Sentindo a derrota no ar, Rafael Diniz, o “Exterminador do Futuro” convida Wladimir Garotinho para debate “solo”

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No dia 30 de Setembro de 2017, postei uma análise onde eu arriscava dizer que a “guerra aos pobres” que havia sido realizada pelo jovem prefeito Rafael Diniz em seus primeiros meses de governo ultraneoliberal estaria assegurando que o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho pudesse rapidamente se recompor e “ressurgir das cinzas” no plano político municipal.

Pouco mais de 3 anos desde aquela postagem, eis que minha análise está mais do que materializada, com amplas chances de que Wladimir, o primogenito de Anthony Garotinho, venha a ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes. Essas amplas chances não estão vindo de nenhuma pesquisa feita por algum instituto de pesquisa pouco conhecido, mas do que ouço nas ruas e praças da cidade que um dia acreditou que a mudança viria pelas mãos do neto daquele que foi destronado como principal cacique político de Campos dos Goytacazes pelo próprio Anthony Garotinho.

Deixando de lado as idiossincrasias das disputas intra- e inter-oligarquias, me ponho a analisar o vídeo abaixo, produzido pela campanha de reeleição de Rafael Diniz, que representa um misto de desespero e espertice (porque não se trata de esperteza), onde o prefeito em exercício chama para um debate “mano a mano” o candidato que parece estar concentrando as preferências populares neste momento.

Não fosse Rafael Diniz o perpetrador de um dos maiores estelionatos eleitorais da história da política brasileira, eu até sentiria um mínimo de simpatia por sua ação claramente desesperada de tentar criar uma polarização que inexiste neste momento, visto que ao que se sabe o prefeito, que prometeu trazer a mudança e trouxe o extermínio das políticas sociais, não é de perto o candidato com maiores chances de enfrentar Wladimir Garotinho em um eventual segundo turno.

Mas qualquer inclinação à simpatia cessa quando se vê que além de tentar criar uma falsa polarização, Rafael Diniz simplesmente joga na lata do lixo todos os outros candidatos habilitados ao pleito, o que é claramente um gesto antidemocrático que não pode ser tolerado sob o risco de termos outros ainda mais perniciosos ao amadurecimento da nossa frágil democracia. A estas alturas do campeonato e dado o pântano em que ele afundou a gestão municipal, Rafael Diniz deveria ser o primeiro a exigir que todos os candidatos habilitados possam participar de todo e qualquer debate que venha a ocorrer. Seria, considero, pelo menos um gesto de grandeza por parte daquele que até agora só se apequenou na posse de um mandato que lhe foi entregue de forma avassaladora pela imensa maioria da população.

Mas é difícil esperar gestos de grandeza de quem acabou com todas as políticas sociais herdadas de diferentes governos, após ter prometido durante a campanha vitoriosa que não só as manteria, mas que também as aprimoraria. 

Finalmente, estranho esse convite intempestivo de Rafael Diniz, pois lembro que há um debate marcado com todos os 11 candidatos ao cargo de prefeito de Campos dos Goytacazes e que deverá ocorrer no dia 05 de novembro,  sob os auspícios do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc). Ao lançar seu convite para um “mano a mano” com Wladimir Garotinho, Rafael Diniz parece estar dizendo que esperar o dia 05 de novembro pode ser tarde demais para ele sair do pântano em que se afundou.  De certa forma, sou obrigado a concordar com o jovem prefeito.

André do Rap e os milhares de brasileiros esquecidos nas masmorras

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Tenho visto muita gente boa gastando seus neurônios discutindo a libertação (legal é preciso que se diga) de André Oliveira Macedo, mais conhecido como André do Rap, após o Ministério Público (MP) não apresentar a sua denúncia dentro do prazo estipulado pela legislação vigente.  

O problema para mim não é que a legislação foi cumprida no caso de André do Rap, que possuía advogado constituído para obter justamente sua libertação em face do descumprimento de prazos pelo MP.  Podemos até questionar a origem dos recursos que pagam o pró-labore do advogado de André do Rap, mas ele conseguiu legalmente o que a legislação permite. E lembremos uma legislação que foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro que recusou ouvir o então ministro da Justiça, o hoje ostracizado ex-juiz Sérgio Moro.

Se o problema para mim não é a libertação de André do Rap, qual é então o problema? É que, ao contrário dele que pôde pagar um advogado que conseguiu que ele saísse calmamente da prisão pela porta de frente, hoje existem milhares de brasileiros pobres que mofam em masmorras superlotadas e insalúbres, sem sequer ter sua culpa estabelecida, quanto menos uma denúncia apresentada contra eles. E isso tudo, lembremos, em meio a uma pandemia letal que tem imposto o isolamento social como uma das únicas medidas eficientes para conter sua disseminação.

