Depois de termos uma 6a. feira que mais pareceu uma pantomima mal enjambrada dada a crise mais do que anunciada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, creio que podemos voltar a abordar os resultados do trágico avanço da pandemia da COVID-19 que continua se espraiando desde os grandes centros metropolitanas até o interior do Brasil.
Para não ficar apenas no plano teórico, mostro a situação atual da pandemia entre os 11 países mais afetados pelo coronavírus, chamando a atenção para o número oficial de óbitos do Brasil que agora é de 3.963 óbitos, o que torna o Brasil o 10.o colocado em termos de pessoas que morreram em decorrência da infecção.
Em grupos de negacionistas da pandemia, o número de mortos pela COVID-19 é comumente desprezado, pois outras causas matariam mais, e tudo o que está sendo dito pelo coronavírus seria, digamos, exagerado. Entretanto, este desprezo não possui base real. É que, segundo dados oficiais para o estado de São Paulo, o novo coronavírus pode ser consideradoa quinta causa mais letal, superando todo os tipos de câncer, dos acidentes de transporte, da diabetes e de doenças por hipertensão.
E é preciso lembrar que neste momento há uma forte subnotificação de casos de infecção de coronavírus em uma ordem que não foi corretamente estimada, já que o Brasil continua com o pior nível de testagem dentre os países que estão sendo mais impactados pela pandemia. Eu já li e ouvi acerca de vários estimativas, variando na ordem de 7 a 100 casos não notificados para cada caso oficializado como COVID-19.
Uma das formas que tem sido utilizada para estimar as taxas reais de letalidade da COVID-19 é verificar o número de pessoas mortas por insuficiência respiratória (a chamada Síndroma Respiratória Aguda Grave – SRAG) que explodiu em 2020 em relação a anos anteriores, o que levado a vários especialistas médicos a apontar que essa diferença está diretamente ligada às infecções pelo novo coronavírus.
O problema é que os números persistentemente baixos de testes realizados no Brasil impedem uma estimativa mais próxima se já chegamos próximos do ponto de achatamento da curva das mortes ou não. O mais provável é que ainda estejamos na fase dedisseminação comunitária do vírus, muito em parte por causa das pressões realizadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados patronais contra as medidas de isolamento social que foram adotadas por governadores e prefeitos.
Desta forma, me parece crucial que haja uma priorização das questões que estão postas para os brasileiros neste momento. A prioridade é e continuará sendo impedir que o Brasil se torne o próximo epicentro mundial da pandemia do coronavírus. Mas para impedir que o pior aconteça, vai ser preciso não apenas ampliar as medidas de contenção sanitária da dispersão do coronavírus, mas também os mecanismos de suporte aos segmentos mais pobres da população onde a pandemia está fincando raízes neste momento. Ainda que tenhamos exemplos interessantes de auto-organização das comunidades como nos casos de Paraisópolisem São Paulo e noSanta Marta no Rio de Janeiro, é preciso que haja uma coordenação desses esforços, já que sozinhas essas comunidades não terão como fazer frente à pandemia.
Muito se fala sobre os mecanismos de diálogo com a população, de modo a quebrar a inércia política em que o país está imerso. Pois bem, para que haja a quebra da inércia, as pessoas vão ter que estar vivas após a pandemia. Assim, impedir a explosão descontrolada da COVID-19 é a principal, e talvez única, prioridad que todos os democratas deveriam ter neste momento no Brasil. As querelas palacianas, convenhamos, podem esperar.
Em meio ao crescimento do número de infectados e mortos pelo coronavírus, os cientistas e o tipo de conhecimento que eles geram voltaram subitamente ao centro das atenções, como se ambos representassem a possibilidade de algum tipo de salvação mágica para acabar com um vírus que se mostra altamente letal, e capaz de cruzar fronteiras geográficas como incrível letalidade.
Curiosamente quando a maioria dos analistas se reporta à importância do conhecimento científico há a tendência clara de se privilegiar aqueles cientistas que se ocupam de estudar o vírus e seus mecanismos de proliferação e, obviamente, com uma preferência ainda maior com aqueles que estão buscando o desenvolvimento de drogas que consigam, senão eliminar o vírus, mas pelo menos minimizar seus impactos.
Essa preferência é obviamente míope, pois se nesta equação não forem incluídos outros ramos das ciências, especialmente o das ciências sociais, ficaremos como um cachorro rodando atrás do próprio rabo. É que o novo coronavírus é, acima de tudo, uma expressão objetiva de como as formas dominantes de exploração dos sistemas naturais são indutoras dessa pandemia e de outras que ainda virão, caso não haja uma forte correção de rumos.
