O fabuloso custo da depauperada saúde pública municipal em Campos dos Goytacazes

saúde camposHá quem ache que o atual prefeito, o jovem Rafael Diniz, nem devesse se dar ao trabalho de concorrer à reeleição, tamanho é seu desgaste junto à maioria da população que lhe deu em esmagadora maioria a chance de administrar a cidade de Campos dos Goytacazes.

De minha parte, eu já acho exatamente o contrário. É que se Rafael Diniz fugisse da eleição, a população e seus concorrentes não teriam a oportunidade de inquiri-lo acerca de certas peculiaridades estranhíssimas que cerca a sua gestão, especialmente na área de compras e licitações.

Vejamos, por exemplo, o exemplo dos serviços públicos de saúde que conseguiram o feito de piorar significativamente com a prefeitura de Campos dos Goytacazes sob o comando de Rafael e seus menudos neoliberais. Uma coisa que causa espanto porque os custos com a rede pública municipal de saúde continuam muito altos, enquanto servidores concursados e RPAs amargam condições muito ruins de trabalho, sem que para muitos o salário devido seja pago.

Abaixo posto um vídeo produzido pelo gabinete do vereador Álvaro Oliveira onde fica demonstrado que todas as privações sofridas pelos servidores e pela população não se deve, curiosamente, à falta de recursos, mas a uma opção gerencial de como usar os milhões que são colocados na secretaria municipal de saúde.

Goste-se ou não do vereador Álvaro Oliveira, as informações que ele oferece sobre os gastos da saúde em Campos dos Goytacazes são estarrecedoras, especialmente no que se refere aos decretos de suplementação por “excesso de arrecadação”.  Esse tipo de decreto é estranho, na medida em que passamos os últimos 3 anos e 8 meses ouvindo Rafael Diniz e seus menudos neoliberais falando em uma crise financeira que os impediria de bem governar a cidade de Campos.

E mais, 43 milhões em compras de material de consumo para as unidades municipais de saúde? Quem vai a qualquer uma dessas unidades dificilmente nota tal bonança em termos de dispêndio, e a informação que circula é que falta até “cibalena”.

Um detalhe em relação ao passado quando se tinha a atuação de um certo “Observatório Social de Campos dos Goytacazes” que acompanhava com olhos caninos (com devida justeza, é preciso que se diga) os gastos do governo da prefeita Rosinha Garotinho.  É que bastou Rafael Diniz assumir a cadeira de prefeito que o tal observatório tomou o doril que inexiste na rede pública de saúde e sumiu. Aliás, se eu bem lembro, alguns daqueles que acusavam Rosinha Garotinho de falta de transparência acabaram por ocupar postos no governo Diniz, um prefeito ainda menos transparente do que a prefeita que sucedeu.

Qual é o moral da história? Somente uma população organizada pode realmente fiscalizar governos, pois observatórios vão e vem, ao saber das sucessões.  Afinal, o observador de hoje poderá ser o que rejeita a observação amanhã.

Campos de Goytacazes: Entre becos e saídas

E-book reúne entrevistas com pensadores locais para discutir problemas e soluções para a região

Becos & Saidas capa

A cidade de Campos de Goytacazes é localizada no norte fluminense e tem na sua região a Bacia de Campos, onde se encontra a maior plataforma petrolífera do Brasil. Tendo em vista o fim do ciclo do Petróleo na região, o Blog do Pedlowski realizou entre junho e agosto de 2018, uma série de entrevistas com pesquisadores, profissionais e intelectuais das mais diversas áreas de conhecimento e com atuação em Campos de Goytacazes para debater possíveis soluções para o beco sem saída encontrado no fim deste ciclo de desenvolvimento econômico na região através do petróleo.

O objetivo do livro não é encontrar uma única saída nem dar respostas prontas para os problemas e questões levantadas ao longo de duzentas páginas. Ao contrário, conforme conta na introdução, o grande propósito deste e-book é instigar os leitores a refletirem em conjunto com os entrevistados. Assim, os organizadores convidam os leitores a mergulharem no conteúdo da obra para formularem suas próprias opiniões em relação aos temas discutidos. Devido a ausência de espaços e fóruns públicos para uma construção coletiva de soluções, este livro é um esforço na difícil tarefa de constituir uma esfera pública de debate qualificado sobre os problemas sócio-econômicos da região. Por fim, o leitor se encontrará entre becos e saídas.

