Conflito da mineração em Belisário: Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de ameaçar o Frei Gilberto

Desde o dia 20 de Fevereiro este blog vem informando sobre uma ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto Teixeira por sua participação na organização da resistência contra a expansão da mineração da bauxita no interior e no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB) (Aqui!).

Exatamente um mês após a realização dessa ameaça, a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou o retrato falado da pessoa que teria ameaçado o Frei Gilberto (ver matéria completa abaixo). A minha expectativa é de que após essa divulgação seja mais fácil identificar e deter para interrogatório o suspeito, de modo que se possa identificar de forma pronta os mandantes da ameaça de morte que teve como finalidade óbvia demover o Frei Gilberto de continuar cumprindo o papel de organizador da resistência contra o avanço da bauxita no PESB e nas áreas de entorno. A ver!

Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de ter ameaçado Frei Gilberto em Belisário

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Retrato foi feito pelo Instituto de Criminalística da PC, com base na descrição do religioso

Com base no depoimento prestado pelo Frei Gilberto Teixeira à Polícia Civil (PC) sobre a ameaça de morte que sofreu no último dia 19 de fevereiro quando saía da igreja em direção a casa paroquial, em Belisário, o Instituto de Criminalística divulgou nesta segunda-feira (20) o retrato falado do suspeito.

Até o momento não há informações sobre o suspeito e a divulgação do retrato falado tem o objetivo de ajudar na identificação e localização do mesmo através de denúncia.
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Frei Gilberto é um dos líderes do movimento contra a mineração em Belisário; ameaça ocorreu em 19/02

Frei Gilberto é um dos líderes do movimento de resistência à mineração no Parque Estadual Serra do Brigadeiro. De acordo com o religioso, a ameaça está ligada a sua militância junto aos moradores e produtores rurais contra a atividade na região, no entanto, não afirma que o ato tenha partido da empresa.  

Logo após o ocorrido a Diocese de Leopoldina divulgou nota de repúdio a ameaça e anunciou as medidas que haviam sido tomadas para a segurança pessoal do religioso.
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Sec. de Estado disse que religioso será inserido no Programa de Proteção a Pessoa do Governo de Minas

O caso ganhou repercussão nacional e na última terça-feira (14) o Secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, foi até o distrito para conversar com frei Gilberto. O secretário se reuniu ainda com representantes do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração e moradores do distrito que manifestaram contrários a atividade mineração.

Nilmário Miranda disse que o religioso será incluído do Programa de Proteção à Pessoa e que também iria encaminhar tais demandas ao governador Fernando Pimentel.

A Polícia Civil de Muriaé, através do delegado Marcelo Lopes de Aguiar, da 32ª DP, está investigando o caso que segue sob sigilo.

Informações sobre o possível autor da ameaça ao Frei Gilberto podem ser repassadas à Polícia Civil, anonimamente, pelo telefone 197 ou através do Disque Denúncia no número 181.

 Fonte : Rádio Muriaé

FONTE: http://leopoldinense.com.br/noticia/10644/policia-civil-divulga-retrato-falado-de-suspeito-de-ter-ameacado-frei-gilberto-em-belisario

Conflito da mineração em Belisário: Blog do Marcelo Auler também produz uma ampla matéria sobre o caso

O jornalista Marcelo Auler publicou ontem em seu blog outra ampla matéria intitulada ” O dilema mineiro: mineração ou preservação” acerca do conflito socioambiental em curso no distrito de Belisário em função das tensões resultantes da ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto Teixeira por sua militância contra a mineração de bauxita naquela porção de alto interesse ecológico da Zona da Mata Mineira (Aqui!).

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Produzida a partir de uma investigação que incorporou a visão dos diferentes atores envolvidos no conflito em curso em Belisário, a matéria contrapõe as diferentes visões que estão presentes neste caso, e vale a pena ser lida.

Eu fiquei particularmente cético em relação aos propalados programas de recuperação ambiental implantados pela Companhia Brasileira de Alumínio nas terras que arrenda para realizar a extração da bauxita. O meu ceticismo se baseia na minha experiência pessoal na área de implantação de sistemas agroflorestais em áreas degradadas na Amazônia ocidental.  É que pude verificar “in loco” que sem o apoio maciço do Estado e da iniciativa privada,  não há menor chance de haver sucesso em médio e longo prazo para a agricultura familiar.

De toda forma, essa é mais uma matéria que explicita as tensões presentes  em Belisário, além de ter o mérito de colocar o problema numa escala que extrapola o conflito e os atores locais. 

Conflito da mineração em Belisário: jornal O Globo faz ampla matéria sobre o caso

As ameaças de morte ao Frei Gilberto Teixeira, um dos líderes da resistência contra a extração de bauxita no Distrito de Belisário, Muriáe (MG), e que foram noticiadas inicialmente neste blog no dia 20 de Fevereiro deste ano (Aqui!) motivaram até o envio de uma notificação extra-judicial  contra mim pelos representantes legais da Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) que exigiam que eu retirasse a citação à empresa da postagem (Aqui!).

