O derretimento da ordem de Bretton Woods, um dos subprodutos do conflito militar na Ucrânia

melting bretton woods

A principal e mais importante notícia que deveria estar sendo oferecida em complemento à repetitiva cobertura da ação militar russa na Ucrânia é que estamos presenciando o rápido derretimento da ordem de Bretton Woods cujas estruturas foram lançadas sobre as brasas ainda quentes da Segunda Guerra Mundial.  É que, de forma inadvertida ou racional, o que os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fizeram foi acelerar a “desdolarização” da economia mundial e o início de discussões avançadas para que sejam criados mecanismos paralelos (e que eventualmente substituirão) as organizações criadas pelos chamados acordos de Bretton Woods.

Os crescentes sinais do derretimento da ordem de Bretton Woods têm aparecido antes do conflito militar na Ucrânia, mas agora parecem ter adquirido uma velocidade mais acelerada. Exemplos disso são a possibilidade real da venda de petróleo da Arábia Saudita para a China com o pagamento em Yuan (inaugurando ou fortalecendo o chamado “petroyuan”, algo que se repete na venda de petróleo russo para Índia onde o pagamento deverá ser feito em rublo ou rúpia, deixando de fora o dólar.

Mas a derrocada da ordem de Bretton Woods também tem desdobramentos importantes para a importância de suas agências como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), já que o alinhamento entre China-Rússia-Índia tem como objetivo lançar novos mecanismos de integração econômica que moverão ainda mais os centros mais dinâmicos do capitalismo da América do Norte e Europa para a Ásia.

putin jinpingGostando-se deles ou não, Vladimir Putin e Xi Jinping são os artífices de um sistema alternativo ao de Bretton Woods

Desta forma, a virulência de sanções e banimentos que estão sendo impostos à Rússia por causa da ação militar na Ucrânia tem pouco a ver com motivos humanitários e mais com um esforço (provavelmente inútil) de retardar o movimento do pêndulo capitalista de oeste para leste. Mas o problema é que ao congelar as reservas russas que estavam depositadas em seus bancos, os países da Otan estão adiantando, em vez de atrasar, o movimento pendular que está ocorrendo em termos do centro mais dinâmico do capitalismo. Esse movimento, independente do cálculo feito pelos governos ocidentais, via alterar completamente o funcionamento da economia mundial, e afetará o processo de trocas econômicas e financeiras que ainda mantém de pé uma ordem política que não serve mais para manter as relações geopolíticas globais em um mínimo de equilíbrio.

Assim, enquanto a mídia corporativa nos mantém ocupados com uma versão unilateral do que está acontecendo na Ucrânia, a verdadeira notícia está sendo ocultada de todos que se contentam em receber versões pasteurizadas do conflito. O problema  aqui é que quando os movimentos sendo gestados pelos países do novo eixo dinâmico do capitalismo se transformarem em realidade, o que deverá ocorrer será uma surpresa tão grande quanto aquela que ocorreu quando os guardas do Muro de Berlim desistiram de cumprir suas funções.

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