Assim, pode-se até reclamar de que um determinado indivíduo de periculosidade manifesta possa ter sido beneficiado por um dispositivo legal. Mas o que não pode ser aceito é cair no canto das Cassandras enraivecidas que querem cassar o dispositivo usado, sem sequer mencionar a situação de total abandono em que se encontram esses milhares de brasileiros, a maioria pobre e negra, que não possuem os mesmos mecanismos de garantir que a lei seja cumprida para eles. Essa deveria ser a questão a ocupar a mente dos que querem uma sociedade diferente do que a que temos.

Precisa desenhar?

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Por José Luis Vianna da Cruz*

Neste período eleitoral, está-se consolidando, em Campos dos Goytacazes, algo muito importante, em termos de cultura política.

Estamos assistindo o amadurecimento da participação de alguns personagens e de alguns instrumentos, em meio a um contexto atípico, que é o de uma campanha eleitoral em meio a uma pandemia que obriga ao afastamento físico e ao recolhimento das pessoas.

A constituição de Campos enquanto Cidade Universitária, com mais de 20 mil estudantes, das mais diferentes partes do Brasil, possibilitado pelo SISU e pela interiorização do ensino superior, vem mudando o cenário da cena política. Entram em cena um número maior de jovens, de coletivos formados em torno das questões de gênero, de orientação sexual, de raça, além de outros, como dos artistas de rua, da dança e da pintura, da poesia do slam e do rap. Fortalecem-se partidos vinculados mais estreitamente a essas manifestações, como o PSOL e o PT.

São iniciativas ainda dispersas, às vezes fragmentadas, não ainda soldadas em uma articulação em torno de convergência e potencialização da ação política voltada para a participação na política institucional, como na Prefeitura e na Câmara. Mas, sem dúvida, adicionam oxigênio ao ar que se respira, oferecendo aberturas, diversidade, criatividade, liberdade, autonomia e ampliação dos horizontes da sociabilidade e de poder. Anunciam um novo horizonte de cidadania e de ação política.

Mas, a Cultura Universitária que se consolida em Campos tem também contribuído para uma profunda transformação, às vezes imperceptível para uma parcela tradicional da população, refém das tradições e vícios da política de favores, clientelismos, coronelismos, elitismos e autoritarismos diversos. O campo popular dos trabalhadores mais afetados pela dominação conservadora, elitista, discriminatória, preconceituosa, exploradora e concentradora, de Campos, cresce, invade a cena política, ganha protagonismo, e ocupa espaço público, penetrando na agenda da universidade, de segmentos da população fora dos espaços estritamente políticos e acadêmicos, e, afortunadamente, de alguns candidatos à Prefeitura e à Câmara e Vereadores!

Trata-se das Trabalhadoras em Recicláveis e dos Produtores da Agricultura Familiar. Falam por si, têm voz própria, são portadoras e portadores de experiência, de conhecimento e construtores de uma economia eficiente; têm projetos e propostas de política pública. São gestores, senhores e condutores das suas atividades. Por serem excluídos, discriminados, invisibilizados, apartados e hostilizados pelos Poderes Públicos Locais, tiveram que buscar seus próprios caminhos. São apoiados e formados nas lutas e nas articulações dos companheiros, nos movimentos e organizações próprias e de apoio, como nos casos aqui analisados, o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis e no MST, mas não somente nessas organizações, que são nacionais, estaduais e municipais.

Eles sistematizaram suas experiências, seus conhecimentos, e construíram atividades sólidas e eficientes, principalmente no que diz respeito aos valores da sociabilidade, da cidadania, da democracia, da justiça social, ambientais e da segurança alimentar. Souberam construir suas alianças com as universidades, com pesquisadores, técnicos, acadêmicos, estudantes, intelectuais, artistas, segmentos da mídia, principalmente.

Sua ação hoje é pública, visível, exigindo reconhecimento e ação social e política de construção e efetivação de políticas públicas que enfrentem questões candentes, que nossas elites teimam em ignorar, hostilizar e invisibilizar.

PRECISA DESENHAR a urgência em elaborar, com o protagonismo dos Produtores Familiares, a POLÍTICA MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR, que fomente a rede de mais de mil famílias, na produção e comercialização de alimentos, em grande parte agroecológicos?

PRECISA DESENHAR a urgência em elaborar, com o Protagonismo das Catadoras e dos Catadores de Recicláveis, o PLANO MUNICIPAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS, previsto em Lei Federal, que contrate as cooperativas, conforme ORDEM JUDICIAL já existente?

