Mudanças climáticas estão aqui para transformar a Terra e o jeito que vivemos nela

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O mapa, rotulado como Índice da Miséria, acima mostra a sensação de calor com base na temperatura, umidade relativa do ar e sensação térmica.  As cores mais quentes significam mais miséria.

Em meio às desventuras da Copa FIFA 2018,  muitas informações passaram sem ser sequer notadas pela maioria das pessoas e, por que não, pela mídia corporativa brasileira. Uma dessas informações tem a ver com a informação de que foram registradas as temperaturas mais altas em diversas partes da Terra, o que é mais uma prova de que as mudanças climáticas estão aqui para ficar [1].

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Análise do modelo europeu de altas temperaturas no norte da África no dia 5 de julho mostrando valores máximos sobre a Argélia em torno de 51,3 graus Celsius. (WeatherBell.com)

E pior do que termos recordes de tempeatura é a constatação de que paulatinamente está ocorrendo uma elevação nas temperaturas médias dos dias e noites, com uma perda da capacidade dos ventos de amenizar o aquecimento que está ocorrendo no planeta. A figura abaixo, por exemplo, mostra a consistente elevação das temperaturas médias diurnas e noturnas na parte continental dos EUA a partir de 1950, deixando claro que as temperaturas em ambos períodos estão ficando mais altas.

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Para a maioria das pessoas, a informação de que estamos alcançando recordes de temperatura não chega a ser nada alarmante, visto que uma parte considerável da população humana está envolvida em questões mais mundanas, tais como obter comida e água, sem falar em um teto sobre suas cabeças [2].

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Mas é aí que mora o problema. As mudanças climáticas irão certamente impactar de forma mais aguda aqueles que já estão sofrendo as piores consequências da forma perdulária e irresponsável com que os ultrarricos usam a Terra para lhes garantir um modo de vida que não possui nenhuma sustentação ecológica. 

No caso brasileiro, a atual conjuntura política não apenas ignora compromissos multilaterais que o país assinou em décadas recentes em termos da agenda pró-controle dos efeitos das mudanças climáticas, mas como estamos embarcados numa jornada em que um dos pontos mais dramáticos é justamente a profunda regressão nos poucos avanços que haviam sido duramente alcançados no manejo de ecossistemas naturais e no controle da desvastação em diversos biomas brasileiros, incluindo a Amazônia e a Mata Atlântica.

O problema é que o desmatamento que está consumindo grandes porções dos biomas florestais brasileiros está contribuindo para que haja um aumento das temperaturas nas regiões que mais estão perdendo vegetação, contribuindo não apenas para alterar o clima dessas áreas, mas também a disponibilidade de água. Em  outras palavras, é uma espécie de tempestade perfeita, onde toda as coisas que podem dar errado separadamente, acabam dando errado juntas.


[1] https://www.washingtonpost.com/news/capital-weather-gang/wp/2018/07/06/africa-may-have-witnessed-its-all-time-hottest-temperature-thursday-124-degrees-in-algeria/?noredirect=on&utm_term=.cb7e290aa436

[2] https://www.forbes.com/sites/marshallshepherd/2018/06/05/imagine-life-without-water-not-possible-but-earths-water-supply-is-changing/#3fc5dc833941

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