A minha 2a. dose de Astrazeneca e o direito que foi negado a 527 mil mortos por COVID-19 no Brasil

No início da tarde desta quarta-feira (07/07) tive acesso à segunda dose da vacina Astrazeneca/Oxford, completando o meu ciclo inicial de imunização contra uma possível infecção pelo coronavírus. Essa etapa me propicia continuar enfrentando os riscos da pandemia da COVID-19 com mais chances de sobreviver, visto que as vacinas (seja qual for a “marca”) nos propiciam melhores condições de defesa contra um vírus letal. Nesse sentido, me sinto aliviado porque poderei conviver com mais segurança com todos os que me relaciono no dia a dia.

2a dose

Entretanto, não posso me esquecer de que até ontem,  cerca de 527 mil brasileiros já tinham tido suas vidas ceifadas por terem contraído a COVID-19, muito em função da verdadeira sabotagem oficial por parte do governo Bolsonaro na aquisição de vacinas que pudessem ter propiciado um processo de imunização em massa dos brasileiros. Agora, graças à CPI da COVID-19, sabemos que muito dessa demora se deveu não ao negacionismo científico do presidente Jair Bolsonaro, mas a outros problemas de natureza pecuniária, incluindo a existência de um mercado paralelo de vacinas superfaturadas.

Assim, o fato de estar nos meros 13% de brasileiros que se encontram com sua imunização inicial concluída não apaga o fato de que não posso deixar de lembrar que poderíamos ter avançado muito mais se determinados interesses (e friso novamente, de natureza pecuniária) não tivessem sido sobrepostos ao direito de todo brasileiro de ter acesso à vacinas contra COVID-19 em um ritmo muito mais acelerado do que estamos tendo até agora.

Entretanto, lembrar os mortos pela COVID-19 em função do atraso proposital e interessado do processo de vacinação é pouco. Nós que fomos imunizados temos é que cobrar que a mão pesada da justiça seja colocada nos ombros dos que permitiram que a tragédia que presenciamos neste momento no Brasil pudesse ocorrer.  Se tiver que ser no Tribunal Penal Internacional, que seja.

Finalmente meus agradecimentos à Maria José que, curiosamente, foi quem aplicou as duas da vacina em mim. Na figura dela agradeço a todos os trabalhadores do SUS que estão na linha de frente do combate à pandemia da COVID-19 no Brasil. A todos essas pessoas singulares, o meu agradecimento. Viva o SUS!

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