Pois bem, como eu já havia comentado, quem arquitetou as ameaças de morte contra o Frei Gilberto deu um verdadeiro tiro pela culatra. É que no dia de hoje, o jornal “O GLOBO” publicou uma extensa matéria mostrando os vários ângulos do conflito em curso em Belisário, ouvindo não apenas o Frei Gilberto, mas também outros atores como o próprio prefeito de Muriaé (Aqui!).

A matéria ainda confirma a informação dada neste blog sobre a eleição da CBA para o Conselho Consultivo do Parque Estadual da Serra da Brigadeiro  (Aqui!) e salienta que este fato serviu para acirrar os ânimos a área do conflito.

Abaixo posto a íntegra da matéria assinada pela jornalista Fernanda Krakovics, e aproveito para notar o papel essencial que os colaboradores deste blog que enviaram informações que agora estão sendo confirmadas pelo “O GLOBO”. E a coisa é simples assim: blog que tem bons colaboradores não morre pagão, nem teme notificação extra-judicial.

 

Exploração de minério enfrenta resistência de moradores em distrito de Minas

Frade franciscano diz que foi ameaçado de morte

POR FERNANDA KRAKOVICS

Controvérsia. Moradores de Belisário resistem à mineração por temer impactos ambientais e na produção agrícola; mineradora diz que não há risco – Mônica Imbuzeiro

BELISÁRIO – Uma controvérsia sobre a exploração de minas de bauxita, matéria-prima para a produção de alumínio, se agravou no último mês em Belisário, distrito de Muriaé (MG), na Zona da Mata mineira. O frade franciscano Gilberto Teixeira, administrador da paróquia local, procurou a polícia afirmando que foi ameaçado de morte por tentar impedir o início da mineração. A extração do minério enfrenta resistência de moradores, que temem o impacto ambiental na produção agrícola.

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa do grupo Votorantim, já extrai bauxita em cidades vizinhas e tem os direitos minerários, concedidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), para fazer o mesmo em Belisário. A CBA afirmou, no entanto, que não tem planos de minerar nesse distrito de Muriaé nos próximos cinco anos, e que ainda não deu início ao processo de licenciamento.

 Uma manifestação contra a mineração em Belisário foi realizada no final de outubro e, em novembro, os ânimos se acirraram com a eleição da CBA para compor o conselho consultivo do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, unidade de conservação que fica na região.

Uma das lideranças do movimento de resistência à mineração, frei Gilberto disse que foi empurrado para dentro da casa paroquial por um homem armado na manhã do dia 19 de fevereiro, após celebrar a missa dominical na igreja matriz de Belisário. O caso foi registrado em boletim de ocorrência na 32ª delegacia de polícia civil de Muriaé, que abriu um inquérito.

— Ele estava com uma arma na cintura (um revólver) e falou assim: “Hoje é só um aviso que eu vim te dar, pode ficar tranquilo”. Ele começou dizendo que eu estava falando muito sobre mineração e que eu devia falar menos sobre esse assunto — disse frei Gilberto.

O frade afirmou que não conhece o homem que o ameaçou e que não tem elementos para acusar alguém de tê-lo contratado:

— Não posso dizer que foi a CBA que mandou alguém aqui. Não tenho provas. O que posso afirmar é que a ameaça está ligada à atividade minerária. Pode ser alguém da própria região interessado em que a mineradora chegue.

A CBA paga aos donos dos terrenos para extrair a bauxita, e o contrato prevê a recuperação da terra no fim do processo. A empresa ainda não começou a negociar o arrendamento das propriedades em Belisário.

Quatro dias após a suposta ameaça, a diocese de Leopoldina, que abrange Belisário, divulgou nota de apoio a frei Gilberto. O documento cita o assassinato, em 2005, em Anapu (PA), da missionária norte-americana Dorothy Stang, que defendia os direitos de pequenos produtores rurais.

“Frei Gilberto, em sua função missionária, como deve ser, vem prestando assistência e apoio aos pequenos agricultores de sua comunidade, na luta contra a espoliação de suas terras e a degradação das áreas de lavouras familiares. Em nosso país, como temos assistido com muita dor, os ditos ‘grandes empreendimentos’ não suportam argumentação que contrarie seus planos, sabedores de que sempre sairão vitoriosos. Pelo que, ignoram qualquer bem-estar ou direito dos fracos. Se entender necessário, desprezam até mesmo a vida humana dos contraditores. Irmã Dorothy é uma das nossas mais recentes e dolorosas memórias”, diz trecho da nota, assinada pelo bispo de Leopoldina, dom José Eudes Campos do Nascimento, e pelo chanceler do bispado, Pedro Lopes Lima.

Frei Gilberto solicitou, anteontem, sua inclusão no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do governo de Minas.

Gerente das unidades da CBA na Zona da Mata, Christian de Andrade lamentou o envolvimento do nome da empresa no episódio da suposta ameaça:

— Como membro da comunidade que somos, estamos operando aqui (na região) já há algum tempo, e nos solidarizamos com o frei Gilberto, mas ao mesmo tempo ficamos incomodados com o envolvimento do nosso nome neste caso.

