Conflito da mineração na Serra do Brigadeiro: comissão lança nota de repúdio ao prefeito de Rosário da Limeira

A Comissão de Luta e Enfrentamento à Mineração na Serra do Brigadeiro, que é composta por uma série de organizações da sociedade civil, lançou no dia 07 de Setembro uma nota de repúdio ao prefeito do município de Rosário da Limeira, José Maria Pinto da Silva, que assinou o Ofício no. 063/2018 onde declara que as atividades da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) estariam em conformidade com leis e atos administrativos municipais (ver nota abaixo).

comissão

A nota lembra que o ofício contra o código municipal de Meio Ambiente e a moção de repúdio aprovada contra as atividades de mineração em Rosário da Limeira.  Além disso, os signatários reafirmam a posição de que as atividades de mineração causarão impactos socioambientais irreversíveis, impactando recursos naturais e a rica biodiversidade que existe no interior da Serra do Brigadeiro, alvo dos interesses minerários da CBA.

O conflito socioambiental que está ocorrendo na Serra da Brigadeiro já foi noticiado aqui neste blog por diversas vezes, incluindo as que falaram sobre as ameaças de morte realizadas contra o Frei Gilberto, uma das principais lideranças no processo de resistência às atividades de mineração na Serra do Brigadeiro [1]


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/05/31/conflito-da-mineracao-em-belisario-cbavotorantim-em-pleno-uso-do-enamoramento-corporativo/

 

Mineração é rejeitada durante audiência pública em Rosário da Limeira

Mineração é rejeitada durante audiência pública em Rosário da Limeira

A Câmara Municipal de Rosário da Limeira realizou na última quinta-feira, 12, uma audiência pública para debater o avanço da mineração de bauxita no município. A audiência foi realizada durante a noite, na quadra da Escola Municipal e contou com a participação de mais de 300 pessoas.

O território de entorno da Serra do Brigadeiro abriga a segunda maior jazida de bauxita do país e tem sofrido forte ofensiva da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao Grupo Votorantim, que visa expansão das áreas de extração mineral na região.

Os trabalhos da noite foram conduzidos pelo vereador Davi Aparecido (PT), presidente da comissão de meio ambiente da Câmara Municipal e autor do requerimento da audiência.

Estamos preocupados com o avanço da mineração em nosso município, ela coloca em risco nossas águas, nossas terras, saúde e a agricultura familiar, atividade econômica que traz desenvolvimento para nossa cidade. Desde 2003 debatemos essa questão, mas agora a mineração está na fronteira do município, é tempo de agir para evitar esse retrocesso”, afirma o vereador.

Um dos palestrantes da audiência foi o professor Lucas Magno, doutor em conflitos ambientais e planejamento territorial pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para Magno, a extração de bauxita prejudicará os mananciais hídricos da região.
A bauxita cumpre uma função fundamental no subsolo permitindo maior infiltração e armazenamento de água nos lençóis freáticos, a sua retirada implicará em danos nos mananciais e prejudicará o abastecimento de água para comunidades rurais e urbanas”, explica o professor. Magno ainda questiona o discurso da mineradora de que a mineração pode gerar benefícios à cidade. “Quando analisamos os indicadores socioeconômicos de municípios já afetados pela mineração de bauxita na região, como São Sebastião de Vargem Alegre e Itamarati de Minas, verificamos que eles pioraram, ou seja, a mineração não significa melhoria da qualidade de vida da população como defende a empresa, pelo contrário, os dados oficiais indicam que há piora nas condições de vida da população”.

Outro palestrante que contribuiu com as discussões foi Frei Gilberto Teixeira, franciscano e padre da paróquia de Santo Antônio, em Belisario. “Papa Francisco tem realizado importantes reflexões sobre as questões ambientais e sociais na atualidade, a mineração é um dos temas que ele chama atenção.

Precisamos trabalhar para construção de uma sociedade baseado no bem comum, prezando pela coletividade, e a mineração é adversa a isso, ela representa um desenvolvimento de morte em nossa região”, reflete Frei em sua intervenção.