Tomemos o caso do Brasil que no meio desta pandemia é palco do aprofundamento do “business as usual” com a aprovação de dezenas de agrotóxicos altamente perigosos, o avanço do desmatamento na Amazônia, e também a ameaça de rompimento de barragens de rejeito de mineração. Todos esses desdobramentos são indutores de mais degradação ambiental e de fragilização do sistema imunológico da população brasileira. Mas centrados apenas na COVID-19, esses agravantes socioambientais passam despercebidos, facilitando a disseminação da pandemia. Em outras palavras, o conhecimento que se precisa é do tipo “dialético”, pois estamos imersos em uma totalidade que se mostra de forma avassaladora.
Por outro lado, o tipo de cientista que melhor responderá ao conjunto de necessidades que essa totalidade em que o coronavírus está posto acaba gerando. Obviamente precisamos entender os mecanismos de funcionamento e dispersão do coronavírus, mas só isso não nos oferecerá os caminhos para superar a pandemia que ele gerou. Nesse sentido, o cientista que precisamos é um que entenda para além do ambiente dos laboratórios, e que possa ser capaz de entender as condições do mundo em que a pandemia está se disseminando.
Um problema para que esse cientista totalizante apareça é a profunda domesticação do pensamento científico dentro de uma ordem em que métricas e fatores de indexação se tornaram mais importante do que o próprio método científico. A verdade é que neste exato momento existem aqueles que acreditam que o seu papel como cientista é apenas se preparar para publicar um artigo em alguma revista com grande fator de impacto, sem que se saiba se alguém estará vivo para poder ler a publicação. Certamente não é desse cientista “paper driven” que o mundo precisa neste momento. O duro será convencer aqueles que se proclamam como “ratos de laboratório” para fugir de suas responsabilidades societárias de que ciência e cientista não são necessariamente demonstrados pela quantidade de artigos que se publica nesta ou naquela revista científica.
Mas vejo motivos para pensar que existe luz no fim do túnel quando me lembro que há poucos dias aAcademia Brasileira de Ciências (ABC) iniciou a realização de uma série de “webminários” cuja tônica é justamente o da necessidade urgente de uma modelo totalizante de produção científica que olhe a pandemia da COVID-19 sob os múltiplos ângulos que seu enfrentamento demanda. O importante é que como no caso da ABC, outras instituições e pesquisadores estão realizando debates online seguindo essa via de reflexão sobre o papel da ciência e dos cientistas. Se esse caminho for mantido, é bem provável que estaremos abrindo um novo e importante caminho para posicionar a ciência e os cientistas brasileiros a uma posição em que suas contribuições não poderão ser ignoradas.
Diga o que se disser do governo Bolsonaro, mas uma coisa é certa: a sua agenda de retrocessos em direitos sociais e trabalhistas continua indo tal qual uma faca quente em margarina dormida fora do refrigerador. O último grande “gol” da agenda ultraneoliberal do presidente Jair Bolsonaro foi a aprovação pela Câmara de Deputados, sob a liderança de Rodrigo Maia (DEM/RJ) da Medida Provisória 905 que altera para pior a já esfrangalhada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). que é propagandeada sob a esperta fachada da “Carteira Verde e Amarela”.
Entre outras regressões impostas a quem adotar a “Verde e Amarela” está a perda do 13o. salário e do proporcional de férias, bem como acabou com o pagamento do adicional de periculosidade aos trabalhadores que realizam funções que colocam suas vidas em risco. Mas os ataques são ainda mais amplos, envolvendo ainda a diminuição das multas por demissão. Já os patrões ganham uma série de benefícios que incluem a ampliação da desoneração fiscal.
O fato é que sob o véu protetor da pandemia da COVID-19, o congresso nacional está impondo não apenas a piora das condições de trabalho, mas uma uma brutal diminuição da massa salarial, impondo um empobrecimento ainda maior aos trabalhadores brasileiros. Tudo isso sob a desculpa de criar novos empregos, esquecendo-se apenas de mencionar que os mesmos são ainda mais precarizados, e contribuirão para o aumento da rotatividade de trabalhadores, na medida em que pelo menos 25% da força de trabalho poderá ser contratada com esse novo padrão degradado em termos salariais e de direitos trabalhistas.
Algo que precisa ser destacado é a completa ausência das centrais sindicais de qualquer ação objetiva para pressionar a Câmara de Deputados contra a aprovação de mais essa dilapidação de direitos trabalhistas. Como já ocorreu em outras “reformas”, as principais sindicais brasileiras se mantiveram omissas, facilitando a vida da base do governo Bolsonaro dentro da Câmara Federal. Essa omissão das centrais sindicais é especialmente grave, pois, neste exato momento, milhões de trabalhadores brasileiros estão sendo forçados a trabalhar enquanto grassa no país uma pandemia letal.
