Observatório dos agrotóxicos: em dois atos, governo Bolsonaro aumenta tsunami de agrotóxicos no Brasil

bolso-agrotoxicos

Enquanto o fogo consome a Amazônia e o Pantanal e quase 140 mil brasileiros já morreram por causa da COVID-19, o governo Bolsonaro segue sua marcha firme de liberações de agrotóxicos, com a publicação dos Atos 51 e 55  de 2020 por meio dos quais mais 45 agrotóxicos foram autorizados para comercialização no Brasil, totalizando 323 venenos agrícolas liberados apenas em 2020. Com isso, o grande “total” de produtos liberados em pouco mais de 20 meses de governo Bolsonaro chega a incríveis 826 agrotóxicos.

pais de origemPaíses que sediam indústrias que fabricam os agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro em 2020

Essa nova rodada de aprovações reforça o papel da China como principal produtora dos agrotóxicos consumidos pelo Brasil, sendo que o gigante asiático concentra 51,7% de todo os produtos liberados pelo governo Bolsonaro. Este dado reforça a relação simbiótica entre o latifúndio agro-exportador brasileiro e a China. É que não apenas a China é a principal compradora da soja, justamente a commodity que mais precisa dos agrotóxicos “Made in China” para se tornar viável.

Outro aspecto recorrente é aprovação de agrotóxicos proibidos pela União Europeia em uma proporção costumeira de 30%.  Aí estão incluídos produtos como a Ametrina, o Fipronil e o Tiametoxam.  Outros produtos controversos como o Dicamba e o Glifosato continuam sendo aprovados em que pesem todos os problemas de regulação que estão enfrentando nos EUA, que possui uma legislação comparativamente mais flexível do que a adotada pela União Europeia.

Um detalhe que emerge das análises que tenho feito sobre a produção dos agrotóxicos que estão sendo aprovados no Brasil é que empresas europeias como Basf, Bayer e a própria Syngenta estão deslocando a produção de determinados venenos não apenas para a China, mas também para países dentro da União Europeia como Espanha e Itália, provavelmente com um mecanismo de escapar de mecanismos regulatórios mais estritos já existentes na Alemanha e Suíça para produtos banidos nestes países , mas que continuam sendo produzidos por corporações sediadas nestes países.

No tocante à toxicidade desses produtos, as recentes mudanças realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para mudar os critérios de impacto sobre a saúde humana acabaram criando uma situação que é, no mínimo, curiosa. É que para todos os produtos aprovados nestes dois atos, a toxicidade humana é menor do que a ambiental. Em outras palavras, produtos reconhecidamente tóxicos e que estão banidos em outros países justamente pelos seus danos à saúde humana como é o caso da Atrazina e do Acefato, no Brasil agora passaram a ser mais perigosos para o meio ambiente do que para os seres humanos.

Mural Virtual - Educação Ambiental: CHUVA DE VENENO AMEAÇA PARQUES NACIONAIS

Enquanto isso as chamas incineram as florestas da Amazônia e os animais do Pantanal para abrir mais caminho para os venenos que estão sendo liberados pelo governo Bolsonaro. E com isso, claro, teremos mais veneno nos nossos rios, na água que consumimos e na comida que ingerimos. 

Para acessar a planilha contendo os agrotóxicos liberados pelo Ato 51, basta clicar [Aqui] .

Para acessar a planilha contendo os agrotóxicos liberados pelo Ato 55, basta clicar [Aqui!] .

Para acessar a planilha contendo todos os agrotóxicos liberados em 2020, basta clicar  [Aqui!].

 

 

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