Após as falas dos palestrantes foi aberto para participação do público presente. Durante sua intervenção, José Maria Cardoso, franciscano e militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), denuncia as tentativas da mineradora na região. “Temos de ficar espertos pois a empresa tenta de diversas formas enganar e conseguir apoio da comunidade. Recentemente um Instituto, pago pela Votorantim, tentou fazer algumas atividades na cidade, temos de ficar alertas pois nesse caso se trata de um lobo vestido de cordeiro”, denuncia Cardoso.

Para Zaine Mendes, diretora do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR), a mineração de bauxita é uma ameaça à saúde das pessoas.

Estivemos em Itamarati de Minas e vimos com nossos olhos os impactos da mineração na saúde da comunidade, eram várias enfermidades e índices elevados de câncer. Os laudos de óbitos do município não relacionavam as doenças com a mineração, pois o médico recebia apoio da mineradora”, Lembra Mendes. Ao longo da audiência houveram várias intervenções de pessoas indignadas, preocupadas e que manifestaram o repúdio do avanço da mineração em Rosário da Limeira.

Ao final da audiência foram aprovados os seguintes encaminhamentos: demarcação do território da Serra do Brigadeiro como livre de mineração; valorização e incentivo à agricultura familiar e conservação ambiental; projeto de lei que demarque as comunidades de Rosário de Limeira como de santuário hídrico e de produção de alimentos saudáveis; moção de repúdio à mineração no município aprovada pela Câmara Municipal.

FONTE: http://mamnacional.org.br/2018/04/13/mineracao-e-rejeitada-durante-audiencia-publica-em-rosario-da-limeira/

Frade ameaçado em Muriaé entra em programa de proteção

Atuação de religioso contra expansão da mineração na Serra do Brigadeiro é lembrada em reunião no distrito de Belisário.

Audiência pública da Comissão de Direitos Humanos foi realizada na sede do grupo de artesãos do distrito

Audiência pública da Comissão de Direitos Humanos foi realizada na sede do grupo de artesãos do distrito – Foto: Sarah Torres

Ameaçado de morte por sua liderança na mobilização contra a expansão da mineração na Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata, o frei Gilberto Teixeira da Silveira já foi incluído, em caráter emergencial, em um dos programas de proteção aos defensores de direitos humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania.

A informação foi divulgada na noite desta segunda-feira (26/6/17), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada diante de, ao menos, uma centena de moradores reunidos na sede do grupo de artesãos do pequeno distrito rural de Belisário, distante 33 quilômetros da sede de Muriaé (Zona da Mata), aos pés da Serra do Brigadeiro.

Paraíso da biodiversidade, a Serra do Brigadeiro detém a segunda maior reserva de bauxita do País, essencial à produção de alumínio, o que desperta a cobiça dos grandes conglomerados minerários mundiais desde a década de 1980.

A audiência atendeu a requerimento do presidente da comissão, deputado Cristiano Silveira (PT). “Quando falamos de mineração em Minas, é o rabo que balança o cachorro, e não o contrário. São as mineradoras que atuam para ditar as regras desse mercado e assim fazer o que bem entendem”, lembrou.

O parlamentar elogiou a atuação do Executivo no episódio da ameaça ao frade. Essa proteção garantiu o acompanhamento do caso, no local, por uma equipe técnica, com o mapeamento de situações de risco e a instalação de um kit de proteção na comunidade. Isso inclui tanto vigilância eletrônica quanto sistema de comunicação a ser acionado em caso de nova ameaça que coloque a vida do religioso em perigo. Um dos pressupostos dessa atuação é garantir a segurança sem retirar o defensor de direitos humanos do seu local de atuação, justamente para não enfraquecer a luta.

alm 2
Centena de moradores acompanhou a reunião em Belisário – Foto: Sarah Torres

O programa, que é articulado nacionalmente, também intervém para que o episódio mereça atenção especial por parte das forças policiais, tanto na proteção ao frade quanto na investigação do caso, conforme explicou a diretora de Proteção e Defesa de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos, Ana Carolina Gusmão da Costa. “É inadmissível que um defensor de direitos humanos seja ameaçado”, resumiu.