O livro é dividido em 16 capítulos. São dois prefácios, o primeiro é assinado por Orávio de Campos, enquanto que o segundo é de autoria de Deneval Siqueira de Azevedo Filho. Os prefácios são seguidos por uma introdução dos organizadores, as entrevistas e por fim, um posfácio. No total, são doze pensadores e intelectuais locais entrevistados, são eles: Ranulfo Vidigal, Dayane da Silva Santos Altoé, José Luís Vianna da Cruz, Júlio Cézar Pinheiro de Oliveira, Alcimar das Chagas Ribeiro, Hélio Gomes Filho, Luciane Soares da Silva, Viviane Ramiro da Silva, José Alves de Azevedo Neto, Carlos Abraão Moura Valpassos, Érica Terezinha de Almeida e Roberto Moraes Pessanha.

Quem desejar baixar gratuitamente o “Campos dos Goytacazes: entre becos e saídas”, basta clicar [Aqui!].

CPI do Previcampos: Governo Rafael foi buscar lã, e voltou tosquiado

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Por Douglas da Mata

A tentativa de reacender o clima inquisitorial de “lawfare” na cidade de Campos dos Goytacazes, que tem entre alguns parlamentares locais os “buchas-de-canhão” da administração local e outros grupos de interesse, tem como objeto principal reeditar a aliança com o partido do judiciário e do ministério público, para dar sobrevida ao pior governo da História desta cidade, e quem sabe, realinhar as variáveis que o elegeram.

Vai ser difícil, porque a “novidade” patrocinada pela Cambridge Analytics se esvaiu, e há uma certa fiscalização atual sobre tais manipulações algorítmicas, e porque a sociedade parece escaldada com os resultados da farsa-jato, que seja no plano local, seja no plano nacional, nos jogou no abismo social, político, econômico, e sanitário!

De certo que a população já sentiu no lombo o que foi o governo da “mudança”, que prometeu alterar os rumos da cidade, e o que fez em quatro anos foi dizer que a culpa era do passado.

Ora, pilordas, isso não basta para quem se disse “o pica das galáxias”, o “dream team” da administração!

O governo atual, eu ouço de interlocutores que privam da intimidade palaciana, é como um time que mesmo jogando sem adversário, com a meta escancarada, e a bola na linha do gol, é capaz de jogar a pelota na bandeira do córner.

O “timing” da investigação da CPI do PreviCampos é de doer!

Quatro anos para apurar algo?

Eles fizeram contas com ábacos?

Mas não é só isso que revela a indigência intelectual da base governista e seus aliados em outras esferas, como na imprensa local.

As análises da CPI estacionam justamente no início do atual governo, como se nada mais fosse merecedor da atenção fiscalizadora dos edis após este prazo.

Não é isso que diz documento recente do TCE, em manobra do atual governo para “descongelar” o dinheiro do PreviCampos para usar como bem lhe aprouvesse, mais ou menos como acusou o anterior de fazer.

No trecho do voto do Conselheiro, repudiando a suspensão da medida cautelar do TCE que impede o governo de manipular os recursos do PreviCampos, há a clara indicação de que desde 2017, o governo atual manteve a mesma prática que denunciou, e mais:

Tentou derrubar medida cautelar que impedia que ocorressem usos indevidos dos recursos, justamente o que diziam ser favoráveis, e que, de uma forma ou de outra, é objeto do relatório da CPI com data de “validade”.

O Conselheiro revela em seu voto a apreensão da Corte de Contas de que os argumentos esposados (emergência da COVID-19) dêem azo às mesmas práticas que deveriam ter sido coibidas desde 2017, mas que até agora estavam sob o mesmo signo da precariedade fiscal, para dizer o mínimo!

Eis o trecho que destacamos:

“(…)Contudo, o pedido de revogação pleiteado pelo jurisdicionado pretende ressuscitar o momento pretérito de ilegalidade vivido pelo município, conforme palavras do próprio requerente, pois desde 2017 esta metodologia de subtrair recursos a margem dos normativos previdenciários vem sendo executada pela atual administração, sem contar com a gestão anterior.