A minha avaliação é que na ânsia de atacar os direitos dos trabalhadores, as elites brasileiras ainda não se aperceberam que o mundo será outro após a passagem do pico da pandemia da COVID-19. Basta ver as medidas que uma série de governos das economias centrais já está adotando para verificar que o modelo neoliberal está fadado ao abandono em favor de políticas econômicas que favoreçam o mercado interno. Enquanto isso, aqui no Brasil o que se está operando é uma diminuição ainda maior dos que poderão consumir até no mínimo das suas necessidades. Em outras palavras, ao enxugar ainda mais salarial, os capitalistas brasileiros estão gerando uma população incapaz de consumir. Não é preciso ser um gênio da economia para dizer que todo este ataque não apenas não gerará empregos, como ampliará gravemente a recessão em que a economia já estava imersa antes da eclosão da pandemia da COVID-19.
Mas, enfim, a escolha que está sendo feita pelas elites é por mais arrocho e degradação das condições de vida dos trabalhadores. Resta saber como se comportará a classe trabalhadora em face desses ataques impiedosos em tempos de pandemia.
Venho há algum tempo tentando transformar parte do quintal da casa onde moro em um pequeno experimento de agricultura orgânica urbana. Como qualquer experimento, tenho tido muitas alegrias e tristezas. As tristezas ficam por conta da minha decisão de não usar qualquer tipo de agrotóxico nas plantas, o que rende o aparecimento de todo tipo de predador, incluindo caramujos, joaninhas e fungos.
Entretanto, também tenho grandes alegrias ao ver algumas das plantas convivendo com os predadores e crescendo para oferecer frutos que certamente farão a minha alegria e de outros que eu presentearei quando a colheita finalmente vier.
Abaixo 4 exemplares das combinações que venho fazendo, e que demonstram que não há pedaço de terra que não possa produzir comida saudável, desde que haja paciência e cuidados mínimos. Como se vê, estou próximo de uma bela colheita de mamão orgânico, o que certamente já será uma grande alegria.
No quadro acima e no sentido anti-horário: Mamão, aipim, pitanga e alfavaca.
Se há algo que essa situação de pandemia do coronavírus me mostra é que no futuro que nos aguarda será fundamental que saibamos cuidar da Terra para que ela siga nos sustentando dentro de um modelo em que saibamos conviver com todas as formas de vida que nos rodeiam. Do contrário, será uma pandemia depois da outra. Simples assim!
O Brasil sofre neste momento com o crescimento da pandemia causada pelo coronavírus e as próximas semanas deverão ser marcadas por uma quantidade imensa de enterros e cremações, muito em parte pela omissão das forças políticas e instituições em face da postura negacionista que emana do presidente Jair Bolsonaro.
Mas que ninguém pense que o fim da atual pandemia nos permitirá respirar aliviados, pois as informações que nos chegam da Amazônia é que em 2020 será quebrado um recorde no número de áreas novas que passarão por um processo de corte raso das florestas nativas.
Se alguém tiver dúvida disso é só olhar com cuidado a animação abaixo que mostra valores bastante altos para desmatamento para os primeiros meses de 2020 em que ocorrem chuvas contínuas na maior parte da bacia Amazônica.
Antes que alguém pense que isto ocorre por meio de indivíduos que operam à margem da lei, eu diria que os grandes desmatadores amazônicos são normalmente dotados de grandes quantidades de capital que lhes permite comprar máquinas e ferramentas com as quais podem desmatar rapidamente grandes extensões de floresta.
Como o ciclo do desmatamento é seguido pelo das queimadas, a minha previsão é que passado o período chuvoso, o Brasil voltará às manchetes mundiais por causa das grandes extensões de terra que emitirão grossas camadas de fumaça, que anularão todos os ganhos eventuais que estão feitos com a redução das emissões urbano-industriais que vem acompanhando a evolução da COVID-19.
A minha suspeita é que um ambiente de alta intolerância está sendo criado em muitos países contra o Brasil por causa da forma irresponsável que o presidente Jair Bolsonaro vem tratando da pandemia da COVID-19. Assim, quando as grandes queimadas começarem a revelar o avanço massivo da franja de desmatamento em áreas anteriormente praticamente livres da ação de madeireiros e garimpeiros, é bem provável que o nosso país sofra um isolamento ainda maior do que já está sofrendo. O resultado disso será o aumento da crise econômica e do desemprego.
Documento elenca ações que devem ser executadas pelas prestadoras de serviços públicos de saneamento básico
Diante da pandemia da Covid-19, é indispensável reconhecer que a disponibilidade de água potável pode ser uma barreira para a contenção da doença no país, uma vez que parte significativa da população brasileira não dispõe desse acesso de forma contínua e segura.
