IPAM: incêndios na Amazônia não se concentram em áreas já exploradas

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O governo tem tentado minimizar a dimensão das queimadas usando alguns agentes da Embrapa que afirmam que 90% dos focos de calor registrados na Floresta Amazônica em 2019 ocorreram em áreas já desmatadas, o que dissociaria essas ocorrências da derrubada de novas áreas no mesmo período. O IPAM mostrou que esse número não se sustenta.

Segundo relata André Borges no Estadão, uma nota técnica do IPAM mostra que, em 2019, 30% dos focos registrados na Amazônia foram incêndios em áreas protegidas, e 34% estiveram associados a desmatamentos recentes. A maior parte (36%) esteve de fato relacionada com manejo agropecuário, mas em uma proporção muito abaixo da apontada pela Embrapa. “Pode-se observar pouca variação proporcional entre 2016 e 2018 (média de 42%), mas a taxa cai em 2019, para 36%, devido ao aumento do fogo em área de desmatamento recente”, afirmaram os pesquisadores responsáveis pela nota à reportagem.

O argumento levantado pelo governo ressalta o principal problema enfrentado por Mourão e equipe na atual crise Amazônica: enquanto o desafio das queimadas e do desmatamento exige ação concertada, planejada e efetiva, Brasília oferece respostas improvisadas e dissociadas de experiências passadas bem-sucedidas.

No Valor, Daniela Chiaretti destacou as impressões de Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atualmente no Observatório do Clima (OC), que defende que o governo retome o Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), a “principal ferramenta” que permitiu ao Brasil controlar as taxas de desmatamento em gestões passadas. Ela apontou também que a solução dessa questão passa pela “reversão do discurso governamental do presidente Bolsonaro, do ministro Ricardo Salles e de outras autoridades, de falar contra a fiscalização ambiental, deslegitimar os fiscais e as sanções ambientais”.

Em tempo: A alta das queimadas na Amazônia registrada em julho foi destaque na imprensa internacional nos últimos dias. Veículos como BBC News, The TimesReutersDeutsche WelleAssociated PressPhysAFP e Al-Jazeera, entre outros, repercutiram essa informação no exterior.

fecho

Este artigo foi inicialmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

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