Gustavo Tutuca é a prova final de que nada é tão ruim que não possa piorar

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Uma das muitas “leis” de Murphy é aquela que aponta que “nada é tão ruim que não possa piorar”. Pois bem, essa parece ser a situação do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que teve 3 dos seus mandarins presos pelo susposto envolvimento em atividades, digamos, pouco republicanas.

Eis que premido pela absoluta falta de mandarins, o PMDB decidiu nomear o inexpressivo deputado Gustavo Tutuca, inimigo declarado das universidades estaduais, para liderar sua bancada na Alerj.

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Quem conhece minimamente as coisas dentro da Alerj está careca de saber que a principal e talvez única qualidade é ser conterrâneo do (des) governador Luiz Fernando Pezão.  Afora esse pequeno, mas crucial detalhe, a ação parlamentar de Gustavo Tutuca é totalmente equivalente àquela que demonstrou nas suas passagens pela pasta que controla a ciência e tecnologia, qual seja, absolutamente nula.

Um mérito, talvez único, é que a permanência de Gustavo Tutuca na Alerj vai forçar a que o (des) governador Pezão indique outra pessoa para liderar a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social. Essa mudança pode até não dar em nada, e provavelmente não dará, mas pelo menos as universidades estaduais não terão um inimigo declarado como seu secretário. Pode não parecer muito, mas é.

Quanto ao PMDB, esse parece ser o grande perdedor. Mas, convenhamos, a essas alturas quem é que se preocupa com o partido que ajudou a afundar o Rio de Janeiro e o Brasil nesse imenso lodaçal em que estamos todos atolados?

Pezão sorri enquanto faz a ciência fluminense sangrar

A imagem abaixo é de uma reunião realizada no Palácio Guanabara pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão com dirigentes da comunidade científica na última 6a. feira (20/10). Além de Pezão e do (des) secretário  Gustavo Tutuca estavam presentes os reitores das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo), dirigentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Academia Brasileira de Ciências.

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A pose sorridente do (des) governo Pezão (que, aliás, foi seguida por alguns dos presentes) demonstra que essa foi mais uma reunião onde ele não prestou, nem foi instado a prestar, contas sobre a situação catastrófica que seu (des) governo causou nas universidades estaduais e na Faperj, instituições que hoje amargam condições financeiras catastróficas.

O pior é que nesta reunião, além de prometer que o pagamento dos salários de 2017 será normalizado, Pezão adiantou sua projeção de que 2018 será um ano mais fácil para as universidades estaduais, onde o fluxo financeiro será hipoteticamente normalizado.

Bom, talvez essas promessas sejam a razão do riso de Pezão. É que ele deve saber bem que partindo de seu (des) governo, esse tipo de promessa está mais para piada do que para compromisso com o que se fala.

O que me deixa intrigado é de porquê mesmo diante da situação catastrófica que impera nas universidades estaduais e na Faperj,  os dirigentes dessas instituições ainda se permitam a serem fotografados em uma condição, digamos, aparentemente tão feliz com o algoz de nossas univerisdades. É que esse “republicanismo” todo que permite que o (des) governador Pezão e seu (des) governo façam o que bem entendam com as universidades estaduais e a Faperj. Simples, mas ainda assim trágico.

Notícias da Aduenf: comunicado sobre greve na UERJ e evento na UENF

ADUENF emite comunicado sobre a retomada da greve na UERJ e inicio de ciclo debates

COMUNICADO DO COMANDO DE GREVE

O Comando de Greve da ADUENF vem registrar a retomada do processo de greve pelos docentes da UERJ nesta 3ª. Feira (03/10). Alertamos que a retomada da greve na UERJ é resultado direto do não pagamento do salário de Agosto e da ausência das condições mínimas de funcionamento.

O Comando de Greve entende que a retomada da paralisação das atividades acadêmicas na UERJ, somada ao que também já havia ocorrido nas escolas da rede Faetec, demonstra a correção da manutenção de nosso movimento de greve.

O fato é que compartilhamos dos mesmos problemas que resultam de uma política deliberada imposto pelo governo Pezão para avançar a proposta de extingui a oferta de ensino público superior pelo estado do Rio de Janeiro.  Nesse sentido, não é acidental que estejamos sofrendo o mesmo tipo de ataques, tornando inevitável que avancemos os mesmos  instrumentos de luta. 

