Deltan Dallagnol e sua inoportuna imprecisão histórica sobre as origens da “propinocracia” brasileira

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Para tentar se desvencilhar das críticas sobre a óbvia preferência da equipe da chamada “Operação Lava Jato ” sobre os  malfeitos que teriam sido cometidos durante os anos de governos federais comandados pelo Partido dos Trabalhadores, o procurador Deltan Dellagnol teria afirmado que “as pessoas podem questionar por que não denunciamos os crimes anteriores aos governos do PT. Porque os crimes prescreveram, demoramos muito para descobrir isso”, reconheceu.” (Aqui!).

Pois bem, se avaliarmos as quais pelas quais crimes cometidos em governos anteriores prescreveram, a desculpa de que isso deu porque os mesmos não foram descobertos em tempo beira o risível. É que os casos dos “mensalão do PSDB mineiro” como o do “trensalão” envolvendo os tucanos paulistas não deixaram de ser exemplarmente punidos por desconhecimento, mas por falta de apetite para punir.

Mas deixemos de lado essa parte mais óbvia do descompasso que parece existir no trato da corrupção no Brasil. Como o procurador Deltan Dallagnol nasceu justamente no crepúsculo do regime militar de 1964 ele talvez merecesse uma desculpa por não saber que a tal “propinocracia” que ele atribui a Lula e ao PT foi uma ferramenta utilizada ao cansaço pelos generais para manter o congresso nacional totalmente obediente e com aquele espírito de colaboração que o regime tanto precisava para continuar de pé.

Aliás, não é por outra razão que algumas das águias que continuam comandando o congresso e ocupam posições destacada dentro do governo “de facto” de Michel se beneficiaram dos mimos distribuídos pelo regime dos generais para manter o Brasil num regime de exceção.

Entretanto, Deltan Dallagnol e seus companheiros de Lava Jato não podem alegar ignorância nem sobre a longevidade do sistema que eles alcunharam de “propinocracia” ou, tampouco, sobre suas origens. É que para chegar onde chegaram se supõe que tenham lido um pouco que seja sobre a história recente do Brasil.

A verdade é que, ao centrar de forma praticamente unilateral suas baterias contra os anos do PT no governo federal, a equipe da Lava Jato contribui de forma explícita para manter praticamente intacto o câncer que dizem querer remover do interior das instituições do Estado brasileiro.

E me desculpem os que vêem na Lava Jato “um evento de magnitude histórica e com potencial para contribuir para aperfeiçoar nosso Estado de Direito” (Aqui!).  Para mim, o que está realmente em jogo é um esforço, sob a capa de combater a corrupção, de impedir que reformas estruturais sejam efetivamente realizadas para modificar a esdrúxula concentração de riqueza que existe no Brasil. Concentração essa que existe desde quando os conquistadores portugueses fincaram no sul da Bahia as raízes de uma das mais longevas propinocracias da história da humanidade.

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