O negacionismo científico do governo Bolsonaro precisa ser derrotado

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O negacionismo científico é uma marca do governo Bolsonaro: seja no controle da pandemia da COVID-19 ou no combate às queimadas e no desmatamento na Amazônia

Amanheci esta 3a. feira (22/09) lendo um interessante artigo assinado por Mercedes Bustamante, professora titular do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília e membro da Academia Brasileira de Ciências, no Direto da Ciência, onde ela nos prevenia sobre os riscos da negação da ciência sobre as chances do Brasil ter um futuro minimamente melhor do que o seu presente.

O artigo da professora Bustamante era uma espécie de sobreaviso para o conteúdo da fala do presidente Jair Bolsonaro na abertura da assembléia geral da ONU, e ela acertou no alvo. Em mais das falas que desafiam fatos evidentes, o presidente brasileiro ligou as gigantescas queimadas ocorrendo na Amazônia e no Pantanal aos hábitos de índios e pequenos agricultores que, nessa versão fantasiosa da realidade, apenas lutam pela sua sobrevivência.

Não tivéssemos visto cenas de aldeias sendo queimadas no Mato Grosso por incêndios provavelmente criminosos iniciados em grandes fazendas, nós poderíamos até ter um segundo de dúvida. Mas como a própria Polícia Federal já sinalizou para a ocorrência de incêndios criminosos na incineração de áreas inteiras do Pantanal, as alegações proferidas para o resto do mundo via um púlpito eletrônico por Jair Bolsonaro só servem mesmo para piorar a sua pessoal e a do Brasil enquanto um país cuja economia cada vez mais retrocede no tempo para se tornar dependente da exportação de produtos primários para gerar divisas em moedas fortes.

Mas um aspecto que precisa ser reforçado nessa atuação do presidente brasileiro é o cerco que está sendo montado contra as universidades federais, seja pelo encurtamento dos orçamentos ou pela indicação de reitores não eleitos pelas comunidades universitárias.  Esse cerco visa objetivamente cercear a liberdade de produção de conhecimento científico, de forma a possibilitar que a narrativa anti-científica explicitada na fala de hoje por Jair Bolsonaro se torna a única aceitável.

Prever que isto aconteceria foi fácil, tanto que já em em 11 de janeiro de 2019 (11 dias após o início do governo Bolsonaro), concedi uma entrevista ao jornal lisboeta Diário de Notícias, onde afirmei que a ciência brasileira estava sob ataque ideológico por parte da administração recém instalada em Brasília.  Mas se o ataque estava mais do que previsto, a pergunta que se coloca de forma cada vez mais candente é a seguinte: por que até a defesa da ciência brasileira não se tornou um ponto central na ação dos partidos políticos que operam no congresso nacional, estejam eles em que ponto da matriz ideológica estejam (com exceção é claro daqueles que sem nenhum pudor formam a base bolsonarista)? 

É que tão evidente que o ataque à ciência viria por parte do governo Bolsonaro é a necessidade de que haja a devida defesa dos cientistas brasileiros. É que sem ciência, o Brasil cada vez mais irá trilhar um futuro cada vez mais parecido com suas origens de colônia de exploração portuguesa, só que agora pelas mãos das potências que emergiram desde então.

Então a questão que está posta diante de todos é muito simples: ou se derrota o negacionismo científico do governo Bolsonaro ou voltamos a ser colônia de exploração.  Então qual vai ser o caminho que permitiremos que seja adotado pelos negacionistas que hoje governam o Brasil?

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