Exército tem a missão de combater o desmatamento, mas os números da destruição só aumentam

desmatamentoDesmatamento de 1.500 hectares ocorrido no município de Lábrea – AM, com alerta do DETER/INPE ocorrido durante a GLO

Por Karen Mota*

São Paulo, 24 de junho de 2020 – Há um mês o governo Bolsonaro enviou as Forças Armadas à Amazônia para combater os altos índices de desmatamento. A operação deflagrada a partir de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), subordinou Ibama e ICMBio ao Exército, tirando-lhes recursos financeiros e também a autonomia de ação. Na semana passada, o vice-presidente Hamilton Mourão, afirmou que, neste mês de maio o desmatamento teria sido o menor dos últimos anos. No entanto, imagens de satélite mostram a maior taxa de alertas de desmatamento registrada para o mês nos últimos cinco anos, comprovando que a operação tem sido ineficaz em fiscalizar e conter a destruição da floresta.

[Veja imagens]

Como é possível constatar nas imagens de satélite, entre janeiro e maio deste ano, enormes clareiras seguem rasgando a floresta em áreas de 700, 1.000 e até 1.700 hectares, em regiões do Amazonas, Pará e Mato Grosso. Esses foram os maiores desmatamentos identificados dentro do período de execução da GLO. “Essa destruição teria sido facilmente interrompida se desde o início tivessem sido usados inteligência e real interesse do governo no combate aos crimes ambientais”, afirma Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Ao custo mensal de 60 milhões de reais, o equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do IBAMA, essas operações teriam como objetivo principal combater o desmatamento nos meses que antecedem a temporada de queimadas criminosas na floresta amazônica. Porém com o início da seca chegando e o fogo batendo à porta da floresta, o quadro que vem se desenhando não é apenas catastrófico para a quantidade de árvores que vão tombar por conta dos incêndios, mas também pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazônia à COVID-19.

Com a aproximação da época mais seca na Amazônia o quadro fica ainda mais dramático quando o assunto é saúde pública. No ano passado, quando o Brasil bateu recordes de alertas de incêndio, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou nas áreas mais afetadas pelo fogo. Foram cerca de 2,5 mil internações a mais, por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal, segundo estudo da Fiocruz. A tragédia está em curso. Hospitais em toda região norte estão lotados. Na primeira semana de maio, já houve aumento de 38,8% de queimadas em comparação com o mesmo período de 2019.

“É difícil nutrir muita esperança de que a catástrofe ambiental que vimos no ano passado seja menor em 2020. Afinal, a contenção do colapso está nas mãos de um governo muito bom de discurso, mas que, na prática, se mostra completamente incapaz de combater a destruição do maior patrimônio de todos os brasileiros – a Amazônia”, completa Rômulo.

fecho

*Karen Mota, imprensa.br@greenpeace.org Assessora de Imprensa Greenpeace

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