O MUNICÍPIO ESTÁ QUEBRADO. Essas e outras Políticas ECONOMIZAM GASTOS DA PREFEITURA com a empresa de coleta de lixo atual e com a compra de alimentos no Espírito Santo. Fazem CIRCULAR DINHEIRO na economia do município, ao invés de ir para fora. Consolidam MILHARES DE EMPREGO, imediatamente. AUMENTAM A ARRECADAÇÃO MUNICIPAL, pela movimentação de insumos, transporte, equipamentos, comercialização, pontos de venda, beneficiamento, etc.

Se são políticas tão positivas, de resultados imediatos, que ajudam a administrar o Orçamento, por quê a maioria dos candidatos a Prefeito e a Vereador, evitam tratar delas? Faço a ressalva de que os candidatos a prefeito, e alguns do PT, do PSOL e do PC do B, já se comprometeram com elas.

Se os demais discordam, porque fogem do debate? Porque não explicitam suas divergências? Quero saber o que têm contra essas políticas? Rafael Diniz se mostrou totalmente contrário. E os demais? São como ele?

Será que estão envolvidos com interesses inconfessáveis, com os quais estariam comprometidos; interesses esses que prejudicam as finanças municipais, e por isso eles não se pronunciam, ligados a grandes empresas que concentram a renda e retiram as oportunidades de trabalho e renda dos trabalhadores e produtores familiares? É por isso que preferem defender o ajuste fiscal radical, demissão de servidores, ao invés de rever contratos e cortar certas despesas, para gerar emprego e renda, e, com isso comprometer nosso orçamento e o desenvolvimento de Campos?

Ou, quem sabe, são contra essas políticas de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras de recicláveis e da agricultura familiar, assim como os demais trabalhadores, porque são conservadores, preconceituosos, elitistas, e favoráveis à exploração e à manutenção desses trabalhadores no limite da sobrevivência, com baixíssimos rendimentos e condições de vida precárias?

PRECISA DESENHAR?

*José Luís Vianna da Cruz é professor aposentado da UFF e professor permanente do Programa de Mestrado e  Doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades, da Universidade Candido Mendes/Campos dos Goytacazes.

Após fracasso contra queimadas, Salles defende uso de retardantes químicos

Uso na Chapada dos Veadeiros (GO) expôs população e meio ambiente a riscos desconhecidos

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu hoje (13/10) na Comissão do Pantanal no Senado o uso de produtos químicos para retardar queimadas em áreas silvestres no Brasil. Dias antes, no sábado (10/10), ele teria ordenado o uso dessas substâncias na Chapada dos Veadeiros (GO) em uma área onde os incêndios já estavam praticamente controlados. Apesar da alegada segurança, essa aplicação está obrigando os moradores locais a não consumirem água, nem pescarem ou comerem vegetais expostos aos retardantes por impressionantes 40 dias.

Essa verdadeira quarentena justifica-se porque faltam estudos sobre o impacto dessas substâncias nas vegetações brasileiras. Também não há combatentes de fogo treinados para aplicar o produto, e sem uma regulamentação específica sobre o tema, o uso indiscriminado de retardantes químicos em áreas de floresta é proibido.

A informação sobre a falta de conhecimento sobre os impactos dos retardantes de chama nos biomas brasileiros está na nota técnica elaborada em 2018 pela Coordenação de Avaliação Ambiental de Substâncias e Produtos Perigosos do Ibama, único documento federal que trata do uso de retardantes químicos em áreas de mata no país. O laudo analisa produtos quanto à toxicidade e ao impacto ambiental e confirma a inexistência de lei para disciplinar o uso desses materiais em área de selva. O documento destaca, por fim, a necessidade de proteger cursos d’água durante aplicação, independentemente da composição do retardante. 

Na noite do feriado de 12 de outubro, o Ibama emitiu uma nota à imprensa em que diz não haver qualquer lei no país que proíba o uso desses produtos químicos. Como também não há legislação que regulamente as aplicações – e é o próprio Ibama o responsável por criar normas desse tipo – a falta de entendimento jurídico sobre o tema criou um embate entre o governo goiano e o MMA.

O Governo de Goiás disse hoje (13/10) em nota que “não há nenhuma regulamentação sobre o referido produto químico em Goiás; que não foi consultado sobre sua utilização; e que não é autorizado o uso do mesmo dentro da Área de Proteção Ambiental do Pouso Alto, de gestão sob responsabilidade do governo goiano.” No sábado, a população da região da Chapada dos Veadeiros protestou contra o uso de produtos químicos sem impactos conhecidos para combate aos incêndios na região.

