Com a demissão de Mandetta vem por aí a subnotificação da subnotificação

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A mais do que anunciada demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS), poderá se concretizar nas próximas horas.  Mandetta sairá do ministério com um dos menores índices de testagem para a infecção do coronavírus no mundo, e, com isso, deixará (caso sua demissão seja confirmada) o Brasil sem uma política clara de enfrentamento da difusão exponencial da COVID-19. Em que pese as supostas refregas com o presidente Jair Bolsonaro, esse será o real legado de Mandetta.

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Número de testes para detecção do coronavírus no Brasil é irrisório e dificulta a coordenação ao controle e combate da pandemia

Mas como no Brasil as coisas sempre podem piorar, há que se ver quem será indicado para preencher o cargo hoje ocupado por Mandetta. É que apesar de fraco e compromissado com os setores privatistas da saúde brasileira, Mandetta acabou se sobressaindo no mar de incompetências que caracteriza o ministério formado por Jair Bolsonaro.  Em outras palavras, o ministro da Saúde acabou se tornando um rei porque tem pelo menos um olho nesse pandemônio em que o sistema político brasileiro se tornou. Outros ministros que antes eram tidos como o filé mignon do ministério de Bolsonaro simplesmente saíram de cena para preservar a própria pele, sendo Sérgio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Fazenda) os principais exemplos dessa postura de desaparecimento em momento de crise aguda. Agora, perigamos ver não apenas um negacionista da pandemia assumindo o cargo, mas alguém que se dedicará a dificultar ainda mais aquilo que Mandetta já tornou difícil.

Falo aqui da correta identificação do número de infectados e óbitos associados à infecção pelo coronavírus.  Essa será uma manobra óbvia que um ministro alinhado à visão negacionista de Jair Bolsonaro deverá realizar.  Mas também deverá ter dificuldades maiores ainda para a realização de testes para a verificação da infecção pelo coronavírus. Esses dois passos criarão em um primeiro momento o reforço de que o problema não é tão grave quanto cientistas e médicos tentam demonstrar, e, depois, uma aceleração exponencial da pandemia em todo o território nacional.

O problema é que como em países onde a COVID-19 já ceifou milhares de vida também no Brasil será difícil ocultar os milhares de cadáveres que vão ser geradas por uma política intencional de negligenciar um vírus cuja letalidade está mais do que demonstrada.  Com isso, saíremos do negacionismo para uma profunda crise política, a qual se encontrará com uma forte recessão econômica.

cemitério© FELIPE RAU/ESTADAO Enterro no cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo 

Todo esse cenário reforça a necessidade de que se dissemine o mais amplamente possível a falaciosidade dos embates dentro do governo Bolsonaro em relação a essa pandemia. Todo meio de esclarecimento nesse processo deverá ser utilizado, pois ampliar a informação sobre a situação que realmente enfrentamos será fundamental para se alcancem soluções que, por um lado, minimizem o número de mortos e, por outro, preparem uma resposta organizada aos ataques aos direitos sociais e trabalhistas que estão sendo realizados enquanto grassa a confusão gerada propositalmente acerca da necessidade de enfrentar com a devida seriedade a pandemia que nos ameaça.

 

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