Nesse contexto, o ONDAS – Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento – divulgou documento (carta sociedade brasileira) que demanda do poder público, incluindo reguladores e prestadores de serviços públicos de saneamento básico, a implementação de 10 medidas emergenciais e estratégicas para minimizar impactos da “crise do novo coronavírus” à população mais vulnerável.
A Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, por meio do Grupo de Trabalho Água, Saneamento e Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção de Saúde, subscreve as 10 medidas emergenciaise ressalta que elas “devem ser norteadoras de Planos de Contingência e Emergência, a serem executados pelas prestadoras de serviços públicos de saneamento básico, sob determinação e apoio das instâncias municipais, estaduais e federal do poder público”.
Também o Relator Especial dos Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário da ONU, Leo Heller, destaca a importância das medidas e faz um alerta: “A Carta Aberta do ONDAS traz uma oportuna e fundamental advertência: a pandemia do Covid-19 impõe novas responsabilidades para os prestadores de serviços de saneamento. Caso esses prestadores, sejam estaduais, municipais ou privados, continuem a agir como em tempos normais, deixarão de proteger a vida das pessoas em maior vulnerabilidade. É momento de o Brasil se aproximar dos direitos humanos à água e ao saneamento.”
As 10 medidas emergenciais
As medidas abrangem aspectos de saúde pública e econômicos, que vão desde a suspensão no corte de fornecimento de água por inadimplência ao cancelamento das manobras de redução da pressão de redes de água que abastecem comunidades, favelas e periferias, passando por políticas públicas para assegurar o abastecimento de água, esgotamento sanitário e disponibilidade de equipamentos para higiene pessoal em asilos, residências comunitárias, presídios e população em situação de rua.
Os especialistas do ONDAS enfatizam que, em termos de saúde pública, não existe uma linha que separe os setores mais vulneráveis dos demais, ou seja, o impacto diferenciado da crise em grupos mais vulneráveis afeta indistintamente toda a sociedade, sendo a prevenção de interesse geral.
Em várias cidades brasileiras a população vem acorrendo às lotéricas e agências bancárias em grandes números, fato esse que está fartamente ilustrado em jornais e redes sociais. Apesar de todas essas aglomerações, não se vê na maioria das cidades nenhuma ação do estado (em qualquer esfera que seja) para educar a população e disciplinar o acesso aos serviços que continuam funcionando.
Não bastasse isso, diversos governadores (Wilson Witzel (RJ) e Romeu Zema (MG), como exemplos) estão agindo para flexibilizar (na verdade relaxar) decretos anteriores para permitir a abertura do comércio em cidades que estejam com um número oficial de casos de COVID-19. Além disso, a entrega dos recursos aprovados pelo congresso nacional para auxiliar a parte mais prejudicada da classe trabalhadora está se dando de forma claramente vagarosa, o que contribui para a saída às ruas das pessoas em busca de algum ganho que lhes permita comprar um mínimo de alimentos para não passar fome.
Multidão caminha pelas ruas do centro de São Paulo no dia 06 de abril.
Toda essa situação ocorre em meio ao aumento do número oficial de pessoas contaminadas pelo COVID-19, aumento esse que também está se estendendo ao número oficial de pessoas falecidas como consequência dessa infecção.
Número de infectados pelo COVID-19 até o dia 07 de abril mostra curva em ascendência acelerada.
O fato é que no momento exato em que as curvas de contaminados e mortos pelo COVID-19 estão dando sinal de aumento explosivo, os governantes estão abrindo as portas do comércio. Para entender que isso nos levará a uma catástrofe sanitário não é preciso ser cientista, pois é só usar o senso comum para ver que exatamente isto o que ocorrerá.
E para quê abrir o comércio e flexibilizar a forma de milhões de brasileiros de trabalhar sem que seja sequer fornecido o material necessário para os profissionais de saúde trabalharem em um nível mínimo de segurança? Essa é a questão que deveria estar sendo feita, pois a verdade é que o Brasil está flertando neste momento com o genocídio das parcelas mais pobres da sua população.
E como bem disse o neurocientista Miguel Nicolelis: ‘Temos de convencer as pessoas da letalidade do inimigo’, pois o principal a fazer no momento é manter o isolamento social: “Estamos num estado de guerra. O mundo que a gente conhecia desabou”. Simple assim!
Um dos meios de se abafar um determinado problema é chamá-lo por outro nome. E esse parece ser exatamente o caminho que os governantes brasileiros estão escolhendo para achatar artificialmente a curva do número de mortes pelo coronavírus (a.k.a. COVID-19).
É que os dados oficiais estão registrando, e a mídia corporativa noticiando de forma não relacional, o aumento explosivo da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em meio à pandemia da COVID-19, como se uma coisa não tivesse muito a ver com a outra, quando tem.