Lembramos a todos que na próxima segunda-feira (09/10) ocorrerá o primeiro evento do ciclo “O Futuro da UENF em debate” com a presença dos deputados estaduais Flávio Serafini e Marcelo Freixo. O Comando de Greve solicita a todos que participem deste evento, de modo a não apenas demonstrar a força política do nosso sindicato, mas também para que possamos iniciar o necessário debate sobre as formas de resistência que serão adotadas para impedir o avanço dos planos de privatização da UENF.

Campos dos Goytacazes, 03 de Outubro de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/10/aduenf-emite-comunicado-sobre-retomada.html

Folha de São Paulo publica matéria sobre situação catastrófica das universidades estaduais do RJ

Com a assinatura da jornalista Sabine Righetti, a Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria contundente sobre a catastrófica situação em que se encontram as universidades estaduais.

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Além de mostrar o drama pessoal de servidores que tiveram que se endividar por causa dos atrasos salariais, a matéria aborda ainda a condição crítica das instalações onde faltam verbas até para a compra de lâmpadas e recolhimento do lixo.

Em uma definição que considero bastante apropriada, as universidades estaduais do Rio de Janeiro a um navio em cruzeiro que, mesmo sem combustível novo, segue em movimento por inércia.  Para mim é exatamente isso que está acontecendo, e o pior é que de uma hora para outra navios que se encontram nessa condição acabam afundando.

Por isso que considero que a greve em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense tão necessária quanto justa. É que se não houver o devido processo de insurgência contra a política de destruição do (des) governo Pezão, 

Quem desejar acessar e ler a matéria escrita por Sabine Brighetti, basta clicar [Aqui!].

Notícias da Aduenf: Manifesto da Comissão de Educação da Alerj defende universidades estaduais

Comissão de Educação da Alerj lança manifesto em defesa das universidades estaduais

Em reação à sugestão do Ministério da Fazenda de “supressão” do ensino superior público no estado do Rio de Janeiro, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)  lançou um manifesto em defesa das universidades públicas estaduais (ver imagem abaixo).

Esse é um posicionamento importante porque é na Comissão de Educação que são normalmente discutidos os assuntos referentes ao funcionamento das universidades estaduais. Entretanto, é importante lembrar que apenas este apoio não deterá os projetos de precarização do serviço público estadual que estão associados ao chamado “Regime de Recuperação Fiscal” que foi recentemente assinado pelo governo do Rio de Janeiro.

Por isso, é importante somar outros apoios, inclusive para fortalecer a posição da Comissão de Educação dentro do Alerj.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/09/comissao-de-educacao-da-alerj-lanca.html

Precarizar para privatizar. Esse sempre foi a meta do (des) governo Pezão para as universidades estaduais

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Neste momento há muita gente dividida entre a surpresa e a estupefação em relação à “sugestão” dada pelo Ministério da Fazenda ao esquálido (des) governo Pezão para que se privatize o ensino superior estadual, o que implica na privatização das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo).

Mas fica surpreso e estupefato quem quer, especialmente se acompanhe este blog com alguma regularidade. É que em 2016 escrevi duas postagens específicas (uma em fevereiro e outra em dezembro) sobre o tema da privatização das universidades estaduais, onde colocava o processo de precarização como um meio para que se chegasse ao fim pretendido que sempre foi a privatização [1, 2].

Francamente falando, o problema em relação às universidades estaduais não é propriamente o (des) governo Pezão, pois os objetivos privatistas dos atuais ocupantes do Palácio Guanabara são para lá de explícitos.  Ao meu ver, o maior problema até agora tem sido a leniência com que os ataques executados pelo (des) governo Pezão contra as universidades estaduais é tratada até mesmo dentro delas.

O fato é que se uma reação coletiva tivesse sido realizada na primeira vez em que os repasses mensais para as universidades foram atrasados, muito provavelmente não estaríamos chegando próximo do deselance desejado pelo dublê de ministro e banqueiro Henrique Meirelles.   Mas, lamentavelmente,  os avisos que foram lançados por pessoas como eu foram tratados com ar de desdém do tipo que se destina a quem fala bizarrices.

