Em raro momento de sinceridade, secretário de Fazenda do (des) governo Pezão assume que discrimina servidores na hora de pagar salários

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Em entrevista ao jornalista Fernando Molica na CBN, o secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, ofereceu um raro momento de sinceridade ao reconhecer que o (des) governo Pezão selecionou os servidores da sua secretaria para serem pagos antes de outros, como é o caso dos que trabalham na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.  Qual o argumento utilizado por Gustavo Barbosa? Que os servidores da Secretaria Estadual de Fazenda e de Planejamento “fazem parte da máquina de arrecadação” ! [Aqui!]

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É interessante que tanta “sinceridade” não explique de forma completa como está se dando a escolha de certas categorias em detrimento de outras, incluindo, por exemplo, a Procuradoria Geral do Estado.  Outro exemplo é o caso dos servidores da educação e da segurança, os pagamentos estariam sendo feitos com recursos do Tesouro Nacional. Entretanto,  existem dúvidas se esse é efetivamente o caso, já que em sua renúncia ao cargo de secretário de Ciência e Tecnologia, o agora deputado Pedro Fernandes declarou que no caso dos servidores da educação, o (des) governo Pezão estaria suplementando com recursos próprios os fundos recebidos via o Fundeb.

Outra aspecto que precisa ser mencionado é que apesar da pressa declarada em fechar o pacote de maldades acordado com o governo “de facto” de Michel Temer, o processo vai se estender até o início de Agosto porque o (des) governo Pezão “esqueceu” de enviar o seu pedido de adesão ao chamado regime de recuperação fiscal (RFF). 

Essa mistura de ações discriminatórias e incompetência é a marca do (des) governo Pezão que, incrivelmente, continua tendo o poder de alienar o futuro do Rio de Janeiro num acordo fiscal que apenas vai protelar a crise e, muito provavelmente, ainda terá a capacidade de piorar ainda mais o caos financeiro em que fomos metidos pelas práticas pouco republicanas de Sérgio Cabral e seus aliados.

Quem desejar ouvir a entrevista do secretário Gustavo Barbosa, basta clicar 

(Des) governo Pezão dá mais 250 bofetadas na face de servidores que ainda esperam pelo salário de Abril

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O (des) governo Pezão parece mesmo disposto a tirar sarro da cara de mais de cerca de 117 mil servidores que ainda não receberam todo o salário referente ao mês de Abril. É que hoje, sem qualquer alarde,  houve o anúncio do depósito de uma parcela de R$ 250,00 para os que ainda não tiveram seus salários de Abril integralmente pagos (Aqui!).

Esse tipo de atitude em vez de apaziguar acaba gerando ainda mais revolta, já que estamos entrando no mês de Julho, e muitos servidores agora não possuem recursos sequer para pagar contas básicas como as de água e luz.

Ao adotar a posição desrespeitosa de pagar o que quer e quando quer, sem sequer sinalizar a elaboração de um calendário para o pagamento dos salários atrasados, o que o (des) governador Pezão e seu (des) secretário de Fazenda sinalizam de fato é que não estão com o menor medo da reação dos servidores e dos sindicatos que dizem representá-los. 

Interessante notar que uma fonte bem informada me disse hoje que o  atual  (des) secretário estadual de Fazenda e ex diretor-presidente do RioPrevidência,  Gustavo Barbosa, é leitor assíduo do site “O Antagonista” e fã declarado do presidente estadunidense Donald Trump. Com um perfil de preferências como esse, não é de se admirar o descaso que os servidores têm enfrentado na desastrosa gestão que Barbosa está tendo à frente de uma secretaria tão estratégica. Isso sem falar no seu papel na escabrosa operação Delaware que causou a falência de fato do RioPrevidência!

De todo modo, vamos agora esperar a reação da parcela do servidores que foi escolhida para ocupar o papel de “cordeiro sacrificial” nas tratativas entre o (des) governo Pezão e o governo “de facto” de Michel Temer.  Pelo pouco que pude verificar nas redes sociais, não foi nada boa. E quem pode condenar servidores tão desrespeitados?

Para esconder operação Delaware, (des) governo Pezão infla gastos com pessoal

O (des) governo Pezão tem propalado a ideia de que os gastos de pessoal atingiram o nível de 69,57% , o que excederia os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa tática, além de buscar pressionar os servidores estaduais com a possibilidade de demissão até para aqueles que possuem estabilidade, visa um objetivo ainda maior: esconder responsabilidades sobrea desastrosa operação de venda de debêntures ancoradas nas receitas de royalties do petróleo que pertenciam ao RioPrevidência e que resultou na captação de US$ 3,1 bilhões no paraíso fiscal corporativo de Delaware (Aqui!).

A chamada operação Delaware foi produzida dentro do RioPrevidência sob a batuta do atual (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, e teve as bençãos do casal de (des) governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, e também passou pela chancela da base aliada do (des) governo do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo o que constatou o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, essa operação de tomada de recursos numa dívida bilionária, e que resultou numa espécie de bola de neve fianceira que efetivamente inviabilizou o RioPrevidência (Aqui!).  E é essa dívida bilionária que obrigou ao (des) governo do Rio de Janeiro a assumir os pagamentos que o RioPrevidência não consegue mais realizar para aposentados e pensionistas.

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É preciso lembrar que não existem apenas perdedores como resultado dessa operação, já que os chamados fundos abutres vêm drenando bilhões de reais dos cofres estaduais do Rio de Janeiro por causa dela (Aqui! Aqui!).  Frise-se que apesar de todas as informações existentes sobre o papel da operação Delaware e do seu “Rio Oil Finance Trust” na falência do RioPrevidência, até hoje não se esboçou nenhuma tentativa mais séria de apurar responsabilidades e punir os responsáveis.  É como se a dívida bilionária que assola o RioPrevidência tivesse aparecido do nada.