Segurança e transparência

Mas isso ainda não é suficiente, conforme relato dos participantes da audiência. Entre as reivindicações apresentadas, algumas são de simples solução, como a melhoria na infraestrutura da Polícia Militar da região, como a volta do destacamento ao distrito de Belisário. Também foi pedido o acesso a todo o conteúdo do processo de licenciamento ambiental da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim, cuja atuação na mineração de bauxita na região foi alvo de muitas críticas.

Contudo, outras reivindicações são mais difíceis, como a transformação de todo o entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro em área livre de mineração. Se isso depender da mobilização da comunidade, não será problema, já que a reunião foi interrompida várias vezes por gritos de “Mineração aqui não”.

Mobilização

 Uma apresentação musical do Movimento pela Soberania Popular na Mineração mostrou que até mesmo os adolescentes estão conscientes da importância da preservação dos recursos naturais da região. São filhos de agricultores cujas famílias vivem ali há gerações, praticantes da chamada agroecologia que têm na produção de café e leite a base da economia, mas que já começam a explorar também o potencial turístico da região.

Recentemente, eles fizeram protesto semelhante em um evento da CBA em Rosário da Limeira, município vizinho que também vem sendo assediado pela empresa.

Polícia Civil já tem retrato falado do suspeito

Apesar de passados mais de quatro meses, o relato da ameaça sofrida pelo franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos e responsável pela Paróquia de Belisário ainda revolta os moradores do distrito. Após a celebração de uma missa em 19 de fevereiro último, um homem armado teria invadido a casa paroquial. “Hoje é só um aviso. Você está falando demais sobre mineração e eu vim aqui dizer para você parar com isso”, afirmou o desconhecido.

Esse homem, bem articulado, teria dito ainda que todos os passos e declarações do frade estavam sendo acompanhados. “Ele sabia de um encontro que realizamos na véspera. Disse que eu tinha até sido moderado, mesmo com a Campanha da Fraternidade (em defesa dos biomas), e relatou em detalhes por onde eu tinha passado e dormido nos últimos dias”, contou o frei Gilberto.

O estranho teria mandado o frade ficar na casa paroquial e desaparecido sem deixar vestígios. Uma semana depois, o próprio religioso, que está em Belisário desde 2011, localizou uma testemunha que também viu o estranho e um retrato falado foi confeccionado pela Polícia Civil. Foi instaurado inquérito sobre o caso, que agora está em segredo de Justiça, motivo da ausência de um representante do Ministério Público na reunião.

Inquérito

O titular da 32ª Delegacia de Polícia Civil, delegado Fábio Correia de Almeida, pediu o apoio da população em busca de mais informações que ajudem na identificação e prisão do suspeito. “Existem leis que protegem testemunhas. Ninguém vai ficar exposto. Já avançamos, mas para chegar à autoria (do crime), precisamos da ajuda da comunidade”, afirmou, sem dar mais detalhes.

alm 3
Frei Gilberto disse que episódio deu mais força à causa – Foto: Sarah Torres

Apesar de ninguém ter sido preso e da ameaça, que teve repercussão até no exterior, ter mudado sua rotina, frei Gilberto disse que o episódio deu mais força à causa. “A ameaça não foi ao frade, mas a todo mundo que está se posicionando contra a chegada da mineradora. A comunidade me acolheu e me protege. O dinheiro da mineração pode até solucionar alguns problemas imediatos, mas vai deixar outros ainda maiores e a população já entendeu isso. A água é um bem maior do que o minério”, defendeu.

Provas disso foram lembradas ao longo da audiência. O professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, Lucas Magno, pesquisador de conflitos ambientais derivados da mineração, lembrou que a bauxita favorece a infiltração de água que forma os lençóis freáticos. Sua exploração pode provocar um irreversível desequilíbrio hídrico e, consequentemente, econômico e social, em toda a região. “De fato, vivemos em uma sociedade que precisa de minério. Mariana (na Região Central do Estado, cenário de uma tragédia ambiental), por exemplo, depende da mineração e uma hora ou outra ela será retomada lá. Mas aqui é irracional minerar”, avaliou.