Chama atenção o fato de que a manutenção das irregularidades cometidas pela atual administração jazia por três anos sem restabelecimento da legalidade. Fato é que nenhum procedimento foi aplicado neste período para corrigir o descaminho praticado. Assim, atender o pleito aspirado pelo jurisdicionado poderá expor o sistema previdenciário local a irreversibilidade de manutenção dos pagamentos de benefícios futuros. Depreende-se no pedido que a única medida de enfrentamento da crise financeira esperada pelos gestores municipais com a queda da receita prevista é a utilização de recursos vinculados e a inadimplência das contribuições patronais e dos parcelamentos de débitos confessados, algo que gera grande apreensão a esta Coordenadoria Especializada..(…)”

VOTO: I – Pela CIÊNCIA AO PLENÁRIO do atendimento aos itens II e III da Decisão Monocrática de 14/10/2019; II – Pelo INDEFERIMENTO do pedido de revogação da medida cautelar protocolizado nesta Corte como Doc. TCE-RJ nº 08.805-0/20, mantendo-se a Decisão Monocrática de 14/10/2019; III – Pela COMUNICAÇÃO ao Sr. José Paes Neto, Procurador-Geral do Município de Campos dos Goytacazes, com base no artigo 26, § 1º, do Regimento Interno desta Corte, para que tome ciência desta decisão; IV – Pela ANEXAÇÃO do presente ao processo TCE nº 220.120-7/19. GA-3, em / /2020. CHRISTIANO LACERDA GHUERREN Conselheiro Substituto

(…)”

Ou seja, se o pau que dá em Chico, dá em Francisco, está na hora da Câmara de Vereadores, ou dos órgãos externos de fiscalização (Polícia e MP) agirem para apurar o que houve no PreviCampos, desde 2017.

Ou não?

Aguardemos.

No caso do PreviCampos, Rafael Diniz não é mero herdeiro, mas potencial réu solidário

previcampos

Como contribuinte do fundo próprio de pensão dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro (o RioPrevidência) detalhei neste espaço ao longo dos anos as estripulias cometidas pelos governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando, especialmente no âmbito da chamada “Operação Delaware“.  Por isso, não teria como negar a importância de que se apure corretamente e na devida profundidade possíveis descaminhos na gestão de outros fundos de pensão, como é o caso do Instituto de Previdência do município de Campos dos Goytacazes (o Previcampos). Afinal, mexer nos recursos de fundos de pensão é mexer na vida de servidores públicos que pagaram valores salgados para ter o direito de uma aposentadoria que lhes garanta a sobrevivência ao final de décadas de dedicação à população.

 Mas o caso da atual Comissão Parlamentar de Inquérito que acaba de ser encerrada pela Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes se assemelha ao caso de noivo que chega atrasado quase 4 anos ao próprio casamento, e com roupas  amassadas por causa do uso anterior em outras festividades.  Não custa lembrar que um dos itens produzidos pela atual gestão do governo do jovem prefeito Rafael Diniz foi um relatório de auditoria para “análise da legalidade das contratações vigentes, aplicações financeiras e gastos incorridos no Instituto de Previdência dos Servidores do município de Campos dos Goytacazes (Previcampos)”.  Também não custa recordar que o item 6.3 das conclusões daquele relatório indicavam ao Secretário responsável pelo Órgão Central de Controle
Interno que desse “ciência das irregularidades e ilegalidades identificadas ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, sob pena de responsabilidade solidária” (grifo meu).

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Por isso é que ao ler o relatório da CPI Previcampos, estranhei não haver menção nem ao que foi determinado na auditoria interna realizada pelo governo Rafael Diniz no tocante ao risco de responsabilidade solidária ou, tampouco, a ausência de qualquer explicação sobre o porquê o escopo dos trabalhos da CPI ter evitado qualquer análise sobre o que aconteceu com a gestão do Previcampos desde o dia 1 de janeiro de 2017 até o dia 05 de março de 2020 quando se lavrou o  relatório final da mesma.

O problema com esse tipo de escolha seletiva é que sempre se corre o risco de anulação ou mesmo de descrédito em função das escolhas temporais que são feitas aparentemente não para entender e elucidar possíveis malfeitos, mas para atingir outros interesses, os eleitorais inclusive. E, pior, impõe desde já o risco da nulidade, causando graves prejuízos a quem já está, aparentemente, sendo prejudicado, que no caso são os servidores públicos municipais.

