O negacionismo climático de Ricardo Salle serve a interesses explícitos

Ricardo-Salles-e-Tereza-Cristina

Ricardo Salles, mostrado ao lado da ministra Tereza Cristina em visita à área indígena onde ocorre cultivo ilegal de soja, associou Alemanha ao nazismo em reação a crítica de jornalista da Voz da Alemanha.

O ainda ministro (ou como diz o jornalista Bernardo Mello Franco, o antiministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, vem repetindo uma afirmação que só pode decorrer de uma opção pelo desconhecimento ou, pior ainda, de cinismo frente ao conhecimento existente em relações às mudanças climáticas globais.  É que em uma de suas declarações sobre as mudanças climáticas, Ricardo Salles afirmou a seguinte pérola: ” o clima “deve ser tratado no âmbito da academia, pela … e o poder público, para ser eficienteprecisa “cuidar de problemas tangíveis“. 

O problema é que ao se posicionar de forma que claramente nega a importância das mudanças climáticas, o que Ricardo Salles está fazendo é propositalmente ignorar não apenas o que já estabelecido pela imensa maioria da comunidade científica que estuda o assunto, mas que os tais problemas tangíveis serão fortemente agravados com o estabelecimento de novos padrões climáticos que deverão ser marcados pela frequência de eventos atmosféricos de alta intensidade.  Um exemplo recente de como os mais pobres sofrerão efeitos desproporcionais das mudanças climáticas foi a passagem do ciclone Idai que devastou regiões inteiras de Moçambique, tendo causado centenas de mortes e a destruição de 500 mil hectares de plantações.

ciclone idai

Passagem do ciclone Idai causou forte destruição e grande número de perdas humanas na região central de Moçambique.

Mas a verdade é que para constatar problemas “tangíveis” associados aos novos padrões atmosféricos associados às mudanças climáticas Ricardo Salles não precisaria nem sair de Brasília. É que no dia de ontem (21/04), no dia do aniversário de Brasília, a região do Distrito Federal foi palco de uma tempestade que inundou rapidamente bairros após uma hora de duração. Entre as áreas mais afetadas está o campus da Universidade de Brasília (UNB) que fica bastante próximo da sede do Ministério do Meio Ambiente (ver vídeo abaixo mostrando a inundação de um auditório da UNB).

Assim, que ninguém se engane, o ainda ministro (ou antiministro) do Meio Ambiente não está dando de ombros para as evidências de que as mudanças climáticas são um fato real e que afetarão com mais dureza os mais pobres por falta de conhecimento ou de provas empíricas próximas de seus olhos. 

A questão é muito clara: Ricardo Salles nega a necessidade urgente do Brasil ter políticas que nos preparem para as inevitáveis catástrofes que se abaterão sobre o território nacional em função de novos padrões climáticos, os quais serão marcados por sua forte intensidade. Ricardo Salles opta por um discurso que, como eu já disse, oscila entre o desconhecimento e o cinismo, para garantir os interesses de quem o colocou em um cargo para o qual ele claramente não possui a devida capacitação.  E eu falo aqui das mineradoras e do latifúndio agro-exportador cujos líderes defendem abertamente a liquidação do sistema nacional de proteção ambiental, ainda que isto venha a ser obtido a um custo incalculável seja econômica ou socialmente. 

Como já escrevi várias vezes e já declarei em entrevista ao jornal português Diário de Notícias, estamos sob a égide de governantes  que são caracterizados por suas posturas acientíficas ou anticientíficas.  Mas é importante lembrar que o são assim por terem propósitos que vão de encontro à modelos de exploração econômica que não desprezam o conhecimento científico já estabelecido em torno das mudanças climáticas e seus efeitos. E sse é exatamente o caso de Ricardo Salles, o que torna a sua permanência no MMA um risco continuado ao meio ambiente e as instituições criadas para fazer o oposto do que deseja o ainda ministro do Meio Ambiente.

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