A principal atividade econômica de Belisário é a agricultura familiar, sobretudo plantação de café. O distrito, que tem cerca de 2.500 habitantes, fica no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro.

— Não dá para conciliar atividade minerária e agricultura familiar. Por mais que eles falem que depois eles recuperam, a gente tem visto nas áreas que já foram mineradas que a terra fica muito empobrecida. E agride de maneira especial a produção de água. Boa parte da água que é consumida em Muriaé e nas cidades aí para baixo vem daqui. Temos um grande número de nascentes — diz frei Gilberto.

A CBA contesta e diz que não há riscos:

— A mineração de bauxita, aqui na Zona da Mata, é extremamente simples e altamente sustentável, pelas características do minério na região e pelo nível de desenvolvimento que a gente teve das nossas técnicas. São minas extremamente pequenas, corpos pontuais. A lavra é muito rápida, e o processo de reabilitação inicia assim que o processo de lavra é concluído. Rapidamente o proprietário rural está produzindo novamente na área que foi minerada — afirma o gerente das unidades da mineradora na Zona da Mata.

Segundo ele, a CBA devolve as terras em melhores condições do que antes:

— Nós temos uma terra que já passou por vários processos de produção rural aqui na região. Como a gente entra com tecnologia, correção do solo, estruturas de drenagem, técnicas que às vezes o produtor rural não tem conhecimento ou não tem recurso financeiro para investir, a gente entrega a área melhor, de maior produtividade.

Histórico ruim

Apesar de ter dito que não ia se posicionar sobre a exploração de bauxita em Belisário, o prefeito de Muriaé, Ioannis Grammatikopoulos (DEM), conhecido como Grego, afirmou que a cidade não tem boas lembranças da mineração:

— Muriaé tem um histórico ruim, o estouro da barragem do Consórcio Miraí, em 2007, que assolou nossa cidade. Eu tenho certeza que isso pesa muito na opinião pública de todos os muriaeenses.

O rompimento de um dique da mineradora Rio Pomba Cataguases Ltda, em Miraí (MG), cidade vizinha de Muriaé, provocou o vazamento de pelo menos dois milhões de metros cúbicos (dois bilhões de litros) de lama misturada com bauxita e sulfato de alumínio no Rio Muriaé, um dos afluentes do Paraíba do Sul, em janeiro de 2007.

O prefeito também ressaltou que há restrições para a mineração em Belisário, porque há áreas de proteção ambiental, e defendeu que o distrito se torne um “santuário”.

Inicialmente, Grego disse que não daria opinião sobre a controvérsia porque não cabe à prefeitura, e sim aos governos estadual e federal, o processo de autorização para a mineração. Ele disse ainda que não há perspectiva de a extração de bauxita em Belisário começar no seu mandato e, por isso, não teria por que se meter no assunto.

Potencial turístico

Meeiro em uma propriedade que produz café em Belisário, Norival Oliveira disse ser contrário à mineração:

— A maioria é contra (a mineração). Mas eles (CBA) acham que, se comprar o terreno de uma pessoa, os que estão em volta vão acabar querendo também. Acredito mais em ganhar dinheiro futuramente com a parte turística.

O Pico do Itajuru, um dos pontos turísticos de Muriaé, fica em Belisário. O distrito também tem diversas cachoeiras.

Já Carlos Alberto de Freitas, criador de gado de corte também em Belisário, defende a extração de bauxita no local:

— Isso é o progresso, não tem como barrar. E depois eles recuperam tudo. Eles pesquisaram aqui há 25 anos. Na época, as pessoas foram a favor, ganharam dinheiro para fazer a cova (deixar pesquisar no terreno). Agora estão influenciadas, mas na hora ficam a favor por causa do dinheiro.

FONTE:  http://oglobo.globo.com/brasil/exploracao-de-minerio-enfrenta-resistencia-de-moradores-em-distrito-de-minas-21083328#ixzz4bmW92lM5

Conflito da mineração em Belisário: Secretário de Direitos Humanos de MG se reúne com lideranças comunitárias após ameaça de morte ao Frei Gilberto

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Como anunciado aqui, a partir da repercussão de uma matéria  publicada no blog do jornalista Marcelo Auler (Aqui!),  o secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania – SEDPAC, do governo de Minas, o ex-deputado federal e ex-ministro chefe da Secretaria de Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda, esteve hoje no distrito de Belisário (que é parte do município de Muriaé) para uma animada reunião.  O interessante é que, segundo informes obtidos por mim nas redes sociais, esta reunião contou com a presença de  mais de uma centena de lideranças comunitárias e de movimentos sociais que aproveitaram a ocasião para discutir a problemática situação da mineração de bauxita na região de entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB).

Um aspecto importante desta reunião foi o apoio  que todos os presentes expressaram ao Frei Gilberto que,como informado por este blog (Aqui!) foi ameaçado de morte por sua luta contra a destruição de territórios que são tradicionalmente ocupados pela agricultura familiar. 

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Nesse sentido, o secretário Nilmário Miranda informou que o Frei Gilberto será no Programa de Proteção que está sendo viabilizado pelo governo do estado,  e que agora começam os demais passos do programa, inclusive o Frei Gilberto irá a Belo Horizonte (Aqui!). 

