RioPrevidência e sua polêmica offshore: especialista aponta dados suspeitos

Por Cláudia Freitas*

O governo do Rio de Janeiro está prometendo efetuar nesta sexta-feira (13) o pagamento da folha salarial dos servidores estaduais de forma integral, ou seja, incluindo inativos, aposentados e pensionistas. A expectativa do funcionalismo público era pessimista até o novo anúncio oficial, já que o secretário de Estado de Fazenda, Julio Bueno, havia adiantado no dia 5 de maio que o governo estava sem dinheiro para pagar a sua folha. Apesar da boa notícia, as polêmicas em torno do Rioprevidência e a sua offshore aberta no exterior, continuam preocupando os maiores prejudicados com as dívidas públicas: os aposentados e pensionistas da rede estadual.   

A offshore Rio Oil Finance Trust Pension Fund, que opera em favor do Rioprevidência no paraíso fiscal de Delaware, nos Estados Unidos, já resultou em resultados negativos ao fundo e, assim, vem gerando muitas dúvidas aos seus representantes. A pergunta que não quer calar: como foram investidos os US$ 3,1 bilhões captados pela empresa desde 2014?

O portal do vereador Marcio Garcia (REDE) publicou esta semana uma matéria com a avaliação de um especialista em mercado financeiro internacional acerca do Rioprevidência. Foram analisados os pontos que envolvem a atuação da offshore nos EUA e as razões para a sua criação, tendo como fonte a própria página do Rioprevidência na internet. “Todos os indícios nos levam à existência de um mar de irregularidades no Rioprevidência, provavelmente muito maior que o Petrolão [nome dado ao esquema de corrupção envolvendo partidos políticos em desvio de fundos da Petrobras]”, afirma o economista Aurélio Valporto, presidente da Associação Nacional dos Investidores Minoritários. 

Depois de analisar os relatórios de auditorias feitas em torno das atividades do Rioprevidência no exterior, Valporto frisa que “há muitas coisas suspeitas”. “Contabilmente, observamos uma grande movimentação na conta ‘Fundos de Investimento’, que deveria ser profundamente investigada. É extremamente suspeita a intensa movimentação do imobilizado, especialmente da conta ‘Imobiliários Rioprev’, durante o ano de 2015. Como que um fundo com problemas de liquidez aumenta seu imobilizado neste ano? Não tem a menor plausibilidade, algo muito estranho levou os administradores a isso. É de se notar, também, a falta de parecer dos auditores independentes, relativo ao exercício de 2014 e 2015”, avalia Valporto.

No campo político, o economista relembra fatos “estranhos” que podem estar relacionados à operação de captação dos US$ 3,5 bilhões nos EUA, o que levou a abertura da offshore. “Não deixa de ser igualmente suspeito o esforço do Picciani[presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB)], que impediu a criação de uma CPI para investigar o Rioprevidência. Quem não deve não teme, por que esconder da população e, principalmente, dos seus cotistas o que acontece dentro desta ‘caixa preta’?”, diz o especialista. 

*Cláudia Freitas é jornalista

2 comentários sobre “RioPrevidência e sua polêmica offshore: especialista aponta dados suspeitos

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