Reforma da previdência: sindicatos franceses fazem, o que os brasileiros não fizeram

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A matéria abaixo é da Rede e Televisão de Portugal (RTP) sobre o poderoso movimento de greve que vem ocorrendo na França em função da apresentação de um projeto de reforma da previdência dos trabalhadores franceses.

A RTP enfatiza que até mesmo a principal central sindical francesa, a CFDT, de perfil mais moderado está participando ativamente das mobilizações que podem se estender até o período natalino, fato esse que poderia causar graves danos à economia da França.

A primeira vitória do primeiro dos trabalhadores foi a queda do mentor das reformas, o neoliberal Jean-Paul Delevoye, o que deverá aumentar ainda mais as dificuldades políticas de Emmaneul Macron para aprovar a reforma pretendida, que se ressalte é bem mais moderada do aquela aprovada no Brasil.

Mas a diferença é que, ao contrário daqui, ainda existem centrais sindicais que se orientam pela luta em defesa dos trabalhadores. Melhor para os trabalhadores franceses, certeza!

 

França. Greve continua, ministro demite-se

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Por RTP

Ao décimo segundo dia do movimento grevista, o autor do plano para alterar as pensões de reforma renunciou à sua pasta ministerial no Governo presidido por Emmanuel Macron.

Segundo a Agência France Presse, a demissão do “Senhor Reformas”, como é conhecido o ministro Jean-Paul Delevoye, foi aceite “com pesar” pelo presidente da República, Emmanuel Macron.

Delevoye, de 72 anos, encontrava-se em posição insustentável, não só devido à forte contestação social contra as suas concepções estritamente neo-liberais, mas também devido à revelação de actividades profissionais não declaradas por ele próprio e configurando clares conflitos de interesses.

A demissão do arquitecto das alterações legislativas referentes ao sistema de pensões vem agravar a fragilização do Governo perante um movimento grevista que vai a caminho da segunda semana e que agora se receia venha colidir com os festejos de Natal.

A ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne, declarou que “fazer greve é legítimo, mas pode-se respeitar momentos como as festas de fim do ano, em que toda a gente quer encontrar-se com a família”. E, acto contínuo, acusou os grevistas de irresponsabilidade por “estragarem as férias dos franceses”.

A demissão de Delevoye ocorre na véspera de mais um dos momentos altos do movimento grevista, que será amanhã, terça feira, com o alargamento das greves sectoriais, especialmente no sector dos transportes, a mais uma jornada de greve geral.

Nesse movimento participa mesmo a CFDT, principal central sindical, desde sempre conhecida pela sua moderação reformista.O secretário-geral da CFDT, Laurent Berger, considerou hoje que “o Governo comete um erro profundo em termos de justiça social e também um erro político profundo se persistir [nesta via]”.

Embora Berger tenha admitido uma trégua de Natal no movimento grevista, Philippe Martinez, o líder da outra central sindical, CGT, avisou que o movimento irá prosseguir a não ser que seja retirado o projecto legislativo do ministro demissionário.

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