O ministro se limitou a chamar os moradores que protestavam de “machonheiros” e disse que a opinião deles não tinha relevância. E rebateu o governo goiano nas redes sociais dizendo que, em Parques Nacionais, quem tem que autorizar esse tipo de ação é o ICMBio. De fato, a aplicação desse tipo de material em áreas protegidas depende de autorização expressa do ICMBio. Especula-se que a exoneração do coronel da Polícia Militar Ambiental de São Paulo, Homero de Giorge Cerqueira, do cargo de presidente do ICMBio no dia 21/8 estaria ligada a um desentendimento entre ele o ministro nesse tema. O real motivo da saída do coronel nunca foi confirmado pela pasta.

“Os retardantes de chama podem ser uma opção para o Brasil, mas não agora. Faltam estudos, protocolo e capacitação dos combatentes”, avalia o biólogo Carlos Henke, professor da Universidade de Brasília que conduz os principais estudos sobre o comportamento desses produtos nos biomas brasileiros. Para o pesquisador, estão tratando o tema como uma “bala de prata” contra as queimadas. “Não vai funcionar. Ninguém conhece o comportamento desses produtos nas florestas brasileiras.”]

Queimando dinheiro

A aplicação aérea dessas substâncias não é feita diretamente sobre o fogo, mas em área preparada previamente ao redor dos focos de incêndios – os chamados aceiros. Essa contenção varia de acordo com o tipo de vegetação. “O uso do retardante exige uma coordenação muito bem feita entre combatentes em solo, aviadores que despejarão o produto e o comando central da operação”, explica. “Não adianta só jogar o retardante sobre o incêndio. Assim que a aeronave solta o líquido na área onde foi preparado o aceiro, a equipe em solo deve entrar fazendo a contenção do fogo. Como essa articulação seria feita agora, se não houve nenhum treinamento desse tipo?”, indaga o pesquisador, que adverte sobre o perigo do despejo da aeronave atingir os brigadistas. 

Em áreas com árvores de copas altas e amplas, como na Amazônia, a pulverização por aviões teria mais dificuldade de fazer o retardante chegar ao solo e cercar o fogo. No Pantanal, nascentes, lagoas sazonais, mata ripária e outras zonas úmidas, tão abundantes na região, teriam que ser protegidas da aplicação, o que dificulta a ação no local. “Em vez de gastar recurso público comprando retardantes químicos que não sabemos como usar e que não têm seu uso regulamentado, seria melhor ter contratado mais combatentes antes da temporada do fogo começar”, avalia o biólogo. “Temos um contingente importante de profissionais preparados, que fizeram cursos e tiraram certificados para combate a incêndios florestais e que não foram convocados antes da temporada de queimadas. Se o governo queria combater os incêndios, porque não reforçou as equipes com antecedência?”

“Recebo com regularidade retardantes de chama de órgãos federais e estaduais de todo o país. As unidades fazem a compra, depois não sabem como usar. Quando a data de validade está próxima de expirar, mandam para mim porque sabem que eu estudo o tema”, conta Henke. “Fazer uma grande compra desse produto agora é jogar mais dinheiro público fora numa tentativa desesperada e atrasada de mostrar alguma ação contra os incêndios destruidores deste ano.”

Pressão

Uma parte dos retardantes de chama contém poluentes orgânicos persistentes (POP), que permanecem no ambiente por tempo indeterminado e geram impactos consideráveis sobre a biodiversidade. Outros, classificados como nitrogenados, são menos nocivos, mas os próprios fabricantes advertem que a aplicação deve ser longe de cursos d’água. Países que enfrentam grandes incêndios florestais regularmente, como EUA, Austrália, Espanha, Portugal e Chile, têm experiência no uso de retardantes, sobretudo os de composição menos poluente.

Henke afirma que vem sendo pressionado por órgãos federais e estaduais a apresentar um laudo ou nota técnica favorável ao uso de retardantes químicos. A busca por um respaldo científico para o uso dessas substâncias também é feita pelos fabricantes, que alegam que áreas enormes de floresta poderiam ser poupadas se esses produtos estivessem regulamentados para uso no Brasil. 

Apesar do limbo jurídico, retardantes de chama já foram usados pontualmente em incêndios no Brasil em 2008: na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão; e na Chapada Diamantina, na Bahia. Nenhuma das aplicações foi acompanhada de estudos sobre impactos posteriores para a biodiversidade. Segundo Henke, também não houve qualquer evidência de que o uso dos produtos reduziu a duração dos incêndios no Maranhão e na Bahia. Em 2010, a compra sem licitação desses materiais e o uso naquelas localidades viraram alvo de um inquérito do próprio Ibama. Mais recentemente, o estado de Mato Grosso adquiriu retardantes de chama, sem especificar a quantidade e onde o produto foi usado.

Acordo Mercosul-EU teria efeitos devastadores

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Por Markus Kröger

Apesar da oposição de muitos países da União Europeia (UE), agricultores e cidadãos, a Comissão Europeia está atualmente tentando obter o Acordo de Livre Comércio UE-Mercosul por maioria qualificada, independentemente de os parlamentos de todos os países da UE ratificarem o acordo.