A minha expectativa é que a sugestão explícita por parte do Ministério da Fazenda de que se privatize as nossas universidades acenda algum tipo de sinal de emergência dentro e fora delas.  É que os danos que a extinção do ensino superior público traria seriam imensos e contundentes e atingiriam várias gerações.   E, pior, tornariam ainda mais mínimas quaisquer chances que o Rio de Janeiro possa ter de sair da grave crise em que se encontra. 

Mas uma coisa é certa. Se não houver uma reação enérgica que chegue até as ruas, o mais provável é que o processo privatista avance e consuma de forma inapalável as universidades estaduais e, junto elas, as nossas chances de um futuro melhor. A hora de reagir é agora. Depois vai ser tarde demais.


[1] https://blogdopedlowski.com/2016/02/28/des-governo-pezao-e-seu-script-para-as-universidades-estaduais-precarizar-para-depois-privatizar/

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/12/06/des-governo-pezao-avanca-seu-projeto-de-privatizacao-das-universidades-estaduais/

Governo Temer tira a máscara e sinaliza que exigirá privatização das universidades estaduais do RJ

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Já venho alertando faz tempo que a real intenção do (des) governo Pezão é de criar as condições para uma rápida privatização das universidades estaduais do Rio de Janeiro. Esse assunto, entretanto, vem sendo olimpicamente ignorado pelas reitorias e pelos que dizem apoiar a educação superior público do lado de fora dos muros.

Agora, em meio à finalização dos termos do chamado Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do estado do Rio de Janeiro, o Ministério da Fazenda comandado pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles apresenta de forma explícita a possibilidade de privatização das universidades estaduais e até de parte da Faetec no parecer que finalizou o acordo (ver documento abaixo).

privatização estaduais

Como ainda voltarei a este assunto em outra postagem, aproveito para postar abaixo uma reflexão do economista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) sobre a clara ameaça que agora paira sobre as três universidades estaduais (Uenf, Uerj, Uezo).  E como diz o professor Bruno Sobral, para quem acha que a assinatura do RRF é o fim da crise em que fomos imersos pelos sucessivos (des) governos do PMDB, a verdade é que tudo indica que ela está apenas começando.

E essa crise tem nome e sobrenome:  Luiz Fernando Pezão e seu séquito de (des) secretários.

UERJ e demais universidades estaduais passam a ser colocadas na mira direta da lógica de rapinagem do governo federal

Por Bruno Leonardo Barth Sobral*

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O movimento UERJ Resiste também já antecipou o alerta, mas faço breves colocações pessoais a seguir. Último parecer da Secretaria do Tesouro Nacional apontou em um trecho medidas compensatórias adicionais caso os valores estimados no acordo hoje assinado não se concretizarem. Entre elas: “essa categoria de medidas de ajuste poderia ser ampliada – passando a abranger a revisão da oferta de ensino superior”.

Portanto, textualmente, os técnicos federais dão indicação que miram futuramente nas universidades estaduais, em particular, na UERJ. Por hora, está no plano das sugestões, mas não atingindo as metas esperadas (o que julgo bem provável), já se explicita que pressão virá.

Em minha visão, isso não se trata de mera chantagem. A lógica é de primeiro sugerir criando dissenso e desmobilização para depois impor pela gravidade dos fatos como algo inadiável. Por isso, é fundamental se antecipar ao projeto de consenso forçado, porque o acordo federal está cheio de buracos na modelagem e medidas compensatórias adicionais deverão ocorrer. Logo, não acho apenas uma suposição, e sim algo provável se esse acordo não for revisto no futuro próximo. A diferença que agora já sinalizam explicitamente que no cardápio está uma intervenção na política estadual de ensino superior.

Em se tratando de valores monetários, a mira principal ainda será a previdência. Isso já estava na mira antes, mas não dava para impor politicamente tudo de uma vez. De toda forma deve voltar dado que é uma fonte concentrada de renda do trabalhador considerável a ser expropriada. Como se terá décadas ainda de transição para o reequilíbrio atuarial (o que não precisaria de nenhum ajuste novo), será o tempo suficiente para se dar a desculpa fácil dos custos crescentes, ainda que juridicamente questionável e obscurecendo os custos decrescentes em período seguinte.