Vejamos por exemplo, os dados de SRAG que foram compilados pelo jornal “O POPULAR” que é publicado em Goiânia para o período de 2016 a 2020 (que mal chegou a abril) que demonstram um aumento explosivo para essa condição no estado de Goiás.
Fonte: O Popular
Ainda que a SRAG possa ser causada por diversos tipos de vírus, o fato é que, neste momento, o número acachapante de casos em meio à pandemia do COVID-19 deveria servir para que providências mais severas fossem tomadas para se testar de forma célere os pacientes para se determinar qual agente infeccioso foi responsável por causar a condição. Mas até onde se sabe, não é isso que está ocorrendo e muitos estão sendo enterrados sem que os testes estejam sequer sendo realizados.
Por isso é que cresce a taxa de subnotificação e, por consequência, o risco de que o Brasil se torno o próximo epicentro global do COVID-19. Enquanto isso, os números da SRAG poderão continuar sendo contabilizados, como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra.
Coronavírus: Ponta Grossa restringe circulação de pessoas em supermercados
Durante transmissão ao vivo em rede social, prefeito Marcelo Rangel (PSDB) anunciou ainda que vai normalizar horários do transporte coletivo. Cidade tem cinco casos da Covid-19.
A Prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, publicou neste domingo (5) um decreto que restringe a circulação de pessoas em supermercados por causa do novo coronavírus. Fiscais da prefeitura estarão nos estabelecimentos a partir desta segunda-feira (6).
Segundo a prefeito, Ponta Grossa tem cinco casos confirmados da Covid-19, sendo quatro recuperados. No estado, a Secretaria Estadual de Saúde já confirmou 445 casos e 10 mortes.
Com o decreto, a circulação nos supermercados deverão seguir as seguintes regras:
Alocar funcionários para fornecer a higienização com álcool em gel aos clientes na entrada do estabelecimento;
Demarcar espaços com 1,5 metro em locais em que possa haver filas e aglomerações;
Disponibilizar a todos os empregados máscaras, luvas e álcool em gel
Manter higienização do local
Durante a transmissão, o prefeito Marcelo Rangel (PSDB) disse que a medida foi tomada após movimento “abusivo” de pessoas nos estabelecimentos durante o fim de semana.]
Supermercados que descumprirem com a medida poderão ser fechados e multados, conforme o decreto. O supermercado será imediatamente fechado em caso de descumprimento de alguma regra e uma multa poderá ser aplicada. O valor da sanção é de 5.000 Valores de Referência, de R$ 81,11, o que dá R$ 405.550.
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Postagem escrita com textos obtidos dos sites UOL e G1 [Aqui!] e [Aqui!].
O principal perigo que enfrentamos é considerar o novo coronavírus como um fenômeno isolado, sem história, sem contexto social, econômico ou cultural.
“Não vamos voltar ao normal. Normal era o problema.”
Por Ángel Luís Lara para o El Diário
1. Em outubro de 2016, os leitões das fazendas da província de Guangdong, no sul da China, começaram a adoecer com o vírus da diarréia epidêmica dos suínos (PEDV), um coronavírus que afeta as células que revestem o intestino delgado dos porcos. Quatro meses depois, no entanto, os leitões pararam de dar positivo para o PEDV, apesar de continuarem doentes e morrendo. Conforme confirmado pela investigação, era um tipo de doença nunca vista antes e que foi batizada como Síndrome da Diarréia Suína Aguda (SADS-CoV), causada por um novo coronavírus que matou 24.000 leitões até maio de 2017, precisamente na mesma região em que o surto de pneumonia atípica conhecido como “SARS” havia surgido treze anos antes.
Em janeiro de 2017, quando a epidemia de suínos na região de Guangdong estava em pleno andamento, vários pesquisadores de virologia dos EUA publicaram um estudo na revista científica “Virus Evolution” que identificou os morcegos como a maior reserva animal de coronavírus no mundo. As conclusões da pesquisa realizada na China sobre a epidemia de Guangdong coincidiram com o estudo americano: a origem do contágio estava localizada precisamente na população de morcegos da região. Como uma epidemia de suínos pode ser desencadeada por morcegos? O que os porcos têm a ver com esses pequenos animais alados? A resposta veio um ano depois, quando um grupo de pesquisadores chineses publicou um relatório na revista Nature, no qual, além de apontar para o país deles como um foco proeminente do aparecimento de novos vírus e enfatizar a grande possibilidade de seus transmissão aos seres humanos, eles apontaram que o aumento das macro-fazendas de gado alterara os nichos de vida dos morcegos. Além disso, o estudo mostrou que a pecuária industrial intensiva aumentou as chances de contato entre animais silvestres e animais criados em fazendas industriais, desencadeando o risco de transmissão de doenças causadas por animais silvestres cujos habitats estão sendo dramaticamente afetados pelo desmatamento. Entre os autores deste estudo está Zhengli Shi, pesquisador principal do Instituto de Virologia de Wuhan, cidade onde se originou o atual COVID-19, cuja cepa é 96% idêntica ao tipo de coronavírus encontrado em morcegos por meio de análise genética.