No entanto, esse acordo comercial com o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, teria efeitos negativos importantes e não deveria ser aceito.

O acordo liberalizaria 82% das importações agrícolas da UE e daria ao resto do Mercosul acesso parcial com isenção de direitos. Isso significaria maiores incentivos e uma compulsão prática direta para os produtores expandirem a produção de forma insustentável. A estimativa é que as importações de carne suína e bovina, por exemplo, dobrem com o acordo.

Não é realista supor que qualquer acordo político poderia controlar como a produção realmente se espalharia na região do Mercosul. Mesmo os melhores sistemas de certificação ou monitoramento não podem garantir que, por exemplo, a carne não seja produzida na Amazônia e outras áreas florestais.

As possibilidades de fiscalização dos métodos de produção registradas no contrato são muito limitadas. A responsabilidade pelos relatórios e pela ética da produção é reservada ao exportador: mesmo que as fazendas individuais pudessem estar sujeitas à proibição de importação, na prática um acordo de livre comércio tornaria mais difícil resolver os problemas de produção.

O acordo também aumentaria dramaticamente as cotas de importação de etanol para a UE. Isso é particularmente preocupante, visto que a expansão das plantações de soja na Amazônia é atualmente impulsionada pela receita adicional do etanol de milho.

No passado, o milho era uma planta de cobertura morta cujo cultivo cobria apenas as despesas. A construção generalizada de silos de etanol na Amazônia e em outros lugares levou à necessidade de expandir os campos de soja e milho mais rapidamente.

As atuais importações de ração de soja – e carne – de estados brasileiros como Mato Grosso para a UE são as principais razões pelas quais tanta floresta está sendo queimada em todo o Brasil.

As plantações de etanol de cana-de-açúcar e eucalipto, que se beneficiam da redução das tarifas do etanol e da expansão de sua produção, são altamente destrutivas para o solo e famosas por suas violações aos direitos humanos. Isso já levou ao desmatamento e a mais conflitos de terra flagrantes com povos indígenas e agricultores familiares.

O acordo também significaria alimentos mais saudáveis ​​para a UE e uma redução nas condições para a produção local de alimentos, já que o acordo permite padrões duplos.

Os países do Mercosul, especialmente o Brasil, não precisam cumprir a lei na prática da mesma forma que os países da UE.

Em 2019, mais de 500 novos agrotóxicos foram aprovados no Brasil, muitos dos quais são proibidos na UE. O mesmo ritmo continuou este ano. O acordo aumentaria a pressão para permitir que produtos GM no mercado da UE para consumo humano e produção.

É claro que o acordo não beneficiaria o Mercosul. Eles estariam cada vez mais presos como países exportadores de matérias-primas básicas produzidas da maneira mais barata e, portanto, mais destrutiva possível, em vez de serem capazes de desenvolver suas próprias indústrias ou setores de serviços de maior valor agregado.

Os pesquisadores estimam que grande parte das demais plantas industriais do Mercosul, como fábricas de automóveis, seriam fechadas pelo acordo. A expansão da agricultura de plantation não trará mais empregos, mas os reduzirá. Isso, por sua vez, levaria à emigração descontrolada e à favelização de agricultores familiares.

Os efeitos imediatos do acordo seriam o colapso das receitas de exportação do Mercosul, já que o acordo proibiria tarifas de exportação. Por exemplo, cerca de metade das tarifas de exportação da Argentina vieram de tarifas de exportação de soja substanciais. Da mesma forma, o Paraguai recebe grandes receitas de tarifas de exportação.

Para que os estados recebam a mesma receita tributária de antes, eles inevitavelmente teriam que aumentar o volume de produção. Seria virtualmente impossível prescindir de extensos danos ambientais, violações dos direitos humanos e degradação das condições de trabalho.

O acordo promove os interesses de curto prazo da elite dos grandes proprietários de terras da América do Sul e do agronegócio global, bem como os interesses de algumas grandes empresas exportadoras da UE. Por estas razões, a oposição ao acordo aumentou tanto entre os cidadãos e agricultores da UE e do Mercosul.

Os danos ambientais decorrentes do acordo enfraqueceriam a produção agrícola e agravariam a crise climática, o que seria contrário aos interesses de longo prazo de todos.

Markus Kröger Professor Assistente de Estudos de Desenvolvimento Global e Pesquisador da Academia da Universidade de Helsinque.

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Este artigo foi escrito originalmente em finlândes e publicado pelo jornal Maaseudun Tulevaisuus [  ].

