O curioso caso venezuelano e um inquieante paralelo Brasil

VENEZUELA-CRISIS-DEFENSE-PADRINO

Ao contrário do esperado pelos adversários e por parte significativa da mídia corporativa, comandantes militares venezuelanos ratificam seu apoio ao regime chavista e a Nicolas Maduro.

Se uma liderança parlamentar de esquerda resolvesse repentinamente se proclamar presidente em exercício do Brasil por causa da aparente incompetência de um governo de extrema-direita, sabemos que muito provavelmente essa proclamação seria respondida com a prisão do proclamador.

Já na Venezuela, a autoproclamação de Juan Guaidó foi não só reconhecida rapidamente pelo governo de Donald Trump, mas também por um par de governos de direita na América Latina, numa velocidade que não deixa ocultar o grau de articulação que houve para que o lider da inoperante assembleia nacional resolvesse correr o risco que correu e continuará correndo, quaj seja, de ir parar na prisão.

Tenho acompanhado a cobertura internacional desde o ponto privilegiado em que estou no momento que é a cidade de Lisboa. Sem adentrar em muitos dos detalhes da cobertura que está sendo dada que difere de veículo para veículo, um aspecto é reforçado quase no tom de esperança. Esse aspecto seria a possibilidade dos níveis inferiores das forças armadas venezuelanos romperam a disciplina militar para apoiar Juan Guaidó. Em outras palavras, a mídia corporativa brasileira e mundial aposta na ruptura da estrutura da disciplina militar para viabilizar a derrubada de Maduro. Em outras palavras, a mídia corporativa reconhece a incapacidade política de Guaidó de acabar com o ciclo chavista na Venezuela, e aposta na anarquia militar.

Até agora essa esperança não está sendo acompanhada dos fatos como mostra o vídeo abaixo, pois os líderes militares venezuelanos parecem firmes na defesa de Nicolas Maduro e, consequentemente, contrários às pretensões de Juan Guaidó e seus apoiadores externos, a começar pelos governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro.

 

Sem o apoio militar não há como alcançar a substituição de Maduro por Guaidó. Isso, contudo, amplifica ainda mais a dependência do presidente venezuelano de seus comandantes militares.  Esta dificuldade fica maior ainda quando se verifica que também todas as estruturas de estado da Venezuela (com exceção da assembleia nacional) apoiam a permanência de Nicolas Maduro no poder.

O curioso é que no Brasil está se vendo após meros 25 dias de governo o mesmo tipo de dependência em relação ao apoio das forças armadas por parte de Jair Bolsonaro.  Nesse sentido, para quem diz que não quer o Brasil sendo transformado em uma Venezuela, pelo menos neste aspecto estamos ficando bastante parecidos.  No que isso vai dar, ainda é difícil prognosticar. Mas certamente teremos um agravamento das tensões políticas que já não são desprezíveis.

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