Técnicos de saúde animal avaliam leitões em fazenda chinesa para possível contaminação pelo vírus da diarréia epidêmica dos suínos (PEDV).
2. Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Mundial de Saúde Animal (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), notaram o aumento de a demanda por proteína animal e a intensificação de sua produção industrial como principais causas do surgimento e disseminação de novas doenças zoonóticas desconhecidas, ou seja, de novas patologias transmitidas pelos animais aos seres humanos. Dois anos antes, a organização de bem-estar animal Compassion in World Farming publicou um relatório interessante sobre o assunto. Para sua elaboração, a entidade britânica utilizou dados do Banco Mundial e das Nações Unidas sobre a indústria pecuária, que foram cruzados com relatórios sobre doenças transmitidas pelo ciclo mundial de produção de alimentos. O estudo concluiu que a chamada “revolução da pecuária”, isto é, a imposição do modelo industrial de agricultura intensiva ligada às macro-produções estava gerando um aumento global de infecções resistentes a antibióticos, além de arruinar pequenos agricultores locais e promover o crescimento de doenças transmitidas por alimentos de origem animal.
Em 2005, especialistas da OMS, da Organização Mundial de Saúde Animal, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Conselho Nacional de Suínos dos EUA prepararam um estudo no qual eles traçaram a história da produção animal desde o modelo tradicional de pequenas propriedades familiares até a imposição de macro-propriedades industriais de confinamento. Entre suas conclusões, o relatório apontou que um dos principais impactos do novo modelo de produção agrícola é a incidência na amplificação e mutação de patógenos, bem como o aumento do risco de propagação de doenças. Além disso, o estudo apontou que o desaparecimento dos modos tradicionais de criação de animais em favor de sistemas intensivos estava ocorrendo a uma taxa de 4% ao ano, especialmente na Ásia, África e América do Sul.
Apesar dos dados e dos pedidos de atenção, nada foi feito para interromper o desenvolvimento da agricultura industrial intensiva. Atualmente, China e Austrália concentram o maior número de macro-fazendas do mundo. No gigante asiático, a população de animais praticamente triplicou entre 1980 e 2010. A China é o mais importante produtor de gado do mundo, concentrando em seu território o maior número de “sistemas sem terra”, operações de macro-pecuária nas quais Eles amontoam milhares de animais dentro de casa. Em 1980, apenas 2,5% do gado existente na China foi criado neste tipo de fazendas, enquanto em 2010 ele já cobria 56%.
Como lembra Silvia Ribeiro, pesquisadora do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), uma organização internacional focada na defesa da diversidade cultural e ecológica e dos direitos humanos, a China é a fábrica do mundo. A crise desencadeada pela atual pandemia causada pelo COVID-19 apenas revela seu papel na economia global, particularmente na produção industrial de alimentos e no desenvolvimento da pecuária intensiva. Somente a mega fazenda de Mudanjiang City, uma macro-fazenda localizada no nordeste da China, que abriga cem mil vacas cuja carne e leite são destinados ao mercado russo, é 50 vezes maior que a maior fazenda de corte da União Europeia.
Uma das maiores fazendas de produção de leite no mundo – Mudanjiang City, China.
3. Epidemias são o produto da urbanização. Quando cerca de 5.000 anos atrás, os humanos começaram a se agrupar em cidades com densidade populacional, as infecções conseguiram afetar simultaneamente um grande número de pessoas e seus efeitos fatais se multiplicaram. O perigo de pandemias como a que hoje nos afeta surgiu quando o processo de urbanização da população se tornou global. Se aplicarmos esse raciocínio à evolução da produção pecuária no mundo, as conclusões serão realmente perturbadoras. No espaço de 50 anos, a pecuária industrial “urbanizou” uma população animal que antes era distribuída entre pequenas e médias fazendas familiares. As condições de superlotação dessa população em macro-fazendas tornam cada animal um tipo de laboratório potencial para mutações virais que podem causar novas doenças e epidemias. Essa situação é ainda mais perturbadora se considerarmos que a população global de animais é quase três vezes maior que a dos seres humanos. Nas últimas décadas, alguns dos surtos virais de maior impacto foram causados por infecções que, cruzando a barreira das espécies, se originaram na pecuária intensiva.