Brasil chega a 150 mil mortos pela COVID-19, e Bolsonaro dá “rolé” de moto no Guarujá

bolso guarujáO presidente Jair Bolsonaro dando um “rolé” de motocicleta no Guarujá no dia em que o Brasil chegou a 150 mil mortes causadas pela COVID-19

Fale-se o que se falar do presidente Jair Bolsonaro, mas ele é uma figura coerente com suas ideias. Hoje, enquanto o Brasil atingiu a infame marca de 150 mil mortos pela COVID-19, o líder da extrema-direita brasileira aproveitou o final de semana prolongado na cidade do Guarujá (SP), onde foi visto dando uma “rolé” de motocicleta, sem máscara de proteção,  e aproveitando para abraçar e tirar fotografias ao lado de apoiadores (ver vídeo abaixo).

Enquanto isso, o chamado “Consórcio do Nordeste” se articula para colocar em prática um plano nacional de vacinação contra o coronavírus. Essa medida inédita na história dos esforços nacionais durante processos epidêmicos colocará em xeque o governo federal, e seu líder motoqueiro, na medida em que deverá gerar tensões inevitáveis por causa da já anunciada oposição do presidente Jair Bolsonaro ao um caráter obrigatório para a vacinação contra a COVID-19.

E antes que eu me esqueça: se alguém me perguntar se eu culpo o presidente Jair Bolsonaro por sua postura nefasta durante a pandemia que já custou a vida de 150 mil brasileiros, e deverá ainda custar as vidas de muitos outros, eu diria que a História o julgará e o colocará no devido lugar (provavelmente uma lata de lixo).  Mas há que se lembrar de quem objetivamente operou para colocar um político que em 30 anos de vida pública nada fez para merecer ser reeleito. E falo aqui das elites econômicas do Brasil que sabiam o que causariam ao país e, principalmente, à maioria pobre da população que optaram por instalar e apoiar um presidente que transita alegremente de moto em um dia tão lamentável para centenas de milhares de famílias brasileiras.

 

O mito do boi bombeiro no Pantanal é outro vexame do governo Bolsonaro

Pressionado interna e externamente pela situação calamitosa criada na Amazônia e no Pantanal, o governo Bolsonaro resolveu optar pelo caminho da piada de mal gosto. Falo aqui da esdrúxula sugestão de que a causa das queimadas no Pantanal foi a diminuição do número de cabeças de vaca em áreas de preservação ambiental. 

Essa tese mal enjambrada começou a ser distribuída pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), Evaristo de Miranda, considerado por alguns como o “guru ambiental” de Jair Bolsonaro. Com a cara de pau que se precisa para cumprir algumas tarefas, Evaristo declarou que “o gado foi retirado de grandes áreas para a criação de reservas como a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Sesc Pantanal e que isso seria uma das principais causas de incêndios na região“.

Esta tese  oculta três questões básicas, mas fundamentais. A primeira é que a área de pasto e o número de animais vem aumentando vertiginosamente no Pantanal, removendo gramíneas naturais que estão sendo substituídas por outras exóticas. A segunda é que graças aos cortes orçamentários promovidos pelo governo Bolsonaro, o número de brigadas de fogo e os estoques dos insumos necessários para combater os grandes incêndios diminuíram drasticamente. A terceira e importante questão se refere ao fato de que a Polícia Federal já encontrou indícios de que parte significativa das queimadas foi inicialmente a partir de propriedades particulares cujo principal uso da terra são justamente as pastagens.

Outro aspecto que merece ser esclarecido é o fato de que, para ocultar a nova dinâmica da pecuária no Pantanal, os latifundiários e seus agentes no governo Bolsonaro tentam vender uma imagem idílica da relação entre a pecuária e o Pantanal. A verdade se isso já existiu um dia, não existe mais, e o que prevalece são as demandas dos grandes frigoríficos ligados às cadeias globais de circulação de carne bovina.

Todos esses elementos tornam insustentável a postura da ministra Tereza Cristina, a musa do veneno, de vir a público para legitimar as ideias sem qualquer base científica que colocam a pecuária com forma de contenção da destruição pelo fogo (ver o vídeo abaixo).

Ao se prestar a tentar difundir uma tese que beira o ridículo, a ministra Tereza Cristina pode até estar tentando salvar a pele dos seus colegas latifundiários, mas só piora a credibilidade do Brasil junto a parceiros comerciais importantes, entre eles a União Europeia.  

Alguém haveria de lembrar a figuras do governo Bolsonaro que há limite para tudo, inclusive para o tipo de falsa esperteza como essa do “boi bombeiro” que pode até funcionar para os aliados internos, mas que acaba servindo apenas para isolar cada vez mais o Brasil.