A verdade é que se a gestão do jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais produziu uma auditoria já no início de 2017 e nada foi feito para que o município retornasse os valores que supostamente foram removidos indevidamente, Rafael Diniz passou de simples herdeiro a réu solidário.  Essa é uma questão que mereceria a devida análise da Câmara de Vereadores, e aparentemente não foi.  Em outras palavras, estamos diante daquela situação não só do noivo que chegou atrasado no próprio casamento, mas esqueceu de quem era a noiva.

Por último, ajudaria bastante saber quais foram as medidas adotadas pela atual gestão não só para retornar valores antigos, mas também para impedir que novos valores saíssem dos cofres do Previcampos. Simples assim!

Pode isso, Arnaldo? Câmara de Vereadores engaveta desde março projeto de lei que baixaria valor da conta de água em 30% durante a pandemia da COVID-19

águas do paraibaA concessionária “Águas do Paraíba” e seu reino encantado custeado a tarifas altas parece ter excelentes relações não apenas com o executivo, mas também com o legislativo municipal em Campos dos Goytacazes

Uma das peculiaridades que marca a presença da empresa “Águas do Paraíba” como detentora da concessão pública de água e esgotos em Campos dos Goytacazes é a óbvia inação da Câmara Municipal de Vereadores em exercer o papel fiscalizador da qualidade dos serviços prestados.  Ao longo dos anos houve até anúncios de que uma Comissão Parlamentar de Inquérito ocorreria para depois o assunto cair, como em um passe de mágica, no mais completo esquecimento.  Em outras palavras, para se dizer o mínimo, a Câmara de Vereadores tem ficado aquém do que lhe permite a lei no tocante ao legítimo exercício de fiscalizar um serviço que combina preços caros com qualidade questionável.

Por isso mesmo é que tenho de reconhecer que na presente legislatura o vereador Álvaro Oliveira (PSD) tem tentado fazer o papel que todo edil deveria cumprir no exercício de um mandato que se proponha, ao menos em tese, a defender os interesses de quem o elegeu.  Um exemplo disso é o projeto de lei que Álvaro Oliveira protocolou no já distante dia 19 de março de 2020 para “implementar um desconto mensal de 30%  e proibir que haja a suspensão de serviços por 120 dias” (período que inicialmente se estimava a pandemia da COVID-19 deveria durar” (ver imagem abaixo).

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O curioso é que passados 120 dias a única coisa que aconteceu é que nada aconteceu e o projeto de lei proposto sequer foi colocado para tramitar, sem maiores explicações por parte do presidente da Câmara de Vereadores, o vereador Fred Machado (Solidariedade). 

Diante dessa completa inércia, o vereador Álvaro Oliveira usou do espaço de uma sessão virtual para, em seu estilo moderado, para “constatar e não cobrar” que o projeto de lei proposto em março ainda sequer começou a tramitar, correndo-se o risco da pandemia da COVID-19 terminar primeiro, ferindo-se o espírito da lei que ele propõe (ver vídeo abaixo).

Eu pessoalmente não me surpreendo com esse ritmo de tartaruga de pata quebrada da Câmara de Vereadores quando o assunto se trata de mexer com a concessionária “Águas do Paraíba”, pois isso é a marca da relação da empresa não só com o poder executivo municipal, mas também com o seu legislativo. A questão aqui é notar que uma proposição bastante justa vem sendo enterrada em alguma gaveta empoeirada, enquanto a maioria da população de Campos dos Goytacazes, cliente cativa da “Águas do Paraíba” sofre com os efeitos sanitários e econômicos de uma pandemia letal.

Finalmente, o que se espera é que o vereador Álvaro Oliveira não desanime em sua disposição para cobrar mais clareza e ações que retornem a questão da água e do esgoto algo que seja inerente aos interesses dos cidadãos campistas que pagam contas altíssimas para a “Águas do Paraíba”, enquanto o poder público municipal continua resistindo a tornar essa relação minimamente mais equilibrada, já que ao longo dos anos a empresa ficou com o filé mignon e os seus consumidores cativos ficaram com o osso.

