Meu nome é Fundação do Rio Doce, mas pode me chamar de Tango da Impunidade

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A notícia abaixo foi publicada pelo jornal Gazeta de Vitória e repercute uma nota que o jornalista Lauro Jardim publicou em sua coluna no jornal O GLOBO neste domingo (14 de fev.) e nos dá conta de que a Samarco (aliás Vale e BHP Billiton) teriam fechado um acordo com o governo federal para criar uma fundação que cuidaria da recuperação do Rio Doce nos próximos 10 anos.

Algumas questões saltam aos olhos nesse acordo de pai para filho que está sendo firmado com as mineradoras que causaram o TsuLama:

  1. as mineradoras só estão se comprometendo em colocar R$ 2 bilhões numa fundação que elas mesmas controlarão, e que será “fiscalizada” pelo governo federal. 
  2. as mineradoras é que indicarão os dirigentes desta fundação, garantindo que pessoas amigas fiscalizem a entrada e o uso dos recursos.
  3. há uma previsão de 10 anos para a recuperação do Rio Doce, período esse que não se sabe como foi calculado e sob quais parâmetros. Se levarmos em conta, por exemplo, tudo o que já foi prometido de investimento em termos de despoluição da Baía da Guanabara, uma década para recuperar os ecossistemas afetados pelo TsuLama soa, no mínimo, extremamente otimista.

A verdade é que este acordo de pai para filho é um péssimo sinal do descompromisso que o governo federal tem com a recuperação do Rio Doce e com a punição exemplar das mineradoras.  É que está mais do que claro que a criação de uma fundação a ser controlada pelas mineradoras não passa de um indulto prévio a todos os danos que foram causados pelo TsuLama da Samarco, social e ambientalmente.

Em outras palavras, a presidente Dilma Rousseff dança o tango da impunidade com a Vale, que não podemos esquecer, lhe entregou polpudos recursos para a campanha de sua reeleição. E na política como na música vale o lema de quem paga a banda, escolhe a música. E no caso a música que está ecoando é o tango da impunidade. E como dizem os espanhóis, Vale!

Samarco e governo vão anunciar criação da Fundação Rio Doce

A Fundação Rio Doce terá gestores indicados pelas empresas, mas será fiscalizada pelo governo

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Está praticamente fechado o acordo para a criação da Fundação Rio Doce, bancada pela Samarco (ou seja, Vale e BHP) para a recuperação do Rio Doce e compensação econômica das vítimas da tragédia de Mariana — um trabalho previsto para durar uma década. A informação foi divulgada neste domingo pelo jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

A Fundação Rio Doce, que terá gestores indicados pelas empresas, mas será fiscalizada pelo governo, será anunciada na semana que vem.

As minutas dos contratos já foram enviadas pela AGU a todos os envolvidos, que passam este fim de semana analisando os detalhes finais.

Faz parte da pactuação a volta da Samarco à operação até o final deste ano. A fundação surge com R$ 2 bilhões de recursos garantidos para os dois primeiros anos.

A partir daí, as mineradoras abastecerão os cofres da fundação com quantias a serem acordadas entre MP, governos estaduais e Ibama sobre bases já previamente definidas.

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/02/noticias/cidades/3928735-samarco-e-governo-vao-anunciar-criacao-da-fundacao-rio-doce.html

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