Em “debate” na Rádio Jovem Pan, João Capobianco reduz Ricardo Salles a pó

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A Rádio Jovem Pan resolveu colocar frente a frente para o que seria um debate o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles e o experiente biólogo, fotógrafo e ambientalista, e ex-presidente do ICMBio, João Carlos Capobianco.

Mas como os leitores do blog poderão testemunhar, o que ocorreu foi um massacre, onde Capobianco meticulosamente demonstrou todas as mentiras proferidas por Ricardo Salles, reduzindo o ainda ministro ao que ele realmente é, um completo despreparado para ocupar o cargo que ocupa (ver abaixo o vídeo contendo o debate entre Capobianco e Salles).

Tratamento que Trump chamou de “cura” foi desenvolvido com células de fetos abortados

Presidente dos Estados Unidos recebeu tratamento desenvolvido com células originalmente derivadas de tecido fetal, uma prática que a sua própria administração decidiu restringir

trump 1EPA/KEN CEDENO / POOL

O tratamento baseado num cocktail experimental de anticorpos que Donald Trump recebeu e que chamou de “cura” para a COVID-19 foi desenvolvido por células originalmente derivadas de tecido fetal, uma prática que o seu próprio governo decidiu restringir, revelou o The New York Times.

Em junho de 2019, a administração Trump suspendeu o financiamento para a maioria das novas investigações científicas envolvendo tecido fetal derivado de abortos.

“Promover a dignidade da vida humana desde a conceção até a morte natural é uma das principais prioridades da administração do presidente Trump”, disse o Departamento de Saúde e Serviços Humanos num comunicado publicado na altura.

“A investigação que requer uma nova aquisição de tecido fetal de abortos eletivos não será autorizada”, acrescentou o comunicado.

Donald Trump recebeu na semana passada o cocktail de anticorpos monoclonais da Regeneron. Essencialmente, tratam-se anticorpos sintetizados em células vivas e administrados para ajudar o corpo a combater a infeção.

Para desenvolver os anticorpos, a Regeneron confiou na 293T, uma linha celular derivada do tecido renal de um feto abortado na década de 1970. Pelo menos duas empresas que competem para produzir vacinas contra o coronavírus, Moderna e AstraZeneca, também estão a utilizar essa linha celular.

O Remdesivir, um medicamento antiviral que Trump recebeu, também foi testado com essas células. “Os 293Ts foram utilizados ​​para testar a capacidade dos anticorpos em neutralizar o vírus”, disse Alexandra Bowie, porta-voz da Regeneron: “Não foram usados ​​de nenhuma outra forma e o tecido fetal não foi usado diretamente na investigação.”

Num vídeo lançado esta quarta-feira, Trump elogiou o tratamento da Regeneron, chamando-o de “cura” para a Covid-19 e prometendo fornecê-lo gratuitamente a qualquer paciente que precisasse. A empresa disse esta quarta-feira que solicitou à Food and Drug Administration uma autorização para uma utilização de emergência.

Os cientistas notaram que os testes com o cocktail de anticorpos estão longe de estar finalizados e que Trump está a tomar uma variedade de medicamentos que podem ter explicado as suas melhoras.

Anthony S. Fauci, o maior especialista do país em doenças infecciosas, disse que Trump pode estar certo ao dizer que o tratamento que recebeu o ajudou em sua luta contra a Covid-19, porém, alerta que o caso do presidente por si só não prova isso.

“Acho que há uma hipótese razoavelmente boa de que o anticorpo que ele recebeu, o anticorpo Regeneron, tenha feito uma diferença significativa de forma positiva”, disse Fauci, que não está envolvido nos cuidados do presidente, durante um entrevista no MSNBC.

Em julho, a International Society for Stem Cell Research enviou uma carta ao Conselho Consultivo de Ética em Investigação de Tecido Fetal Humano do National Institutes of Health, instando o conselho a permitir que o tecido fetal seja usado para desenvolver tratamentos para Covid-19 e outras doenças.

“O tecido fetal tem propriedades únicas e valiosas que muitas vezes não podem ser substituídas por outros tipos de células”, referia a carta.

Em agosto, o conselho rejeitou 13 das 14 propostas que envolviam tecido fetal. A proposta aprovada contava com tecido já adquirido.

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Esta matéria foi originalmente publicado pelo jornal Diário de Notícias [Aqui!].

Após se envolver na grilagem de 140 mil hectares, Harvard escapa da Justiça na Bahia

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  • Em setembro, o Tribunal de Justiça da Bahia deu razão à tese de que as terras da fazenda Gleba Campo Largo, no oeste baiano, foram de fato griladas. A propriedade tem sido foco de violentas disputas de terra nos últimos anos.
  • A fazenda pertence à Caracol Agropecuária Ltda., empresa que por quase uma década foi financiada por um fundo da universidade norte-americana de Harvard. Estima-se que R$ 330 milhões tenham sido repassados à empresa.  
  • Procurado pela Mongabay, o Harvard Management Company alega “não ter e nunca ter tido qualquer relação com a Caracol”.