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É interessante notar que esta reunião antecede a posse dos novos membros do Conselho Consultivo do PESB que deverá ocorrer amanhã (15/03) exatamente no distrito de Belisário. Com certeza todos os acontecimentos decorrentes da ameaça de morte ao Frei Gilberto irão tornar essa cerimônia bem mais concorrida. A ver!

Conflito da mineração em Belisário (MG): as peculiares confluências de interesses entre mineradoras, poder público e sociedade civil

A ameaça de morte ao Frei Gilberto que é um dos líderes da resistência comunitária contra a extração de bauxita na região do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB) que foi narrada neste blog no dia 20/02 (Aqui!), e a notícia deste fato acabou tendo uma ampla repercussão política que motivou inclusive a entrada em cena do governo de Minas Gerais que irá acompanhar “in loco” o que está acontecendo em Belisário, foco dos conflitos socioambientais que motivaram o atentado cometido contra o religioso (Aqui! ).

Outra conseqüência foi que comecei a receber via o endereço eletrônico do blog não apenas a notificação extra-judicial que me foi enviada por um escritório de advocacia que representa os interesses da Companhia Brasileira do Aluminio (CBA)  (Aqui!), mas também uma série de novas informações sobre a atuação da referida empresa e da sua empresa-mãe, a Votorantim Metais na região de Belisário.

Um primeiro aspecto que me foi chamado a atenção é de que apesar de publicamente as duas empresas terem se separado em 2016 por motivos de preferências de mercado (Aqui!), quando se trata da situação prática, especialmente na exploração das reservas de jazida de bauxita na região de entorno do PESB, as duas empresas continuam atuando como uma espécie de irmãs siamesas como bem mostra a imagem abaixo que reúne cartões de visita que mostram atuações de pessoas como estando ligadas a uma ou outra empresa e, em alguns, em ambas as empresas. Além disso, o endereço apresentado para todos os casos é comum, qual seja, a Fazenda Chorona que fica localizada no município de Mirai (MG).  Em suma, uma perfeita confluência de identidades e, aparentemente, interesses empresariais e comerciais (ver imagem abaixo).

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Mas as confluências de interesse parecem não ficar apenas dentro do âmbito da CBA e da Votorantim Metais, e atingem a atuação de prefeituras e até do Conselho Consultivo do PESB. Um exemplo desta integração de interesses se deu em Rosário da Limeira, um dos municípios que deverá ser alterado pela extração de bauxita que a CBA pretende realizar na região do PESB.  Lá, em um processo de aproximação que eu chamo de “enamoramento corporativo”, a Votorantim Metais cedeu máquinas para o então prefeito e candidato a reeleição Cristovam Gonzaga da Luz (PP)  para o início da construção do que seria um balneário público a partir de uma parceria público-privada  (PPP)da qual a empresa não era oficialmente uma das participantes (Aqui! Aqui!).

Entretanto, essa participação na  PPP não é a única forma pela qual a presença a La Midas da Votorantim Metais ocorre em Rosário da Limeira, visto que a empresa também financia outros projetos voltados para ações educacionais como é o caso do projeto “Girarte” (Aqui!).  Na imagem abaixo é possível visualizar o então prefeito de Rosário da Limeira, Cristovam Gonzaga da Luz ao lado de um técnico da Votorantim Metais, ambos participando de uma das atividades do Girarte.

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Mas é na questão da composição do Conselho Consultivo (CC) do PESB que a coisa fica ainda mais interessante. É que a partir de uma eleição realizada em Novembro de 2016  (Aqui!), a CBA passará a ocupar do CC do PESB a partir de uma posse que ocorrerá na próxima semana, mais especificamente no dia 15/03 .   Não é preciso dizer, mas vou logo dizendo, que essa entrada da CBA no CC do PESB está sendo vista com grande desconfiança, pois há quem veja nesse processo a intenção de modificar não apenas a zona de amortecimento do PESB, mas a própria configuração territorial, bem como a mineração de bauxita proposta para ocorrer no entorno desta importante unidade de conservação (ver imagem abaixo ).

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Outro detalhe que está gerando preocupação entre os ativistas ambientais e moradores da região que se opõe a que se façam modificações tanto na zona de amortecimento como na configuração territorial do PESB foi a eleição da organização  não-governamental Minas Vida para também compor o CC do PESB.  É  que para os opositores da expansão da mineração de bauxita na região de entorno PESB, a “MinasVida” seria uma espécie de parceira da CBA dentro do CC (ver imagem abaixo).

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E não é que ao verificar o Curriculum Vitae que a  presidente da ONG Minas Vida depositou na Base Lattes do CNPq, encontrei indicações de que as desconfianças desses ativistas podem ter algum fundamento! A primeira coisa que aparece é o fato de que a dissertação de mestrado da presidente da ONG Minas Vida,  defendida no Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Gestão das Cidades da UCAM-Campos, teve como objeto as “estratégias de gestão territorial da Votorantim Metais na Zona da Mata Mineira”. Não bastasse isso, nas atividades profissionais declaradas para a sua atuação profissional “MinasVida”, a presidente declara sua atuação com sendo em “projetos socioambiental (sic!) para a empresa Votorantim Metais”! (ver imagens abaixo).