Se a previdência é a “galinha dos ovos de ouro”, questionar a UERJ se reveste de uma ganho simbólico após o ataque à CEDAE. É explícita a visão desestatizante genérica que reveste a crença moral dos técnicos do acordo envolvidos e é de se esperar que cada vez virá com mais força a retórica de que: “o ensino superior gratuito é injusto”.

Isso já está nos editorais da mídia, nos textos de juristas e em inúmero panfletos virtuais. Só falta a oportunidade concreta. Enquanto a profecia não se auto-realiza, ou seja, enquanto o acordo não se mostra furado e passe a exigir medidas adicionais como o “redução da oferta de ensino superior”, já se vai preparando o terreno. Se nada for feito tudo está ficando cada vez mais previsível.

O acordo não é o fim, é apenas o começo…

*Bruno Leonardo Barth Sobral é economista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

Reflexões dominicais sobre a dolorosa situação da Uenf como espelho do Brasil

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Por Luiz Henrique Moraes*

Hoje me deparei com uma lembrança que ocorreu no setor onde trabalho, em fevereiro deste ano.

No recesso da universidade onde trabalho como de costume uma aluna chegou e solicitou um nada consta do setor. Durante meses eu assinava este documento para liberar os alunos devido a sua colação de grau; diplomação; trancamento/cancelamento de matrícula. O intuito é liberar a situação do graduando ou graduado.

Nesta atribuição que em determinado dia uma moça chegou e me pediu o nada consta, primeiro perguntei se era para “colação de grau” mas a moça não respondeu enquanto preenchia o documento. Em poucos segundos percebi seu choro que prendia e ao flagrar tal situação lhe ofereci a cadeira para sentar e um copo de água para se acalmar. 

Nesta situação de desespero li no documento da menina que optava pelo “cancelamento da matrícula”. O que pensei em um milhão de coisas ao mesmo tempo. A levei para o corredor, orientei sobre o que tinha de fazer dali em diante e para acalma-la; falei que também tive de fazer o mesmo tempos atrás devido às dificuldades da vida, pois não é fácil largar um curso superior. Você batalha para ingressar e depois tem de deixar por vários problemas.

Foi uma situação dolorosa e que nunca vou esquecer. O desmonte da universidade pública, da Uenf e da Uerj, além da Faetec tem muito a ver com este descalabro. Os governos, nossas autoridades promovem o desmonte das políticas de ciências e tecnologia, e de inclusão social para os jovens, especialmente os mais vulneráveis. 

Cada soluço ouvido, cada lágrima observada, os olhos avermelhados e o seu semblante triste denunciam a desesperança, simbolizam o resultado de políticas nefastas que nos destroem por dentro. 

A Uenf não tem segurança, com muita dificuldade está funcionando, há falta de materiais básicos de higiene, limpeza e conservação. Materiais de escritório e para realização de pesquisas em laboratório. 

No entanto o pior é a saúde mental das pessoas, os recursos humanos da instituição. O choro preso significa algo doloroso. Também significa nossas fragilidades como ser humano, como cidadão, como pessoas na sociedade.

Naquele dia parei para pensar o que ela faria dali em diante. O país parou. Parou e não sabemos quando voltará a andar. Só digo que foi muito doloroso, até hoje.

*Luiz Henrique Moraes é servidor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e aluno do curso de Engenharia Ambiental do Instituto Federal Fluminense/ campus Guarus.

 

Em troca de duodécimos num futuro incerto, Reitoria da Uenf adere à universidade mínima do (des) governo Pezão

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Em resposta a um ofício enviado pela Associação de Docentes, o reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, enviou no final da manhã desta 3ª. feira um ofício onde objetivamente afirma que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) possui as condições mínimas de funcionamento (ver ofício abaixo).

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O problema crucial para que se entenda o que a reitoria da Uenf afirma serem as condições mínimas para funcionamento se refere aos exemplos oferecidos para corroborar essa posição.