Por Caio de Freitas Paes para a Mongabay

Em 8 de setembro passado, uma sentença criou um terremoto em um velho conflito por terras em Cotegipe, no Cerrado baiano, a mais de 800 km de Salvador. Foi quando a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia entendeu que a empresa Caracol Agropecuária Ltda. grilou, ali, uma área maior que o município do Rio de Janeiro.

Há anos que procuradores e governo estadual consideram a fazenda Gleba Campo Largo, da Caracol, como fruto de “um festival de procedimentos irregulares e ilegais”. Desde dezembro de 2018 o processo estava trancado graças a outra sentença, que barrou a acusação e chegou até a anular o caso. Ao rever sua posição, o judiciário decidiu, por unanimidade, bloquear imediatamente os registros da fazenda, com seus mais de 140 mil hectares. Mas a Justiça não chegou para todos. O Harvard Management Company, fundo da renomada universidade dos Estados Unidos, financiou a empresa, agora culpada, por muitos anos.

A Caracol Agropecuária Ltda. foi aberta em agosto de 2007 e vale mais de R$ 19 milhões, cifra que possivelmente inclui a fazenda grilada em Cotegipe. Uma das gestoras de recursos de Harvard, a Blue Marble Holdings, foi responsável por repasses financeiros à Caracol por quase uma década. Só em 2016, ela depositou mais de US$ 2,4 milhões, segundo declarações ao fisco dos Estados Unidos. A ONG Grain estima ainda que a mesma Blue Marble destinou mais de R$ 330 milhões na atual cotação.

As suspeitas sobre a Gleba Campo Largo existem oficialmente desde 2013, quando a Coordenação de Desenvolvimento Agrário da Bahia entrou no caso. O órgão público produziu um relatório fulminante, revelando indícios de grilagem. As evidências não convenceram o juiz Leandro Santos, de Cotegipe, que barrou a denúncia e determinou a anulação do processo em dezembro de 2018.

A vitória preliminar nos tribunais soou o alerta vermelho para Harvard. Com o processo travado no oeste baiano, ela correu para cortar seus vínculos com a Caracol Agropecuária. A operação foi concluída com sucesso em junho do ano seguinte, 2019.

Segundo a Receita Federal, a Caracol segue ativa e é administrada por Alexandre Delmondes em parceria com duas firmas norte-americanas, Bromelia LLC e Guara LLC. A Secretaria de Estado de Massachusetts informa que o endereço de ambas foi o mesmo até junho de 2019: Atlantic Avenue, número 600, em Boston. É onde fica a sede comercial do fundo de Harvard.

Foi também em junho de 2019 que tanto a Bromelia LLC quanto a Guara LLC foram fechadas nos Estados Unidos. Simultaneamente, a Caracol dispensou os serviços dos então gestores da fazenda em Cotegipe . O cancelamento desta parceria foi confirmado pela Granflor Agroflorestal, antiga gerente da fazenda, à reportagem.

À Mongabay, porém, a Harvard Management Company alega “não ter e nunca ter tido qualquer relação com a Caracol”.

harvard 2Mapa dos investimentos de Harvard no Brasil. Imagem: AidEnvironment.

Fato é que a recente condenação parece o ponto mais decadente dos investimentos agrícolas ligados à universidade do estado norte-americano de Massachusetts no Brasil. A Mongabay mostrou como seu fundo de investimentos injetou milhões de dólares em zonas de conflito no Cerrado. A fazenda em Cotegipe segue este mesmo padrão.

Em 2008, quando a Caracol iniciou suas compras no oeste baiano, ruralistas e pistoleiros uniram-se para afugentar camponeses e trabalhadores sem-terra da área. Mais de 200 famílias ocupam parte da área. De acordo com a Agência Pública, houve ao menos quatro assassinatos ligados à disputa desde então.

Os camponeses alegam que os antigos parceiros de Harvard usam a fazenda apenas para especulação. O relatório produzido pelo governo baiano segue a mesma linha, dizendo que, “somente pela Caracol Agropecuária Ltda., as vendas [de terras em Cotegipe] alcançaram significativas quantias, indicando a mais cínica especulação imobiliária”. Os preços de terras nuas – Cerrado nativo – em municípios vizinhos sugerem que esta seja uma tendência crescente no oeste baiano.

Imagem do banner: Placa nos limites da fazenda Gleba Campo Largo. Foto: Alicia Prager.  

fecho

Esta reportagem foi inicialmente publicada pela Mongabay [Aqui!].