limeira de emitir uma moção de repúdio à realização de atividades de mineração no seu território (ver imagem abaixo).

moção rosario

Entre os motivos apresentados elencados de forma unânime pelos vereadores de Rosário da Limeira para repudiar a implementação da mineração no município estão os impactos causados por este tipo de atividade sobre os solos e o lençol freático.

Ainda que esta moção seja mais uma declaração política do que um documento com capacidade de efetivamente bloquear a emissão de licenças ambientais e demais autorizações requeridas para autorizar o processo de mineração, não deixa de ser um alento saber que, pelo menos em Rosário da Limeira, há um ambiente político onde os interesses estratégicos em torno da sustentabilidade social e ambiental estão sendo colocados como prioridade.

Conflito socioambiental em Belisário: assembleia popular irá realizar discussão sobre os impactos da mineração

Venho noticiando neste blog o conflito socioambiental em curso no Distrito de Belisário, município de Muriáe (MG), em torno da exploração da bauxita em terras pertencentes à agricultura familiar e também no interior do santuário ecológico do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB). Este conflito foi explicitado de forma cabal pela ameaça de morte ao Frei Gilberto Teixeira que hoje se encontra sob proteção do governo do estado de Minas Gerais [1]

Pois bem, acabo de receber o material abaixo e que mostra que o processo de resistência aos impactos destrutivos da mineração continua ocorrendo e avançando em termos da organização dos que serão diretamente atingidos (ver imagem abaixo).

mineração rosario da limeira

Esse processo que está sendo liderado pela “Comissão de Enfrentamento à Mineração na Serra do Brigadeiro é essencial para que qualquer atividade de mineração que ocorra no futuro obedeça a critérios explícitos de proteção às terras dos agricultores, bem como ao importante ecossistema que é atualmente protegido pela existência do PESB.

A ação de organizar as comunidades é especialmente importante num momento em que o governo “de facto” vem realizando um processo inaceitável de regressão na legislação ambiental, especialmente no que se refere às atividades de mineração, como foi o caso da extinção da Reserva Nacional de Cobre e  Associados [2], uma ação que colocará em risco áreas indígenas e unidades de conservação da natureza.

A verdade é que se não houver a devida resistência à implantação de práticas claramente predatórias social e ambientalmente, o que teremos em escala ampliada será a repetição do que vimos há quase 2 anos quando eclodiu o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billinton) que até hoje permanece completamente impune.


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/02/24/conflito-da-mineracao-em-mg-ameaca-a-religioso-ameacado-resulta-em-nota-assinada-por-73-entidades/

[2] https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/08/23/governo-extingue-reserva-de-cobre-para-atrair-investimentos-em-mineracao.htm

Conflito da mineração em Belisário: CBA/Votorantim em pleno uso do “enamoramento corporativo”

Venho acompanhando o conflito sócio-ambiental que envolve as comunidades que tradicionalmente habitam o entorno do Parque Estadual Serra da Brigadeiro  (PESB) desde que o Frei Gilberto Teixeira foi ameaçado de morte por causa de seu papel de liderança na organização da resistência à proposta expansão da mineração da bauxita naquele importante fragmento de Mata Atlântica (Aqui!Aqui! e Aqui!).  Por conta da divulgação desse conflito,  já fui notificado extra-judicialmente e até processado pelos representantes legais da Companhia Brasileira de Alumínio  (CBA) (Aqui! e Aqui!).

Por outro lado, já notei também no dia 10 de Maio ( Aqui!) o uso da tática que eu rotulei em um capítulo de livro publicado em 2004 de “enamoramento corporativo” (Aqui!). O “enamoramento corporativo”  consiste no emprego de táticas de aproximação utilizadas peas corporações com o intuito de angariar apoio político e social para empreendimentos com alto potencial de degradação ambiental e, que por isso, enfrentam resistências de determinados grupos que serão diretamente prejudicados pela existência do mesmo.