As duas coisas que são oferecidas como exemplo de condições mínimas logo no primeiro parágrafo é de que o Restaurante Universitário estaria funcionando e de que os serviços de limpeza estariam sendo executados.  Essa é uma verdade parcial, a começar pelo fato de que muitos dos comensais já reclamam da queda na qualidade da comida. Além disso, o ofício omite o fato do pessoal disponível para limpeza foi reduzido drasticamente porque a empresa terceirizada que restou prestando serviços na Uenf não recebe os pagamentos devidos por quase 2 anos!  Além disso, as dificuldades para manter os prédios limpos com menos gente acaba causando uma jornada de trabalho mais penosa para os servidores que ainda prestam o serviço. Em outras palavras, servidores que já são normalmente precarizados nas condições laborais por serem terceirizados, agora ainda enfrentam a sobrecarga de terem que trabalhar mais, piorando assim sua condição de vida.

Mas a barra do mínimo necessária é colocada para baixo ainda mais quando o reitor da Uenf oferece o tipo de segurança que está sendo oferecido e o que está por ser oferecido. Nesse caso, o ofício afirma como elemento garantidor da segurança do Grupamento Ambiental da Guarda Municipal numa sala dentro do campus.  O problema é que a simples presença deste grupamento não garante nada, pois as funções do mesmo são diversas de prestar segurança dentro de um campus universitário. Além disso, a menção de que rondas frequentes (com qual frequência?) de radio patrulhas representam o oferecimento de “uma grande atenção” por parte da Polícia Militar ao campus Leonel Brizola!

Entretanto, mais precária ainda é a garantia da existência de um convênio cuja concretização ainda estaria dependendo de sua tramitação.  Esse convênio ofereceria o uso de uma radiopatrulha para cuidar do policiamento do campus Leonel Brizola e das unidades de pesquisa localizadas no Colégio Agrícola Antonio Sarlo. Assim, apenas para ir e vir de um ponto a outro, a viatura teria que percorrer 20 km em apenas uma viagem! Como a gasolina e a manutenção irão ser custeadas pela própria Uenf, não é difícil de compreender que esta será uma operação custosa e operacionalmente complexa. O ofício tampouco menciona o fato de que no convênio com a PMERJ consta a pré-condição de o campus Leonel Brizola estar totalmente iluminado no período noturno para que haja a ação de patrulhamento. Como hoje os chamados super postes existentes estão completamente apagados faz tempo, deixando grandes áreas do campus em completa escuridão, é pouco provável que o convênio seja cumprido no período noturno.

Outro aspecto em que a resposta oferecida deixa amplo espaço para dúvidas se refere à existência de insumos para atividades de ensino e pesquisa. Neste caso, o ofício reconhece que não existem recursos para compra de insumos, mas que verbas do convênio PROAP/CAPES estariam permitindo melhores condições de funcionamento aos programas de pós-graduação. A questão é que este convênio não apenas é uma espécie de cobertor curto já que o montante entregue pelo órgão federal é relativamente pequeno em relação às demandas dos programas de pós-graduação, especialmente no que se refere à compra de insumos.  Mas, além disso, o ofício é omisso em relação aos cursos de graduação, já que as verbas da CAPES não podem ser usadas para garantir o funcionamento dos mesmos.  Em outras palavras, se na pós-graduação há um aporte precário de verbas para viabilizar determinadas ações, enquanto na graduação nem isso.

Sobre a dívida que a Faperj possui com inúmeros pesquisadores e que hoje coloca em risco direto dezenas de projetos de pesquisa? Nisso o ofício é oportunamente omisso. Mas a informação corrente é que se até o final de 2017 não houver um aporte de custeio considerável, muitos projetos terão que ser completamente interrompidos simplesmente porque os aparelhos terão de ser desligados, interrompendo pesquisas essenciais para o desenvolvimento da ciência e da economia regional.

Para finalizar, o ofício aponta para a esperança que a reitoria da Uenf parece depositar na aprovação de uma lei que garanta os repasses orçamentários na forma de duodécimos seguindo o que se faz com o legislativo e o judiciário.   E para se lançar nessa cruzada é que a reitoria justifica a volta às aulas para trazer os estudantes de volta “para engajá-los” na luta. O problema é que para “engajar” no que efetivamente? Na prática em aulas meramente expositivas de conteúdos e expostos a crescentes riscos pessoais, especialmente os que frequentam o campus Leonel Brizola, a maioria mulheres, dadas as já citadas falta de iluminação e de presença de seguranças patrimoniais que até um ano atrás estavam nas diversas unidades do campus ao longo de 24 horas.