Exemplo

 Os problemas provocados em outro município da região, Itamarati de Minas, foram citados pelo vereador Reginaldo de Souza Roriz (PSD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Muriaé, e por um dos líderes dos agricultores da região, Carlos Alberto de Oliveira. Esse último disse também já ter sido ameaçado por pessoas ligadas à mineração. Refém dos royalties por anos, a cidade agora está estagnada economicamente após a desaquecimento da atividade minerária, e com dezenas de nascentes arruinadas, conforme lembrou o vereador.

Consulte o resultado da reunião.

FONTE: http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2017/06/27_direitos_humanos_ameaca_mineracao_frei_muriae_belisario.html

Conflito em Belisário: em entrevista Frei Gilberto confirma sua disposição de luta contra a mineração

FREI GILBERTO

Após quatro meses das ameaças de morte que sofreu em razão de sua atuação contrária a ampliação dos projetos de mineração de bauxita na da Serra do Brigadeiro em Minas Gerais, Frei Gilberto se mantém firme na luta ao lado da comunidade de Belisário, distrito de Muriaé.

Agora incluído no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais, o Frei conta que o apoio da comunidade tem sido fundamental nos últimos meses. “Senti que houve uma mobilização muito grande da comunidade e de fato me sinto bastante protegido. As pessoas têm assumido que a ameaça não foi ao Frei Gilberto, mas a todos aqueles que acreditam que a vocação do distrito é para agricultura familiar e para o turismo”.

Ainda em fevereiro, mais de 70 organizaçõesmovimentos sociais, populares e sindicais assinam nota em solidariedade ao Pároco, que foi ameaçado de morte após a realização de uma missa na comunidade. As organizações signatárias da Nota de Solidariedade repudiam a ameaça e exigem dos órgãos “a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região”.

Nesta segunda-feira, 26, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza uma Audiência Pública para discutir o atentado sofrido por Frei Gilberto no dia 19 de fevereiro, assim como as violações de direitos promovidas pela CBA / Votorantim e os impactos da mineração na região da Serra do Brigadeiro. Foram convidados para a audiência pública representantes do Governo do Estado, Polícia Civil, Ministério Público, Câmara de Vereadores de Muriaé, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais e lideranças locais. A atividade acontece às 18 horas, na sede do Grupo de Artesãos de Belisário.

image

Serra do Brigadeiro

Há 20 anos as comunidades e organizações populares do entorno da Serra do Brigadeiro se mobilizam contrárias aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração de bauxita na região, que tem à frente a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim.

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente por sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Confira a entrevista do Frei Gilberto Teixeira ao site do MAM.

MAM – Frei, após a ameaça, quais os desdobramentos que ocorreram?

Frei GilbertoDepois do episódio de fevereiro muita coisa mudou em Belisário e em minha vida particular. Devido à insegurança começamos a tomar mais cuidado, agora estou sempre acompanhado. Houve também uma aproximação maior da Polícia Militar do Distrito e o governo do Estado me incluiu no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, senti que houve uma mobilização muito grande da comunidade e de fato me sinto bastante protegido aqui.

Este triste episódio fortaleceu as convicções da comunidade em relação à luta contra a mineração, uma luta que não é minha, mas da comunidade. Quando cheguei aqui já existia essa resistência, então as pessoas têm assumido que a ameaça não foi ao Frei Gilberto, mas a todos aqueles que acreditam que a vocação de Belisário é para agricultura familiar, é para o turismo e temos que das águas que temos em abundância aqui.

Em algum momento pensou em desistir da luta contra a mineração?

Frei Gilberto –  Recebi muitas manifestações de apoio e solidariedade e isso me ajudou muito a fortalecer a convicção de que estou no caminho certo, repito, a luta não é minha é da comunidade, é luta nossa. Estou junto com a comunidade e em nenhum momento tive vontade de desistir ou ir embora de Belisário como foi anunciado. Em diálogo com o bispo Diocesano Dom José Eudes concordamos que o lugar mais seguro para mim no momento era continuar em aqui.