Pois bem, como já notado no dia 10 de Maio, a CBA e a Votorantim aparentemente escolheram o município de Rosário da Limeira, que fica nos limits do PESB, como uma espécie de laboratório do seu enamoramento corporativo, tendo como instrumento a realização de oficinas em que a comunidade local seria mobilizada para construir “novos sonhos” (cheios de mineração de bauxita ao que tudo indica). Para isso, a CBA/Votorantim já angariaram o apoio da Prefeitura Municipal de Rosário da Limeira, bem como a participação do Instituto Elos, uma organização não-governamental especializada em intervenções comunitárias (falarei mais do que já descobri sobre o Instituto Elos mais adiante).

Como já visitei diversas vezes o município de Rosário da Limeira e conheço a Praça Central fico até imaginando as maravilhosas transformações que vão ocorrer para que aquele bucólico ponto da cidade se torne uma máquina de fazer sonhos (corporativos, é claro).

Mas agora voltando as minhas atenções para o Instituto Elos (Aqui!) que fica localizado no tradicional bairro do Boqueirão na cidade de Santos (SP), que fica 717 km distante de Rosário da Limeira, pude logo verificar que essa organização não-governamental entende bem do tipo de “exercício” que irá realizar sob contrato da CBA/ Votorantim, com mais de 20 anos de experiência no ramo.

Uma fonte deste blog que é familiarizada com as atividades do Instituto Elos em São Paulo me informou que entre os clientes desta ONG estão grandes empresas e órgãos públicos. além disso, fui informado que muitos projetos de mobilização seguindo a metodologia do Instituto Elos já foram realizados em comunidades pobres onde objetivamente são alcançadas mudanças pontuais na realidade pretérita. A este tipo de intervenção que fala em mudança para garantir que nada de essencial mudará, o sociológico Gustavo Lima já associou o conceito de “conservadorismo dinâmico”(Aqui!).

O que me deixa realmente curioso não é tanto o uso da tática do enamoramento corporativo em Rosário da Limeira, pois essa é uma ação recorrente por parte da CBA/Votorantim, mas sim o momento em que a mesma será estendida ao distrito de Belisário, onde se encontra o Frei Gilberto Teixeira e outros ativistas que não serão facilmente convencidos a se enamorarem com a presença das cavas de mineração de bauxita da CBA/Votorantim. A ver!

 

 

A luta contra a mineração de bauxita na Serra do Brigadeiro e sua importância na atual conjuntura nacional

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Às vésperas do aniversário de um ano do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), a população de Rosário da Limeira (na região da Zona da Mata Mineira) está mobilizada para impedir a expansão das atividades de mineração de bauxita da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que pertence ao Grupo Votarantim, no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro.  Para quem não conhece aquela área, a Serra do Brigadeiro é um ponto ecologicamente sensível e responsável pelo abastecimento de vários importantes, além de conter um importante fragmento preservado de Mata Atlântica.

As razões da rejeição das comunidades que vivem no entorno da Serra do Brigadeiro estão diretamente ligadas aos graves danos sociais e ambientais que acompanham a atividade de mineração, e que ficaram ainda mais claras com o caso do TsuLama da Samarco.

Interessante notar que no último sábado (29/10) houve uma grande manifestação no distrito de Belisário (que pertence ao município de Muriaé), e que teve uma forte participação de jovens e de moradores que ocupam historicamente as áreas que agora se encontram sob ameaça das atividades de mineração da CBA (ver folheto abaixo).

Esse tipo de mobilização comunitária é importante porque coloca em xeque a narrativa oficial (e até de alguns setores chamada “esquerda”) de que tudo está “dominado” na política brasileira, usando como argumento os resultados das eleições municipais, e  que não há como resistir às políticas ultraneoliberais que estão sendo impostas de baixo para cima por um governo sem qualquer legitimidade para isto.

A verdade é que mobilizações como a que está ocorrendo na região da Serra do Brigadeiro é que a população brasileira está pronta para se organizar e defender um outro modelo econômico que difere diametralmente daquele que está sendo imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer.

Resta ver agora quem vai se dispor a ampliar o nível da organização das camadas da população que já estão mobilizadas para defender seus direitos.

Abaixo cenas da mobilização em no distrito de Belisário.

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