Se isso não cria um claro conflito de interesses dentro do futuro CC do PESB, sinceramente não sei o que criaria. É que a ONG “MinasVida” foi eleita para representar a sociedade civil organizada, mas dada a evidente proximidade, pelo menos de sua presidente, com a Votorantim Metais.

De toda forma, o que todos os fatos aqui apontados desvelam é uma atuação muito próxima das empresas CBA e Votorantim Metais não apenas na atuação de pelo menos uma prefeitura na área a ser minerada no entorno do PESB, a de Rosário da Limeira. O fato que está atuação também passará a ser  na própria gestão desta unidade de conservação, seja pela atuação direta da CBA ou pela presença de uma ONG “amiga”, no caso a “MinasVida”.

Finalmente, parece-me claro que a visita que o secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania – SEDPAC  do governo de Minas,  Nilmário Miranda realizará na próxima semana ao Frei Gilberto em Belisário poderá levantar ainda mais informações sobre as relações cruzadas que estão marcando o processo que visa ampliar a extração de bauxita na região do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro. E que a partir disso, o governo de Minas seja mais parcimonioso na liberação das licenças ambientais, visto o escabroso caso que se abateu sobre o Rio Doce por causa do TsuLama em Mariana. A ver!

Conflito da mineração em Belisário: Lula entra em campo na questão das ameaças ao Frei Gilberto

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As ameaças a Frei Gilberto levaram Lula a encarregar Dulci (esquerda) de informar-se com Nilmário sobre as providências do governo petista de Minas. (Fotos reprodução Internet) –  Fonte: Blog http://marceloauler.com.br/

Por essa ninguém esperava. Ao ler o blog do jornalista Marcelo Auler, fiquei sabendo que o ex-presidente Lula decidiu arregaçar as mangas e fez um pedido para que o caso das ameaças feitas ao Frei Gilberto em Belisário (MG) seja acompanhado de perto (Aqui!).

A matéria bastante completa de Marcelo Auler sobre este desdobramento da ameaça de morte feito contra o Frei Gilberto informa ainda que secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania – SEDPAC, do governo de Minas, o ex-deputado federal e ex-ministro chefe da Secretaria de Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda, irá visitar a região e manterá contatos “in loco” em Belisário para se inteirar melhor do assunto, e tomar as devidas providências para melhorar a condição da segurança pessoal do Frei Gilberto.

 Como estive ontem (08/03) na região de Belisário pude obter informações interessantes sobre novos desdobramentos do conflito socioambiental em curso por causa das pressões para exploração das reservas de bauxita ali existentes.  Em tempo devido irei tratar destas informações neste blog. Por ora, sugiro a leitura da matéria produzida por Marcelo Auler, pois ela é bastante esclarecedora.

Uma coisa me parece certa: quem ameaçou o Frei Gilberto deu, desculpem-me o trocadilho infame, um verdadeiro tiro pela culatra.

Blog do Pedlowski recebe notificação extra-judicial por noticiar conflito socioambintal em Belisário (MG)

Uma coisa que sempre me deixou curioso ao longo dos quase 6 anos de existência do “Blog do Pedlowski” foi o fato de que apesar de todos os fatos espinhosos que foram abordados, nenhuma notificação judicial ou extra-judicial havia sido produzida contra mim. Eu normalmente atribui essa falta de notificações com o fato de que a audiência atingida era insignificante demais para as corporações se preocuparam em tentar silenciar este blog.

Bom, esse cenário acaba de ser modificado por uma notificação extra-judicial que foi enviada ao endereço do blog pelo prestigioso escritório de advocacia  “Moraes Pitombo Advogados”  em relação à postagem que fiz em relação à ameaça de morte cometida contra o Frei Gilberto Teixeira que atua no Distrito de Belisário em Muriaé (MG) (Aqui!).

Como os leitores do blog poderão observar a partir da leitura da notificação da “Moraes Pitombo Advogafos” que se apresenta na condição de representante legal da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) se baseia em dois aspectos da minha postagem sobre a ameaça de morte cometida contra o Frei Gilberto: 1) que a ameaça não teria ocorrido, já que a CBA teria procurado registros policiais sobre o fato e não teria encontrado qualquer registro, e 2) que eu teria feito referência direta à CBA como sendo partícipe da ameaça que relatei.

Em relação à primeira sustentação da notificação, creio que essa é uma matéria já ultrapassada após a declaração pública da Diocese de Leopoldina registrando a ameaça (Aqui!) e o lançamento de uma nota assinada por 73 entidades igualmente abordando o fato (Aqui!). Em outras palavras, a ameaça não só existiu como foi fortemente repudiada por causa da sua natureza anti-democrática.

Já em relação ao segundo aspecto da notificação, deixo claro que não fiz qualquer referência à CBA como partícipe da ameaça feita ao Frei Gilberto e, inclusive, estranho que essa ligação tenha sido feita por quem diz representar a empresa.