Rafael Diniz vai reabrir os shopping centers: se não quiser contrair COVID-19 fique em casa

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Acabo de ler no Portal Viu que o jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e seus menudos neoliberais resolveram escancarar as portas do comércio local, autorizando inclusive a reabertura de shopping centers.  Essa é uma decisão lamentável em vista dos valores altos de contaminação e óbitos que persistem em Campos dos Goytacazes.

Falo isto com base no fato de que outras cidades que reabriram shopping centers tiveram aumentos exponenciais nas taxas de contaminação e de óbitos por COVID-19. Essa reabertura consiste em ceder aos necrocomerciantes que querem empurrar seus produtos, a maioria deles supérfluos e desnecessários para a sobrevivência humana em meio a uma pandemia letal que todos os dias estão tirando para sempre do convívio coletivo pessoas que certamente teriam tido suas vidas poupadas se um isolamento social efetivo tivesse sido adotado.

Por mais tentador para alguns voltar aos shoppings só para caminhar em um ambiente hermético e com aparência de limpo, todos os que prezarem suas vidas e dos seus familiares deveriam desprezar essa autorização do prefeito Rafael Diniz e continuar em casa, deixando os shoppings centers às moscas.  É que não há como garantir que o coronavírus não vá a começar a circular com força nesses espaços fechados e com atmosferas climatizadas, justamente as condições ideais para a propagação desse vírus letal.

O mais lamentável é notar que, em meio à pandemia da COVID-19, da necropolítica emerge agora o necrocomércio.  Mas se dependerem do meu dinheiro, esses que colocam o lucro acima da vida irão falir. Já o destino de Rafael Diniz terá em breve o seu mandato lamentável encerrado pelo voto popular. Simples assim.

Movimento de Defesa do Servidor Público e do Atendimento à População lança carta aberta ao povo de Campos

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Nos estertores de um governo fraco e descomprometido com a plataforma que o elegeu, Rafael Diniz agora vê surgir um movimento dentro do funcionalismo público municipal que deverá tornar sua vida ainda mais difícil

Um documento denominado “Carta aberta ao povo de Campos”, assinado pelos presidentes de quatro entidades sindicais representativas dos servidores públicos municipais, e subscrito por cinco vereadores,  foi lançado nesta 5a. feira (09/07) para denunciar a crise na gestão pública municipal comandada pelo jovem prefeito Rafael Diniz (ver imagem abaixo).

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O documento critica a falta de transparência por parte do executivo municipal que estaria “atingindo direitos básicos do servidor público, aposentados, pensionistas, e contratados sob regime provisório através de acordos por Recibos de Pagamento Autônomo“.

Por outro lado, o “Movimento de Defesa” seria  uma “reação ao abandono do servidor público pela Prefeitura de Campos, que ameaça o principal agente que responde pela continuidade, regularidade e qualidade da prestação de serviços à população, em especial, a parcela mais carente que requer mais atenção“. 

O documento sinaliza ainda que cobrará da gestão de Rafael Diniz  para que “disponibilize informações claras no tocante aos direitos dos servidores públicos e cumpra com suas múltiplas responsabilidades, todas elas relacionadas com a preservação e melhoria do município, bem como o bem-estar de seus cidadãos“.

Em primeira análise do documento, eu diria que os últimos meses da pífia gestão de Rafael Diniz  (que, em minha opinião, cometeu até aqui um grave estelionato eleitoral contra os eleitores que apostaram que o jovem prefeito representaria uma mudança de fato na forma de gerir o município de Campos dos Goytacazes) serão marcados por uma forte pressão por parte dos servidores públicos municipais e da população que depende dos serviços que eles prestam.

Carta aberta denuncia situação de calamidade na Unidade Pré Hospitalar de Travessão (UPHT)

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Carta aberta à população de Campos dos Goytacazes

“A situação da saúde pública não está nada fácil para a população, muito menos para os profissionais de saúde, em Campos dos Goytacazes”.

Além dos problemas noticiados nas redes sociais e imprensa sobre a Unidade Pré Hospitalar de Travessão (UPHT) que vão desde a obra entregue com entupimentos, insalubridade das enfermarias, falta de ventilação adequada, mofo nas paredes, falta de higienização dos ares condicionados, até os problemas que se agravam com a pandemia.

