Mídia corporativa continua “passando pano” para Jair Bolsonaro

bolsonaroonuAo omitir aspectos cruciais do discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, mídia corporativa brasileira “passa o pano” para esconder os riscos que eles causam ao Brasil

Um excelente artigo de autoria do jornalista Maurício Tuffani e que foi publicado pelo “Direto da Ciência” mostra de forma categórica como os três principais veículos da mídia corporativa brasileira (i.e., O Globo, Estado de São Paulo e Folha de São Paulo) optaram por se concentrar em aspectos secundários do problemático discurso que o presidente Jair Bolsonaro fez ontem na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), deixando de lado os aspectos mais substantivos.

Para mim, essa tática de passar o pano sobre os aspectos mais grotescos das falas presidenciais, que vem sendo repetida “ad nauseam” pela mídia corporativa brasileira desde o início do governo Bolsonaro,  obedece a interesses bem específicos, pois, apesar de eventuais diferenças no plano discursivo, os proprietários desses jornais estão firmemente abraçados com a pauta econômica que está sendo executada pelo ministro da Fazenda, o economista Paulo Guedes.

Por causa dessa relação umbilical com a pauta econômica de Guedes, a mídia corporativa brasileira continuará a tomar um banho de cobertura dos veículos da mídia internacional que estão destrinchando o discurso feito por Jair Bolsonaro em seus mínimos detalhes, e expondo o pensamento bolsonariano não apenas pelo que ele é, mas também pelo que pode resultar em termos práticos, a começar pela ampliação da devastação da Amazônia e dos ataques aos povos indígenas.

Se no plano interno a cobertura precária e parcial da mídia brasileira serve para manter Jair Bolsonaro relativamente incólume das consequências que seu discurso trará,  no plano externo não há nada que o salve.  Essa dicotomia certamente contribuirá para que muito em breve a população brasileira (especialmente aqueles segmentos mais ideologicamente fiéis ao presidente Bolsonaro) seja tomada por uma sensação de completa surpresa quando os principais parceiros comerciais brasileiros resolveram dar uma banana para as commodities agrícolas brasileiras justamente por causa dos elementos substantivos de seu discurso na ONU.

A verdade é que a principal vítima do discurso de ontem foi o latifúndio agro-exportador que teve sua máscara de responsabilidade sócio-ambiental rasgada por Jair Bolsonaro, depois de décadas de trabalho duro para construir uma suposta aura de responsabilidade corporativa.  Ainda que não venha a derramar nenhuma lágrima por essa gente, o fato é que uma eventual débâcle  do agronegócio causada pelo desmoronamento das vendas das commodities agrícolas e minerais saídas do Brasil servirá para um colossal aprofundamento da crise econômica, social e política em que o nosso país está metido nos últimos cinco anos. 

Quanto à mídia corporativa brasileira, além de continuar tomando um banho de cobertura dos seus congêneres internacionais, é bem provável que os donos dos principais veículos citados por Maurício Tuffani vejam sua audiência cair ainda mais.  É que em tempos de cobertura online, os leitores já sabem para onde devem correr para ter acesso à informação mais qualificada. Simples assim!

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