Um aspecto que parece ter fugido à atenção de quem produziu esta notificação extra-judicial é que este blog opera amparado numa ampla rede de contatos que colabotam com materiais que normalmente ainda não chegaram à atenção da mídia corporativa. Além disso, antes de publicar quaisquer postagens relacionadas à conflitos socioambientais, realizo uma verificação direta antes de publicar.  Talvez por isso é que tenha demorado tanto tempo para uma notificação desta natureza aparecer.

O fundamental nesta questão é que o blog já cumpriu e continuará cumprindo o seu papel de informar sobre os conflitos em curso em Belisário, e que a repercussão alcançada já justificou a publicação feita. Além disso, continuarei a abordar os eventuais desdobramentos deste caso da mesma forma com que tenho feito em outros casos, qual seja, de forma documentada e equilibrada, pois só assim manterei o nível de confiança que os leitores deste blog depositam no que aqui é publicado.

Finalmente, continuo prestando toda a minha solidariedade ao Frei Gilberto e aos agricultores do Distrito de Belisário, pois são eles os que precisam ser realmente apoiados nos duros embates que estão conduzindo em defesa de suas formas de organização social e produtiva.

 

Conflito da mineração em Belisário (MG): ameaça de morte a religioso resulta em nota assinada por 73 entidades

A ameaça de morte a um religioso que atua no distrito de Belisário, muncipío de Muriáe (M), que foi noticiada por mim na última 2a. feira (20/02) (Aqui!) está gerando várias repercussões importantes. A primeira foi uma nota da Diocese de Leopoldina a qual o Frei Gilberto Teixeira está ligado (Aqui!) e ainda nesta 6a. feira uma nota assinada por 73 entidades que repudiam de forma clara à ameaça cometida contra ele por seu envolvimento na organização comunitária contra o avanço da mineração em Belisário.

Ao que parece se a intenção foi coagir e calar a luta popular em Belisário, desculpem-me o trocadilho, o tiro saiu devidamente pela culatra.

E, mais uma vez, quero expressar toda a minha solidariedade ao Frei Gilberto, pois vivemos uma conjuntura muito complexa, e precisamos de personagens como ele para organizar comunidades  inteiras que estão hoje sob grave pressão em diferentes partes do Brasil.

 

Frei Gilberto é ameaçado de morte e recebe solidariedade de organizações e movimentos sociais de todo país

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Mais de 70 organizações, movimentos sociais, populares e sindicais assinam nota em solidariedade ao Frei Gilberto Teixeira que foi ameaçado de morte no último dia 19 de fevereiro, em razão de sua atuação contrária a ampliação dos projetos de mineração de bauxita na da Serra do Brigadeiro em Minas Gerais, distrito de Belisário (Muriaé-MG).

Após a celebração de uma missa, Frei Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos e responsável pela Paróquia de Belisário, foi abordado por um homem armado que o ameaçou devido aos seus posicionamentos contrários aos projetos das mineradoras na região.

As organizações signatárias da Nota de Solidariedade repudiam a ameaça e exigem dos órgãos “a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região”. Confira a Nota completa abaixo.

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente por sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Há 20 anos as comunidades e organizações populares do entorno da Serra do Brigadeiro se mobilizam contrárias aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração de bauxita na região, que tem à frente a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim.

Em outubro de 2016, a comunidade de Belisário se manifestou contra a expansão da mineração na região

Nos últimos meses a luta histórica das comunidades se intensificou, principalmente em razão dos projetos que preveem a ampliação da mineração no distrito de Belisário. Essa luta, que é fruto da articulação de vários movimentos, conta com o apoio de Frei Gilberto Teixeira, padre da Paróquia de Belisário.

“O atentado contra o companheiro Frei Gilberto, um padre que se coloca de forma abnegada em defender os direitos das comunidades e construir um projeto justo e sustentável no território da Serra do Brigadeiro, é um sintoma claro de que nossa articulação e lutas contra o capital mineral na região tem avançado de forma acertada. Este episódio, ao invés de nos amedrontar ou enfraquecer, fortalece nossa convicção e certeza de que devemos intensificar a luta pela consolidação da Serra do Brigadeiro como um território livre de mineração”, ressalta Luiz Paulo, da coordenação estadual do MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração, em Minas Gerais.

Em setembro de 2016, a comunidade de Belisário realizou uma Assembleia Popular que debateu os impactos da mineração de bauxita na região, no mês seguinte um ato com a participação de moradores do Distrito reafirmou os anseios da comunidade com a palavra de ordem: Mineração? Aqui Não!

América Latina

A ameaça sofrida por Frei Gilberto Teixeira é retrato do cenário vulnerável das pessoas que atuam em defesa dos direitos humanos. Desde o início de 2017, 14 pessoas defensoras dos direitos humanos foram assassinadas na América Latina. A denúncia é da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos – OEA, que emitiu um comunicado no dia 7 de fevereiro para alertar sobre os números. No informe, a entidade “reitera sua preocupação pelas pessoas defensoras dos direitos à terra e aos recursos naturais, e as pessoas defensoras indígenas e afrodescendentes que continuam enfrentando grandes riscos de violência”.

