Lama tóxica que chegou à foz do Rio Doce, no litoral capixaba continua prejudicando pesca em lagos, rios e alto mar
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, foi um dos maiores desastres socioambientais da história do Brasil, causando a contaminação do Rio Doce e de áreas costeiras pela lama tóxica. Segundo estudo publicado na revista “Ocean and Coastal Research” nesta sexta (6) por pesquisadores do Instituto de Pesca de São Paulo e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), quase todos os 441 pescadores artesanais entrevistados pela equipe no Espírito Santo (96%) foram impactados pela falha da barragem.
Desses, 47% tiveram que abandonar a pesca, especialmente mulheres, idosos e pessoas que vivem em áreas mais distantes do mar. O mapeamento também identificou que 49% dos trabalhadores precisaram mudar a área de pesca, a arte de pesca utilizada ou a espécie-alvo – tendo em vista a redução da disponibilidade de peixes maiores, como pacu, robalo, traíra, tainha e garoupa. Menos de 4% seguiram na atividade pesqueira sem relatar limitações.
Baseada em entrevistas realizadas entre os anos de 2021 e 2022, a pesquisa analisa o impacto social do desastre em seis municípios capixabas cortados pelo Rio Doce ou situados no litoral – Baixo Guandu, Colatina, Marilândia, Linhares, Aracruz e Fundão. Dessa forma, o estudo considera a pesca realizada em rios, lagoas, estuários e alto mar. A amostra de entrevistados corresponde a 20% do número total de pescadores nas comunidades pesqueiras da região, abrangendo ambos os gêneros.
O grupo dos pescadores que abandonaram a atividade também é caracterizado pela renda mensal média mais baixa – R$ 1.217,24, 23% menos que a renda média de R$ 1.583,16 entre os que se adaptaram, por exemplo. O tempo médio de atividade no primeiro grupo é de 32 anos, frente a pouco mais de 26 anos de atividade registrados em média no grupo daqueles que se adaptaram e de 18 anos entre aqueles que seguiram na pesca sem interrupções. “Assim, os dados evidenciam não apenas os impactos do desastre, mas também as desigualdades que afetam diretamente as populações que dependem da pesca artesanal”, aponta a bióloga Mayra Jankowsky, pós-doutoranda no Instituto de Pesca e uma das autoras do artigo.
Todos os grupos afetados relataram fatores de estresse relacionados à catástrofe, como a contaminação ambiental e do pescado e a maior dificuldade em comercializar os produtos. “Chamou a nossa atenção durante a pesquisa que os entrevistados desconheciam o grau de contaminação e o risco de consumo dos peixes. Mesmo depois de tantos anos, ainda há um receio desse consumo por parte dos consumidores, prejudicando a venda dos pescados nas regiões afetadas”, ressalta Jankowsky.
A população afetada ainda aguarda uma reparação pelos danos sofridos. Em novembro de 2024, a Justiça absolveu as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton e gestores pelo rompimento da barragem. A Fundação Renova, responsável por executar o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta, será extinta, ao mesmo tempo em que continua em andamento o julgamento da ação contra a BHP Billiton, uma das controladoras da empresa Samarco, no Reino Unido. Já no dia 25 de outubro deste ano, foi assinado o acordo entre as empresas e governos federal e estaduais, que estabelece o pagamento total de R$ 132 bilhões aos afetados.
Para Jankowsky, é fundamental a construção de soluções conjuntas, com maior participação dos afetados. “Garantir que essas comunidades desempenhem um papel ativo na construção das soluções facilita a geração de aprendizado coletivo e ações colaborativas, elementos essenciais para a reconstrução dos modos de vida afetados”, aponta. Ela também defende ações direcionadas aos grupos socialmente mais vulneráveis. “É contraditório que os mais velhos, com mais experiência e conhecimento, estejam entre os mais afetados e distantes do processo de recuperação, pois potencialmente ainda têm muito a contribuir”, frisa.
A pesquisadora afirma ser imprescindível a implementação de um monitoramento ambiental participativo, que permita avaliar a segurança alimentar e definir áreas seguras para a pesca, assim como realizar ações urgentes de descontaminação ambiental.
Fonte: Agência Bori
infelizmente nosso presidente que é uma porcaria se juntou com STF com os governadores de MG e ES, e veja o que eles fizeram com a população que não vai receber nada. Nós que vamos sendo afetados, estamos comprando água até hoje por que a água não está confiável. E só na justiça do Brasil depois de 9 anos, a Samarco fez a merda toda agora e agora foi absolvida. Então, nós todos bestas lascados, pois o dinheiro que vinha para reparar o Rio Doce vai para o contorno em Vitória. Isso que dizer que o mais importante seria recuperar o Rio Doce, pois sabemos que várias cidades dependem da água dele. Em MG tem mais de 300 barragens que podem explodir a qualquer momento formando uma bomba relógio . Sei que prejudica muita gente e muita cidade inclusive os estados de MG, ES e Ba. Se for mais longe o Nordeste todo, e nossos governantes estão preocupados só com poder e dinheiro. Hoje eu torço para que explodvárias barragem de MG para acabar de vezes com vários estado deste país porque nossa justiça não está nem aí para o povo. Aí as cidades banhadas pelo Rio Doce vão vira elefante branco, e aí prejuízo vai ser maior deste que as barragens que estouraram em 2015. Já se passaram 9 anos e a justiça está brigando para ver quem é o culpado da tragédia , e enquanto isso a água não é boa prejudica os mananciais. A flora a natureza que são mais interessantes que estes govenantes não tem perspectiva de melhorar não.
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É uma lástima conviver com esta situação e ver o descaso das mineradoras, fui e sou um dos afetados por esta tragédia.
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Lamento saber de sua condição Luiz. Força aí.
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Concordo plenamente com você Gessy e Luiz Ferreira.
Atuamos contra essas empresas há anos. Em todas as vezes que um dedo dos Governantes surge, atrapalha todo trabalho.
Deus os abençoe nessa árdua batalha.
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Fui afetado, estou desempregado e com problema de pele causado pelo sol e água contaminada e sem dinheiro para medicamentos. Governantes podres!
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Paulo Ciriaco. Pescador desde 1970, com carteira de pesca desde 2007, Categoria e 2 marcada. Moro Cachoeira Escura.
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Eu nunca fiz cadastro no Brasil, pois sabia que nunca eu iria receber pelas as perdas que tive. Então me cadastrei pela a Holanda porque eu sabia que de lá nos iríamos ter uma recompensa melhor. Mas as desgraças do Lula e do Casagrande que nunca pescaram no rio Doce e não tiveram perdas de plantações e e outros juntos com o governador de Minas roubaram nosso dinheiro. O que nós atingidos temos a ver com asfalto? Os rejeitos prejudicaram foi os de beira rio, e não quebrou ponte e nem asfalto. Eu era pescador de barranco, pescava para comer e o que sobrava eu vendia, mas os demônios soltaram os rejeitos no rio matando nossos peixes. Agora não temos o que pescar .
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