Negacionismo olímpico e o que isso nos diz dos atletas brasileiros que recusaram a vacina?

coi vaccines

A notícia de que 10% dos atletas que compõe a delegação brasileira se recusarem a serem vacinados antes de se dirigem para o Japão para participar dos “Jogos Olímpicos” está passando de forma quase que batida pela mídia corporativa  brasileira. Mas isto não me impede de dizer que essa posição dessa minoria é escandalosa e representa uma falta de responsabilidade grotesca. 

É que um evento de menor envergadura como foi a Copa América (ou seria Cova América?) que foi recentemente realizada no Brasil trouxe pelo menos uma nova variante da Sars-Cov-2  vinda da Colômbia para dentro do território nacional, uma adição completamente desnecessária para um cenário já complexo  que é marcado pela presença de várias cepas que, inclusive, podem estar se recombinando.

A posição do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), como era de se esperar, tem sido também de “passar o pano” e isentar esses atletas negacionistas de qualquer tipo de punição, já que o Comitê Olímpico Internacional (COI), não coloca a obrigação de vacinação como uma condição que os atletas participem das Olímpiadas. Esse movimento do COI só pde ser explicado pelos seus interesses comerciais junto aos patrocinadores desse mega evento esportivo.

Madrid,,Madrid,Spain.,April,03,2021.,Laboratory,Technician,With,Vial

A verdade é que a realização das Olimpíadas em um momento em que diversos países estão em meio a um crescimento desenfreado da pandemia da COVID-19 já seria escandaloso. Ao permitir que que parte dos atletas participe sem ser vacinada, o COI acaba transformando o seu megaevento em uma poça biológica de onde poderão ser transportadas para todo o planeta cepas que estão confinadas em determinadas áreas. E isso com a colaboração direta dos atletas negacionistas.

O que deveria ser feito no momento de retorno da delegação brasileira seria colocar todos os atletas em um período de confinamento obrigatório para evitar que eventuais portadores do coronavírus possam passar da condição de atletas para a de difusores de coronavírus. Mas sabemos que isso não irá ocorrer dada frouxidão que está sendo observada em relação aos negacionistas da vacina.

Uma coisa curiosa é que o último levantamento pelo DataFolha mostrou que 6% dos brasileiros não querem se vacinar contra a COVID-19, um valor muito próximo do total dentro da delegação olímpica brasileira que se recusa a ser vacinada. 

Finalmente, para surpresa de ninguém, já se sabe que o hotel que hospeda a delegação brasileira  de judô que está no Japão para participar das Olimpíadas se transformou no foco de um surto de COVID-19. É quase certo que os  judocas negacionistas estejam sendo os primeiros a ser infectados, mas certamente não serão os únicos, o que apenas reforça a irresponsabilidade com que eles trataram o cuidado com seus colegas de delegação.

2 comentários sobre “Negacionismo olímpico e o que isso nos diz dos atletas brasileiros que recusaram a vacina?

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