Por Flávia Quirino/MAM

Nota de solidariedade ao Frei Gilberto e à luta contra a mineração na Serra do Brigadeiro

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente pela sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Dentre as mineradoras que atuam na região, a principal delas é a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que no último período tem intensificado a pressão nas comunidades para a expansão do empreendimento e exploração dos territórios. Apesar da CBA utilizar inúmeras estratégias de má fé para enganar as famílias, as comunidades não têm aceitado a possibilidade da perda de seus modos de vida para um projeto de mineração que nada tem a oferecer ao bem-estar social local. Nesse sentido, diversas organizações, entre movimentos populares, sindicatos, pastorais sociais, grupos religiosos, ONG’s e pesquisadores tem atuado conjuntamente na defesa do território, construindo lutas e fazendo resistência aos intentos dos interesses do capital mineral em saquear o território.

No último período, diversas ações foram realizadas na região da Serra do Brigadeiro para denunciar e repudiar a atuação da CBA. Estas ações têm gerado cada vez mais a ampliação da consciência das comunidades locais sobre os impactos e riscos da chegada deste modelo de mineração e ao mesmo tempo gerado também reações de coação às lutas e, até mesmo, ameaças aos sujeitos envolvidos na defesa do território.

No último domingo, dia 19 de fevereiro, o companheiro Frei Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos do distrito de Belisário (Muriaé – MG), ao finalizar a celebração da missa de domingo foi covardemente abordado por um pistoleiro armado que o ameaçou devido aos seus posicionamentos contrários aos projetos pretendidos pelas mineradoras. O pistoleiro enfatizou em sua abordagem que naquele momento era só um aviso, mas que, se o Frei Gilberto continuasse atuando junto aos movimentos de resistência e se posicionando contra a mineração ele retornaria para matá-lo. Além da ameaça à vida, o pistoleiro ainda sinalizou que Frei Gilberto está sendo monitorado de perto: forneceu informações sobre todas as viagens recentes e ainda sabia conteúdo da fala do Frei em diversos eventos. O que pode significar que o Frei Gilberto está sendo grampeado e seguido em todas suas ações.

Diante do episódio, manifestamos publicamente o repúdio ao tal acontecimento e exigimos dos órgãos responsáveis a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região.

Muriaé – MG, 23 de fevereiro de 2017.

1. Associação Franciscana Santa Maria dos Anjos

2. Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM)

3. Comissão Pastoral da Terra (CPT)

4. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miradouro

5. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão do Monte Alto, Rosário de Limeira e Muriaé

6. Associação de Pequenos Agricultores de Miradouro

7. Levante Popular da Juventude

8. Consulta Popular

9. Instituto Universo Cidadão

10. Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

11. Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST)

12. CRESOL Fervedouro

13. CEIFAR – ZM

14. Comissão de Justiça e Paz

15. Mandato Coletivo e Participativo Deputado Federal Padre João

16. Mandato Deputado Estadual Rogério Correia

17. Mandato Deputado Estadual André Quintão

18. Mandato Vereador de Rosário de Limeira Davi Aparecido de Oliveira

19. Escola Nacional de Energia Popular (ENEP)

20. Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE)

21. Escola Família Agrícola da Serra do Brigadeiro (EFASB)

22. Escola Família Agrícola Puris

23. Escola Família Agrícola Dom Luciano

24. Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (NACAB)

25. Centro Alternativo de Formação Popular Rosa Fortini

26. Cáritas Diocesana de Leopoldina

27. Comitê Estadual (MG) da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

28. FOMENE

29. Rede SAPOQUI

30. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palma

31. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio de Muriaé

32. CASA – Centro de Análise Socioambiental

33. NEA – Núcleo de Estudos em Agroecologia

34. NETTE – Núcleo de Estudos em Educação, Tecnologia e Trabalho

35. Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade (AFES)

36. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

37. Pastoral da Juventude Rural (PJR)

38. Projeto de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens e Mineração (PACAB)

39. CUT – MG

40. Sindute – MG

41. Grupo Rede Congonhas

42. Unaccon – União das Associações Comunitárias de Congonhas

43. Marcelo Leles Romarco de Oliveira, professor Dr. do DER-UFV e Coordenador do projeto de Assessoria a Comunidades Atingidas por Barragens e Mineração-PACAB

44. Programa de Extensão Mineração do OuTro: Programa Marxista de cultura e Crítica Social’

45. Kathiuça Bertollo – Professora da UFOP

46. Fonasc – Fórum Nacional de Solidariedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas

47. Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia – Sinfrajupe

48. Serviço SVD de Jupic

49. GESTA – Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais – da UFMG

50. GEPSA/UFOP (Grupo de Estudos e Pesquisas Sociambientais da UFOP)

51. Rede Ambiental do Piauí-REAPI

52. REAJA – Rede de Articulação e Justiça Ambiental dos Atingidos Projeto Minas-Rio

53. Brigadas Populares

54. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular

55. IBEIDS – Instituto brasileiro de Educação Integração e Desenvolvimento Social

56. Observatório dos Conflitos no Campo (OCCA)/UFES

57. Rede Justiça nos Trilhos

58. IBASE

59. Fórum Mudanças Climáticas

60. Justiça Social

61. Comissão Pró-Índio de São Paulo

62. Associação Alternativa Terrazul

63. FBOMS – Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais para o Meio

64. Rede Igrejas e Mineração

65. Justiça Global

66. Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração

67. Grupo Tortura Nunca Mais (Bahia)

68. CDDH da Serra – ES

69. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH

70. Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos – CBDDH

71. Justiça Global

72. Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos

73. Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS)