Como se não bastasse a escassez de EPI’s, a falta de álcool em gel nos suportes para pacientes e funcionários, a falta de médicos em finais de semana, a população está exposta a uma gestão sem competência e compromisso com a vida humana.

Essa semana chegaram testes rápidos para serem realizados nos funcionários. Os testes só foram utilizados durante três dias da semana e recolhidos sem a devida justificativa.

O que nos deixa estarrecidos é que alguns funcionários testaram positivo e isso não resultou em seu afastamento da função como requer o protocolo.

Foi necessária a mobilização de alguns profissionais para que o trabalhador tivesse seu direito garantido, além de evitar maior exposição e contaminação de colegas e pacientes.

Assustador é que nesta unidade alguns profissionais utilizam um argumento vil: “todo mundo tem que pegar para imunizar”. Isso significa que não cumprem o protocolo em seu atendimento e, provavelmente se expõem nas ruas, colocando muitas vidas em risco e quando retornam aos seus plantões.

A UPHT é uma amostra do que está ocorrendo no município. Quais protocolos estão sendo seguidos com seriedade? Que direito os profissionais de saúde recorrem a um pensamento liberal se dando o direito de banalizar o risco que a população está exposta a um vírus com tamanha letalidade?!

Diante dessas questões pedimos à população que se conscientize, que defenda o direito a uma politica pública de qualidade e que juntos possamos exigir dos ´gestores´ ações efetivas na proteção e combate à pandemia, em caráter emergencial de forma que as mortes sejam evitáveis.”

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Esta carta aberta foi originalmente publicada no perfil mantido pelo jornalista Saulo Pessanha na rede social Facebook [Aqui!].

Distopia campista em meio à pandemia da COVID-19 cobrará vidas nas próximas semanas

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Grandes aglomerações no primeiro dia de desconfinamento no centro histórico de Campos dos Goytacazes

As cenas que emergem das ruas centrais de Campos dos Goytacazes no primeiro dia de abertura do comércio de rua (em suma de todo o comércio) seriam plausíveis, dadas as circunstâncias de estarmos mergulhados em uma pandemia letal que sequer chegou ao seu pico, apenas se estivéssemos vivendo dentro de filmes distópicos, tais como Matrix, Blade Runner e “V” de Vingança (ver vídeo abaixo).

O problema é que o que vemos acima não são cenas de um filme distópico, mas fragmentos de uma realidade que foi estabelecida a partir de uma série de decisões tomadas em diferentes níveis de governo, e que finalmente se materializou de forma escancarada na cidade de Campos dos Goytacazes.

O resultado dessa aglomeração toda vai aparecer em um tempo limite de duas semanas, no que poderá se tornar uma avalanche de doentes que, pasmem, não terão sequer a possibilidade de pleitear um leito no prometido e nunca concretizado hospital de campanha que seria, mas não será mais, instalado no terreno da antiga Vasa em frente do Shopping 28 (aliás, quanto será que foi gasto com o aluguel do terreno até o dia de hoje?).

Logo no início da pandemia escrevi que Rafael Diniz tinha uma chance rara de recuperar seu mandato, dependendo da forma que gerisse a crise sanitária que se avizinhava. Com o que aconteceu hoje nas ruas de Campos dos Goytacazes, onde o necessário controle por parte do poder público municipal esteve completamente ausente, Rafael Diniz pode esquecer qualquer possibilidade de reeleição.

Agora, lamentavelmente, é só aguardar que o pior aconteça. É que com as aglomerações observadas nas ruas estreitas do centro de Campos dos Goytacazes nesta 4a. feira, as chances matemáticas de um aumento exponencial da contaminação simplesmente se tornaram bem maiores. Lamentável, mas inevitável.

 

COVID-19: tentativas e erros no desconfinamento social equivalem a jogar gasolina em incêndio

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Ao contrário da imagem inicial de que a pandemia da COVID-19 funcionaria como uma sequência de ondas que se sucederiam em amplitude menor (a primeira onda sendo a maior de todas) está sendo substituída por outra, a de um incêndio florestal. Nessa versão, enquanto houver material para queimar, o fogo vai continuar ardendo. 

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Se usarmos a imagem do incêndio nos cenários de desconfinamento que estão sendo usados no Brasil ao arrepio do conhecimento científico acumulado em quase 4 meses de vigência, e agora crescimento descontrolado da pandemia, veremos que governadores e prefeitos que estão relaxando as medidas de confinamento estão apenas jogando mais material para ser queimado, reavivando o incêndio sem que ele tenha dado mostras de que iria ser extinguido.