Vamos continuar lutando, resistindo para que este lugar seja preservado, porque aqui não é lugar de mineração, não queremos que a mineradora chegue aqui e vamos fazer de tudo para melhorar a qualidade de vida das pessoas, desenvolver a agricultura familiar, o turismo e acima de tudo cuidar das nossas nascentes, cuidar dessa água que é tão boa e tão pura.

Estamos vivendo um cenário muito violento e de muitas perseguições às pessoas que atuam contra a retirada de direitos. Como reagiu às inúmeras manifestações de apoio e solidariedade?

Frei Gilberto –  Fiquei surpreso com o grande número de manifestações, logo no primeiro dia em que tornamos pública a ameaça recebi muitos amigos, como a Fraternidade Franciscana, todos vieram ao meu encontro, me apoiaram e logo foi juntando mais gente. Nos primeiros dias veio a manifestação de apoio do Dom José Eudes, padres, dioceses, inclusive a missa da 5ª feira Santa que, tradicionalmente, acontece na Catedral, esse ano foi transferida para Belisário como gesto de apoio. Os movimentos sociais assinaram o manifesto, recebi manifestações de apoio de vários países como a Noruega, EUA, Alemanha, muita gente se sensibilizou e me senti bastante protegido pela ampla divulgação, com a repercussão que causou, isso ajuda muito.

Sou muito grato aos movimentos, às pastorais e a todos que estão de fato comprometidos com a vida.

Como está hoje a situação da Serra do Brigadeiro com as ameaças da mineração na região?

Frei Gilberto –  A mineradora continua seu trabalho vindo desde Itamaraty de Minas, já passou por Miraí, está em São Sebastião da Vargem Alegre e agora chegando em Rosário de Limeira onde estão de fato com uma atitude ostensiva, tentando se aproximar da comunidade. Mas o nosso movimento está presente, está se unindo à população de Rosário de Limeira e uma forte resistência tem se manifestado por lá. Com os últimos episódios aqui em Belisário cresceu muito a resistência.

Temos buscado apoio nos órgãos públicos, o prefeito de Muriaé já manifestou  várias vezes que a vocação de Belisário não é para mineração e que se depender dele a mineração não entra aqui. A Câmara Municipal de Vereadores também tem se manifestado contrária, então isso reforçou muito a luta, mas principalmente pela mobilização da própria comunidade.

A mineradora tem tentando se aproximar, já entrou em contato com várias lideranças da comunidade, mas todos têm se mostrado bastante resistentes, entendemos que terão muita dificuldade para entrar aqui e se Deus quiser não vão conseguir, porque Belisário não é para mineração, Belisário é para a vida.

FONTE: http://mamnacional.org.br/2017/06/26/vamos-continuar-lutando-resistindo-para-que-este-lugar-seja-preservado-porque-aqui-nao-e-lugar-de-mineracao-destaca-frei-gilberto-em-entrevista/

 

Conflito em Belisário: Comissão de Direitos Humanos da ALMG realizará audiência pública para discutir violações dos direitos humanos e impactos ambientais da mineração de bauxita

image

Em 19 de Fevereiro de 2017 um homem armado ameaçou Frei Gilberto por suas posições contrárias à mineração na Serra do Brigadeiro. A ameaça atingiu um grande conjunto de organizações populares e comunidades que lutam contra a expansão de mineração de bauxita na região.

Com o objetivo de agir contra as sistemáticas violações de direitos humanos cometidos pela CBA / Votorantim na região da Serra do Brigadeiro, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) irá realizar no dia 26 de junho uma audiência pública em Belisário, Muriaé.

O tema da audiência serão as violações de direitos humanos cometidos pela CBA / Votorantim e os impactos ambientais ocorridos e que podem se agravar com o avanço da mineração na região.

Venha participar e somar forças na luta em defesa da vida e contra este projeto de morte que pretende saquear nossas terras!

