Relatório do Greenpeace/Alemanha aponta que Acordo EU/Mercosul aumenta as ameaças à biodiversidade

As duas dimensões dos venenos agrícolas: como as empresas da UE e da Alemanha se beneficiam do comércio de pesticidas perigosos para a biodiversidade

 

greenpeace pestizides

O Governo alemão não impede as empresas europeias de exportarem para o Brasil e distribuírem  ingredientes ativos de agrotóxicos altamente venenosos para as abelhas, e que estão proibidos na União Europeia (UE).  Estes fatos são apresentados em um estudo produzido pelo Greenpeace, que foi lançado no Dia Mundial da Biodiversidade que foi celebrado este ano no dia 22 de maio. Os agrotóxicos são uma parte essencial da agricultura industrializada, que, por sua vez, é parcialmente responsável pela perda da biodiversidade.

Segundo a análise apresentada no relatório do Greenpeace/Alemanha, por  exemplo, muito mais de metade dos ingredientes ativos comercializados pela Bayer e pela BASF no Brasil estão classificados como agrotóxicos altamente perigosos, e alguns deles estão proiboidos na UE.  Exemplo disso são os ingredientes ativos do fipronil, imidaclopride e clorpirifos, que são altamente perigosos para as abelhas (para mais informações ver (Aqui!).

“Estes agrotóxicos são venenosos para a biodiversidade”, diz Jürgen Knirsch, especialista do Greenpeace em questões comerciais. “É por isso que já não estão no mercado europeu. Mas a UE está fazendo um jogo duplo: O que é demasiado perigoso aqui ainda pode obviamente vir para o campo no Brasil – o principal é que o lucro está certo”.  O Brasil é de imensa importância para a biodiversidade, mas ao mesmo tempo é um dos maiores consumidores de pesticidas do mundo. E está a crescer rapidamente. “O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não quer saber da preservação da biodiversidade, da proteção do clima ou da saúde humana”. Por conseguinte, a Greenpeace apela no sentido da aplicação de uma política comercial sustentável com regras vinculativas em  matéria de protecção do clima e das espécies, de proteção dos direitos humanos, e de normas laborais fundamentais.

Acordo UE-Mercosul: mais venenos para a biodiversidade

A UE negociou um acordo comercial com os Estados do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – que agravaria muitos problemas sociais e ambientais nos seus países-membros. O acordo, atualmente em processo de ratificação, permitirá aos países do Mercosul exportar grandes quantidades de carne bovina e de frango para a UE em condições pautais favoráveis. Isto aumentaria a procura de soja forrageira – que é cultivada com agrotóxicos altamente tóxicos, como o clorpirifos e o fipronil.  Os agrotóxicos, por sua vez,  serão exportados por empresas europeias para a América do Sul, embora já não sejam mais permitidas na Europa.  Espera-se também que o acordo elimine as tarifas existentes sobre a importação de agrotóxicos, o que provavelmente irá aumentar ainda mais as vendas.

A biodiversidade já está sob enorme pressão; por exemplo, só em Janeiro de 2019, morreram 500 milhões de abelhas no estado brasileiro de Santa Catarina devido aos
agrotóxicos utilizados no cultivo da soja.  Na Europa, a resistência ao acordo do Mercosul está aumentando. Mas enquanto países como a Áustria e  a França pedem melhorias nos termos do acordo,  a Alemanha, entre todos os países, está exercendo pressão no sentido de uma ratificação rápida. “Se a Alemanha não puser termo ao acordo na sua forma atual, será uma recompensa e uma confirmação para  as políticas de Bolsonaro, que está a espezinhar a proteção ambiental”, resume Knirsch. “Como vai ocupar a Presidência do Conselho da UE no segundo semestre de 2020, o governo alemão tem os meios para agir”.

Para baixar o relatório do Greenpeace da Alemanha, basta clicar [Aqui!]

Os interessados em obter maiores informações sobre este relatório devem contactar Jürgen Knirsch, Tel. 0171 8780 816 ou a assessora de imprensa Agneta Melzer, Tel. 0171
7249543. 

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