Michael Greger, pesquisador americano de saúde pública e autor do livro “Gripe aviária: Um vírus de nossa própria incubação”, explica que antes da domesticação de aves há cerca de 2.500 anos, a gripe humana certamente não existia. Da mesma forma, antes da domesticação do gado, não há registro da existência de sarampo, varíola e outras infecções que afetaram a Humanidade desde que apareceram em currais e estábulos por volta de 8.000 a.C. Quando as doenças atravessam a barreira das espécies, elas podem se espalhar entre a população humana, causando conseqüências trágicas, como a pandemia desencadeada por um vírus da influenza aviária em 1918, e que em apenas um ano terminou a vida entre 20 e 40 milhões pessoas.
Como explica o Dr. Greger, as condições insalubres nas trincheiras lotadas durante a Primeira Guerra Mundial não estão apenas entre as variáveis que causaram a propagação rápida da doença em 1918, mas estão sendo replicadas hoje em muitas das fazendas de gado que se multiplicaram nos últimos vinte anos com o desenvolvimento da pecuária industrial intensiva. Bilhões de galinhas, por exemplo, são criadas nessas macro-fazendas que funcionam como espaços lotados capazes de gerar uma tempestade viral perfeita. Desde que a pecuária industrial se estabeleceu no mundo, os anuários de medicamentos estão coletando doenças anteriormente desconhecidas a uma taxa incomum: nos últimos trinta anos, mais de trinta novos patógenos humanos foram identificados, a maioria deles vírus zoonóticos não publicados, como a atual COVID-19.
4. O biólogo Robert G. Wallace publicou um livro importante em 2016 para traçar a conexão entre os padrões da produção agrícola capitalista e a etiologia das epidemias que surgiram nas últimas décadas: grandes fazendas produzem grandes gripes. . Há alguns dias, Wallace concedeu uma entrevista à revista alemã Marx21, na qual enfatiza uma idéia-chave: concentrar ações contra a COVID-19 na implantação de medidas de emergência que não combatam as causas estruturais da pandemia constitui um erro de conseqüências dramáticas. O principal perigo que enfrentamos é considerar o novo coronavírus como um fenômeno isolado.
Como explica o biólogo americano, o aumento de incidentes virais em nosso século, bem como o aumento de sua periculosidade, está diretamente ligado às estratégias comerciais das empresas agrícolas, responsáveis pela intensa produção industrial de proteína animal. Essas empresas estão tão preocupadas com o benefício econômico que assumem como um risco lucrativo a geração e a disseminação de novos vírus, externalizando os custos epidemiológicos de suas operações para animais, pessoas, ecossistemas locais, governos e, como estão colocando da atual pandemia, ao próprio sistema econômico mundial.
Apesar de a origem exata do COVID-19 não ser totalmente clara, tanto os porcos de macro-fazendas quanto o consumo de animais silvestres são indicados como uma possível causa do surto viral, essa segunda hipótese não nos distancia dos efeitos diretos da produção agrícola intensiva. O motivo é simples: a indústria pecuária é responsável pela epidemia de gripe suína africana (ASF) que devastou as fazendas de suínos chinesas no ano passado. Segundo Christine McCracken, analista de proteína animal da multinacional financeira holandesa Rabobank, a produção chinesa de carne suína poderia ter caído 50% no final do ano passado. Considerando que, pelo menos antes da epidemia de ASF em 2019, metade dos porcos do mundo foram criados na China, as conseqüências para o fornecimento de carne de porco estão se mostrando dramáticas, principalmente no mercado asiático. É precisamente essa redução drástica no suprimento de carne de porco que teria motivado um aumento na demanda de proteína animal da fauna silvestre, uma das especialidades do mercado da cidade de Wuhan que alguns pesquisadores identificaram como epicentro do Surto de COVID-19.
5. Frédéric Neyrat publicou em 2008 o livro Biopolitique des catastrophes (Biopolítica das catástrofes), termo que define uma maneira de gerenciar riscos que nunca questiona suas causas econômicas e antropológicas, precisamente a modalidade de comportamento dos governos, elites e uma parte significativa da população mundial em relação à atual pandemia. Na proposta analítica do filósofo francês, as catástrofes envolvem uma interrupção desastrosa que vai além do suposto curso normal da existência. Apesar de sua natureza aparente de evento, eles são processos contínuos que manifestam, aqui e agora, os efeitos de algo já em andamento. Como o próprio Neyrat aponta, uma catástrofe sempre vem de algum lugar, foi preparada, tem uma história.
A pandemia que nos atormenta efetivamente desenha sua condição catastrófica, entre outras coisas, na encruzilhada entre epidemiologia e economia política. Seu ponto de partida está diretamente ancorado nos efeitos trágicos da industrialização capitalista do ciclo alimentar, particularmente da produção agrícola. Além das qualidades biológicas intrínsecas ao próprio coronavírus, as condições para sua disseminação incluem o efeito de quatro décadas de políticas neoliberais que corroeram drasticamente as infraestruturas sociais que ajudam a sustentar a vida. Nessa tendência, os sistemas de saúde pública foram particularmente afetados.