FONTE: https://www.facebook.com/notes/mam-movimento-pela-soberania-popular-na-minera%C3%A7%C3%A3o/frei-gilberto-%C3%A9-amea%C3%A7ado-de-morte-e-recebe-solidariedade-de-organiza%C3%A7%C3%B5es-e-movim/1480190332023529

Diocese de Leopoldina emite comunicado sobre ameaça a religioso que defende pequenos agricultores em Muriaé

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Na última segunda-feira (20/02) publiquei uma postagem sobre ameaças de morte que foram cometidas no Distrito de Belisário que é parte do município de Muriaé (Aqui!). Pois bem, no dia de hoje  Dom José Eudes Campos do Nascimento , Bispo da Diocese de Leopoldina, e o Chanceler do Bispado, Pedro Lopes  Lima, assinaram uma nota sobre esse atentado contra o Frei Gilberto, a qual segue logo abaixo.

Considero esse posicionamento público da Diocese de Leopoldina muito importante, pois as ameaças se dão num contexto de fortes tensões que marcam a tentativa de impor a mineração de bauxita sobre unidades de conservação e pequenas propriedades familiares que hoje tornam o Distrito de Belisário em um espaço singular de preservação da Mata Atlântica e de importantes serviços ambientais, a começar pela manutenção da capacidade hídrica em toda aquela região.

Ao Frei Gilberto toda a solidariedade e à Diocese de Leopoldina o aplauso por essa medida tão cristinalina de proteger um dos seus.  

Abaixo um vídeo onde Frei Gilberto dá explicações sobre a luta que a comunidade Belisário vem realizando contra a destruição do seu modo de vida, o que fatalmente ocorrerá com a realização de atividades de mineração de bauxita naquele santuário ecológico.

ATENTADO A FREI GILBERTO

Publicado por 
Autor:Pedro Lopes

No último dia 19 de fevereiro, domingo, o nosso querido Frei Gilberto Teixeira, Administrador Paroquial da Paróquia de Santo Antônio, em Belisário, distrito de Muriaé, sofreu um atentado por ameaça de morte, com a exibição de arma de fogo. Foi abordado quando, encerrada a missa dominical com sua comunidade, entrou, sozinho, na casa paroquial. O bandido fez questão de lhe informar que o acompanha em todos os seus atos e movimentos, nos últimos tempos. Impôs-lhe que se calasse em todos os pronunciamentos sobre os direitos dos seus paroquianos, para não ser morto. E que era o último aviso.

Frei Gilberto, em sua função missionária, como deve ser, vem prestando  assistência e apoio aos pequenos agricultores de sua comunidade, na luta contra a espoliação de suas terras e a degradação das áreas de lavouras familiares. Em nosso País, como temos assistido com muita dor, os ditos “grandes empreendimentos” não suportam argumentação que contrarie seus planos, sabedores de que sempre sairão vitoriosos. Pelo que, ignoram qualquer bem-estar ou direito dos fracos. Se entender necessário, desprezam até mesmo a vida humana dos contraditores.  Irmã Dorothy é uma das nossas mais recentes e dolorosas memórias…

Diante deste monstruoso atentado, a Diocese de Leopoldina não pode nem vai se calar, enquanto a questão for a segurança, o direito e o bem-estar de nosso Clero e das nossas comunidades. Frei Gilberto fazia o que toda a nossa Diocese faz e fará sempre. Temos compromisso com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua milenar opção pelos mais sem-voz e sem-vez e, nestes últimos tempos, acompanhando o Santo Padre, o Papa Francisco, no “Cuidado com a Casa Comum”, na recomendável leitura de sua Carta “Laudato SÌ”. A vida de nosso povo e o meio-ambiente saudável não são questão secundária para a nossa Igreja. “Que todos tenham vida e a tenham em abundância” – como o Senhor Jesus proclamou.

Tornamos público que todas as medidas necessárias à segurança pessoal de Frei Gilberto estão sendo tomadas e que as autoridades foram devidamente acionadas para que se investigue e que o autor, e o mandante se for o caso, sejam criminalmente responsabilizados.

Assim, esperamos que o mandante retire suas sentenças e que as autoridades constituídas venham em socorro imediato daquelas comunidades, para que se assegurem os sagrados direitos às suas pequenas propriedades, à proteção aos saudáveis e ricos mananciais de água potável de extraordinária qualidade que ali nascem. E, por fim, que os serviços de evangelização e expressões religiosas não venham  jamais  ser amordaçados. E que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!

 Leopoldina,23 de fevereiro de 2017

Dom José Eudes Campos do Nascimento  – Bispo Diocesano

Pedro Lopes  Lima – Chanceler  do Bispado