Esse ofício representa, lamentavelmente, uma adesão prática ao modelo de universidade mínima que o (des) governo Pezão preconiza. Afinal, o que a reitoria da Uenf está pedindo é que se volte a dar aulas sem quaisquer das condições mínimas que a universidade deveria ter para chegar perto do que o criador de seu modelo institucional, Darcy Ribeiro preconizava.

E que melhor situação para o (des) governo Pezão do que ter as universidades e a Faetec funcionando sem que ele autorize um mínimo de custeio básico e que o pagamento de salários seja feito apenas quando a pressão dos servidores comece a bater nas portas do Palácio Guanabara?

Pois bem, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que se a Uenf abraça o tipo de universidade mínima que está sendo tacitamente aceita pela sua reitoria, estaremos mais próximos do pagamento de mensalidades pelos estudantes e o corte de porcentagem dos salários de seus servidores, tal como aconteceu em Portugal.   O incrível é que a história da resistência a esse processo de elitização do ensino público superior foi dado ainda nesta semana pelo professor António da Nóvoa para um centro de convenções lotado. Pelo jeito, para muitos que ouviram a fala do professor Nóvoa e o aplaudiram de pé, tudo não passou de um gesto e apenas isso.

Felizmente, insisto que sempre há felizmentes para tudo, muita gente na Uenf não está disposta a abraçar a universidade mínima do (des) governo Pezão. E é com esses que vamos formar as trincheiras para defender a universidade de Darcy Ribeiro. E que cada um escolha como quer ficar marcado na história da Uenf.

Diga não à Universidade Mínima – Associações Docentes Estaduais em Luta!

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No dia 21 de Agosto representantes das diretorias e base da Asduerj, Aduezo, Aduenf e ADESFAETEC (seções sindicais do Andes-Sindicato Nacional) reuniram-se em plenária na Uerj Maracanã para decidir sobre os próximos passos da luta em defesa do ensino público, gratuito de de excelência.

Nos dias 08 e 11 de agosto, servidores, estudantes e sociedade intensificaram os atos de mobilização contra o desmonte do ensino público no Rio de Janeiro. Entre as exigências, o pagamento dos salários atrasados e o 13º de 2016. No dia 10 de agosto o banco Bradesco renovou o contrato da administração da folha de pagamento dos servidores. O que pode parecer um alívio, ao permitir o acerto de 3 meses de salários atrasados, é na verdade mais uma das ações desastrosas deste governo. Sem calendário de pagamentos e sem décimo terceiro (2016 e primeira parcela de 2017) o servidor ainda tem de ouvir do secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, que não há previsão para pagamento de agosto. A verdade que deve ser dita é que não há qualquer previsão de pagamento dos próximos meses. Além disto, as Universidades e FAETEC não têm as condições mínimas para retomar as aulas e a pressão para a adoção de um possível cotidiano de normalidade só deteriora as relações de trabalho e as possibilidades de realização de nossas tarefas de ensino, pesquisa, extensão.

Lutamos em unidade por compreender que os ataques visam o desmonte de nossas instituições de Ensino. E por compreender que nossos direitos não são negociáveis. Como servidores, exigimos um calendário orientado pela isonomia entre as categorias do funcionalismo. E dizemos não ao projeto de Estado Mínimo, em que investimentos na Saúde e Educação são vistos como “gastos” a serem cortados, e que tem como consequência o surgimento de uma Universidade Mínima, sem investimentos, sem custeio, sem plano de carreira, sem assistência estudantil e que busca ser financiada pela iniciativa privada ou com a cobrança de mensalidades. Por um ensino 100% gratuito, inclusivo e de qualidade.

Mais uma vez, e sempre que necessário, os docentes em luta do ensino superior estadual do Rio de Janeiro convocam todas e todos os defensores da Educação Pública a juntarem-se a nós na Defesa das Universidades Estaduais e da FAETEC!

DIA 23/08 – DIA DE ATOS UNIFICADOS NOS DIVERSOS CAMPI DAS IES: Maracanã, Campos, Campo Grande, São Gonçalo e Caxias

AS UNIVERSIDADES ESTADUAIS RESISTEM E REAGEM
UERJ UEZO UENF FAETEC FICAM
PEZÃO E TEMER SAEM

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/diga-nao-universidade-minima.html