Durante dias, testemunhos de profissionais de saúde que lidam com a pandemia em hospitais circulam nas redes sociais e telefones celulares. Muitos deles concordam no relato de uma condição catastrófica geral caracterizada por uma dramática falta de recursos e profissionais de saúde. Como aponta Neyrat, a catástrofe sempre tem uma historicidade e está sujeita a um princípio de causalidade. Desde o início do século atual, diferentes grupos e redes de cidadãos têm denunciado uma profunda deterioração do sistema público de saúde que, através de uma política continuada de descapitalização, praticamente levou ao colapso da saúde na Espanha. Na Comunidade de Madri, um território particularmente atingido pelo COVID-19, o orçamento per capita para o sistema de saúde foi reduzido drasticamente nos últimos anos, enquanto um processo crescente de privatização foi desencadeado. Os serviços de atenção primária e de emergência na região já estavam saturados e com escassez de recursos antes da chegada do coronavírus. O neoliberalismo e seus formuladores políticos semearam tempestades para nós, dizendo que um microorganismo se transformou em uma tempestade.
6. No meio da pandemia, certamente haverá alguém que se esforçará para encontrar um culpado, seja na pele do bode expiatório ou no papel de vilão. Certamente é um gesto inconsciente chegar à segurança: encontrar alguém para atribuir culpa tranquiliza porque muda a responsabilidade. No entanto, em vez de tentar desmascarar um assunto, é mais oportuno identificar uma forma de subjetivação, ou seja, nos questionar sobre o modo de vida capaz de desencadear danos tão dramáticos quanto os que existem hoje em nossas vidas. É, sem dúvida, uma pergunta que nem nos salva nem nos conforta, muito menos nos oferece um exterior. Basicamente, porque esse modo de vida é nosso.
Um jornalista se aventurou há alguns dias para oferecer uma resposta sobre a origem do COVID-19: “o coronavírus é uma vingança da natureza”. No fundo, ele não é sem razão. Em 1981, Margaret Thatcher deixou uma frase para a posteridade que revelou o significado do projeto em que participou: “a economia é o método, o objetivo é mudar a alma”. A primeira-ministra britânica não enganou ninguém. A razão neoliberal há muito tempo transformou o capitalismo em um estado de natureza. A ação de um ser microscópico, no entanto, não está apenas conseguindo alcançar nossa alma, mas também abriu uma janela através da qual respiramos as evidências do que não queríamos ver. A cada corpo que toca e adoece, o vírus grita porque traçamos a linha de continuidade entre sua origem e a qualidade de um modo de vida cada vez mais incompatível com a própria vida. Nesse sentido, por mais paradoxal que seja, enfrentamos um patógeno dolorosamente virtuoso. Sua mobilidade etérea revela toda a violência estrutural e catástrofes diárias onde ocorrem, ou seja, em toda parte. Na imaginação coletiva, começa a surgir uma racionalidade de ordem bélica: estamos em guerra contra um coronavírus. Talvez seja mais correto pensar que é uma formação social catastrófica que está em guerra conosco há muito tempo.
No curso da pandemia, as autoridades políticas e científicas apontam as pessoas como o agente mais decisivo para deter o contágio. Atualmente, nosso confinamento é entendido como o exercício mais vital da cidadania. No entanto, precisamos ser capazes de levar isso adiante. Se o confinamento congelou a normalidade de nossas inércias e nossos automatismos, aproveitamos o tempo gasto pensando neles. Não há normalidade a que retornar quando o que havíamos normalizado ontem nos levou ao que temos hoje. O problema que enfrentamos não é apenas o próprio capitalismo, é também o capitalismo em mim.
Esperamos que o desejo de viver nos torne capazes de criatividade e determinação para construir coletivamente o exorcismo de que precisamos. Isso inevitavelmente afeta as pessoas comuns. Desde a história, sabemos que os governantes e poderosos se esforçarão para fazer o oposto. Não sejamos confrontados, assombrados ou divididos. Não nos permitamos, mais uma vez protegidos pela linguagem da crise, impor-nos a restauração intacta da estrutura da própria catástrofe. Apesar do fato de que o confinamento aparentemente nos isolou, estamos vivendo juntos. Nisso, também, o vírus é paradoxal: coloca-nos em um plano de relativa igualdade. De alguma maneira, resgata do nosso esquecimento o conceito de humanidade e a noção de bem comum. Talvez os fios éticos mais valiosos com os quais começar a tecer outro modo de vida e outra sensibilidade.
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Este artigo foi publicado originalmente em espanhol pelo jornal El Diário [Aqui!].