Juntos somos fortes!

Data: 26/06
Horário: 18:00
Local: GAB em Belisario

Processo judicial movido contra o blog por postagens sobre o conflito da mineração em Belisário não prospera

No dia 20 de Fevereiro publiquei a postagem intitulada “Conflitos da mineração em MG: religioso sofre ameaça para abandonar organização da resistência popular em Belisário”  (Aqui!), onde trouxe ao conhecimento público a ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto Teixeira por causa de seu papel de organizador da resistência da comunidade local ao proposto processo de expansão da mineração de bauxita no Distrito de Belisário, que faz parte do município de Muriaé (MG).

Pois bem,  já no dia 02 de Março, postei novo material sobre o conflito em Belisário, agora para informar do recebimento de uma notificação extra-judicial que foi enviada ao endereço do blog pelo prestigioso escritório de advocacia sediado na cidade de São Paulo, “Moraes Pitombo Advogados”, o qual se apresentou como representante legal da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Nessa notificação extra-judicial foi apresentada a demanda para que fosse feita a remoção da referida postagem “sob pena de adoção de medidas judiciais cabiveis” (Aqui!). E para tanto, me foi dado o prazo de 24 horas. Como entendi que nada havia feito além de informar a ocorrência de um fato, lamentável é preciso que se frise, não atendi aos  termos da referida notificação extra-judicial.

Depois disso, ainda voltei a tratar dos desdobramentos da ameaça realizada contra o Frei Gilberto Teixeira em diversas postagens (Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!).

O que eu desconhecia até a manhã desta 5a. feira (25/05) é que já no dia 03 de Março, o escritório de advocacia  “Moraes Pitombo Advogados” havia dado entrado no Fórum de Campos dos Goytacazes com um processo em que requeria tutela de urgência para remoção da postagem feita no dia 20 de Fevereiro e de um outra sob pena de multa diária de R$ 5.000,00, e ainda atribuía à causa o valor de R$ 50.000,00! (Processo 0005264-58.2017.8.19.0014 (Aqui!).

Agora, vem a parte interessante desse caso. É que em decisão publicada no dia 16 de Maio, o juiz responsável pelo caso indeferiu o pedido feito pelos representantes legais da CBA por entender em minha postagem eu havia apenas informado acerca da ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto, e não de violar a imagem da CBA (ver texto completo abaixo).

caso 1

A decisão do juiz parece ter sido bastante impactante, já que teve como desdobramento prática a desistência dos advogados da CBA em relação ao processo iniciado contra mim, sendo que, já no dia 17 de Maio, o caso foi considerado como transitado em julgado e colocado em processo de arquivamento (ver sentença abaixo).

caso 3

Findo este processo,  os leitores podem ficar certos que blog que ele continuará sendo um espaço dedicado a jogar luz sobre fatos e situações que considere pertinentes, independente da possibilidade de desagradarem determinados interesses.  Além disso, ao contrário do que possa ser afirmado, este blog sempre observa com rigor a qualidade do que é apresentado por suas fontes antes de publicar uma postagem.   Talvez por isso é que o juiz responsável pelo caso chegou à decisão que chegou. E sigamos em frente!

Conflito socioambiental em Belisário será tema do programa de Fernando Gabeira

O conflito socioambiental causado pela resistência à mineração de bauxita no entorno e no interior do Parque Estadual Serra do Brigadeiro (PESB) vai ser ainda mais conhecido nacionalmente (e quiçá internacionalmente) a partir deste domingo (09/04). 

É que a edição do programa do jornalista Fernando Gabeira na GloboNews vai abordar exatamente o que está acontecendo no distrito de Belisário, onde a comunidade local resiste aos planos da Companhia Brasileira de Alumínio que pretende explorar as extensas reservas de bauxita ali existentes.

Abaixo um clip do programa de Fernando Gabeira e que já mostra que o mesmo será imperdível. E não custar lembrar aos que não assistem ao programa normalmente que o mesmo vai ao ar a partir das 18:30 h.