O problema é que o material que está sendo consumido não é composto de árvores mortas, galhos e folhas, mas de vidas humanas.  No dia de hoje (30/06), a contagem oficial (e subnotificada) é de que quase 1,5 milhão de pessoas já foram infectadas e quase 60 mil já morreram por complicações causadas no Brasil.  Esse número de mortos é quase 100 vezes mais o que o presidente Jair Bolsonaro previu logo no início de sua cruzada contra as regras de confinamento, mas a contagem continua se acelerando. Lembremos que em março, Bolsonaro previu (equivocadamente) que o número de mortos pelo coronavírus não alcançaria os 796 causados pelo vírus H1N1 (ver o vídeo abaixo).

Culpados para esse verdadeiro massacre são muitos, começando na presidência da república e chegando até os comerciantes que pressionam prefeitos e trabalhadores de que é preciso trocar vidas humanas por um simulacro de retomada da normalidade. Somado a isso a fragilização do Sistema Único de Saúde (SUS), temos as condições perfeitas para o levantamento das chamas que cada vez mais se aproximam de nós, levando ou mutilando pessoas conhecidas.

Aqui em Campos dos Goytacazes vejo com um misto de “eu já sabia” e pasmo, a decisão do jovem prefeito Rafael Diniz de permitir a reabertura do comércio e igrejas (muitas delas comércios da fé) a partir de amanhã. A alegação, absurda é preciso se frisar, é que se chegou a um equivalente aceitável entre leitos e doentes, desconhecendo por completo as evidências de que há uma gritante subnotificação de casos.

Alguém já disse, e eu assino embaixo, que de Rafael Diniz, o exterminador das políticas sociais que protegiam minimamente os pobres, não se poderia esperar muito, já que seu governo sempre agiu controlado pelo princípio da necropolítica. E não seria agora que Rafael Diniz se elevaria à condição de estadista que a cidade de Campos dos Goytacazes precisaria para enfrentar uma pandemia letal.  Ainda que isso seja verdade, não deixa de ser chocante a tomada de uma decisão que ignora o conhecimento científico já firmado sobre o fato que um confinamento social estrito é a única forma conhecida de conhecer a pandemia da COVID-19 até que a onda passe ou as chamas do incêndio virem brasas dormentes.

Interessante notar que em Goiás e Paraná, estados que juntos não possuem números que cheguem sequer próximos dos registros no Rio de Janeiro, os governadores estão restabelecendo medidas mais duras de confinamento social após detectarem o crescimento vertiginoso do número de casos. E olhe que estamos falando de Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, dois governadores conhecidos por suas posições de direita. Mas o processo está sendo reimposto na cidade de Belo Horizonte, governada por Alexandre Khalil, que não é nem de perto uma pessoa que defende ideias de esquerda.

A verdade é que para se combater a ampliação do caos causado pela COVID-19 não devemos nos guiar pela posição do espectro político em que possamos estar, mas pelas evidências científicas já amealhadas para conter e controlar a pandemia. Essa seria uma questão simples para ser entendida, mas que em um país no qual o novo ministro da Educação é pego mentindo sobre o seu currículo acadêmico de forma explícita e não é demitido sumariamente, isto evidentemente não é. Está mais claro do que nunca que as elites brasileiras se preocupam pouco com as evidências científicas, e muito mais com suas próprias necessidades de gerar lucro, nem que isso custe algumas milhares de mortes a mais. Até porque a ciência já demonstrou que quase 70% dos mortos pela COVID-19 no Brasil fazem parte da classe trabalhadora, que é para essas elites apenas material descartável que pode ser consumido no incêndio.

Por isso, aos que estão sendo empurrados para o desconfinamento precoce e jogados à própria sorte dentro do olho do furacão, restará a adoção das medidas de minimização da contaminação pelo coronavírus. Será deste disciplina coletiva que poderá sair o controle que não tem sido propiciado pela ação governamental.

Mas que fique claro que a história irá registrar quem foi que ajudou a manter o fogo aceso.   Por ser exatamente por isso que os historiadores sejam tão detestados no Brasil.