Por isso é tão importante que se apure a operação Delaware, pois só assim poderemos analisar os números reais dos gastos com pessoal do Rio de Janeiro que certamente não são os divulgados pelo (des) governo Pezão e legitimados pela mídia corporativa. De quebra, poderíamos ainda ver os responsáveis por essa operação respondendo por possíveis crimes contra a ordem financeira estadual.

Finalmente, é preciso cobrar que sindicatos que dizem representar os servidores públicos estaduais pressionem a Alerj para que a tão necessária Comissão Parlamentar de Inquérito do RioPrevidência seja finalmente instalada.  Chega de jogar nas costas dos servidores culpas que só cabem aos  (des) governantes que faliram o RioPrevidência.

Anaferj mostra que no RioPrevidência vale a máxima “farinha pouca, meu cafezinho primeiro”

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Não sei quantos internautas já tiveram a oportunidade de acessar o blog mantido pela Associação de Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Aqui!), mas eu já me tornei um leitor assíduo. É que o pessoal da Anaferj  tem sempre uma novidade interessante e que está sempre acompanhada de evidências documentais. Em outras palavras, em se tratando da Anaferj, não há espaço para “fake news“.

Pois não é que hoje, os responsáveis pelo blog da Anaferj nos brindam com uma daquelas pequenas evidências de como realmente a coisa funciona no interior do (des) governo Pezão. É que a partir de um extrato publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, ficamos sabendo por meio da Anaferj que o RioPrevidência acaba de fechar um contrato com a empresa Distribuidora Guimarães e Souza Ltda ME., cujo objeto é a aquisição de café, adoçante, açúcar e filtro de papel (Aqui!) ! Valor desse “mimo” para os frequentadores do RioPRevidência? R$ 57.196,94!

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Alguma alma mais caridosa poderia dizer que o valor do contrato é pequeno e que cafezinho quente ajudar a melhorar o ambiente de trabalho. Eu até aceitaria esse tipo de ponderação se neste momento a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) não estivesse debatendo um arrocho no valor das pensões e aposentadorias do próprio RioPrevidência, e se milhares de beneficiários do fundo não estivessem passando por graves dificuldades pelo não pagamento dos vencimentos referentes ao mês de Abril.

Além disso, posso testemunhar que como servidor estadual desde 1999 nunca tive cafezinho grátis, seja literal ou metaforicamente. 

Não menos importante é a lembrança de que o RioPrevidência se encontra em condição que é objetivamente de falência não declarada após a desastrosa operação de securitização que foi realizada no paraíso fiscal de Delaware sob o comando do atual (des) secretário estadual de Fazenda,  Gustavo Barbosa (Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!). É sempre importante lembrar que a operação realizada em Delaware teve como resultante a transformação do RioPrevidência num foco de extração de riquezas por parte dos chamados fundos abutres (Aqui!).

Vê-se então a partir do exemplo prático oferecido por este contrato revelado pela Anaferj que no RioPrevidência vale mesmo o princípio do “farinha pouca, meu cafezinho primeiro”. Enquanto isso, aposentados e pensionistas continuam a sua saga aflitiva, muitos deixados à mercê da própria sorte.  Vai um cafezinho aí?

 

 

 

Aumento de contribuição previdenciária não passa e deixa (des) governador Pezão “atônito”

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Numa derrota surpresa para o presidente “de facto” Michel Temer e para o (des) governador Luiz Fernando Pezão, a Câmara de Deputados aceitou um destaque que proíbe o aumento da contribuição previdênciária dos servidores estaduais (Aqui!)

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Essa decisão traz embaraços claros para o (des) governador Pezão que queria aumentar a contribuição previdenciária de 11% para 14%, e também criar uma quota adicional de 8% para colocar o custo da falência do RioPrevidência nas costas dos servidores.

Da notícia acima publicada pelo jornal “EXTRA” aparecem duas informações importantes. A primeira é que tanto o (des) governador Pezão como o (des) secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, estavam no Câmara Federal no momento da votação. Isso leva a uma pergunta inevitável: quem é que está dirigindo o Rio de Janeiro neste momento, afinal? A segunda se refere a uma declaração do (des) governador Pezão de que iria ver o que fazer após a aprovação da impossibilidade de aumento da contribuição previdênciária dos servidores. Ora, essa é simples! Ele deveria renunciar em nome da governabilidade perdida!

A verdade é que essa decisão pode ainda ser modificada no Senado Federal que já impôs regras mais duras às da Câmara no ano passado.  Mas agora a situação dentro do Senado mudou bastante com a aparente movida para a oposição por parte de Renan Calheiros (PMDB/AL),  Assim, aqueles que achavam que ia ser fácil passar essa medida na Alerj, que pensem de novo. De toda forma, mais um motivo para os servidores estarem mobilizados em defesa de seus salários.

RioPrevidência: aumento nas contribuições visa apenas saciar a fome de dinheiro os fundos abutres


Desde o início de 2016 venho abordando as causas da falência do RioPrevidência que considero terem origem na escabrosa operação de captação de recursos realizada no paraíso fiscal de Delaware.

Agora, com a falência objetiva do RioPrevidência que se encontra totalmente nas mãos dos fundos abutres, o (des) governo Pezão quer punir os servidores com um aumento de 11% nas contribuições.

No vídeo abaixo abordo a situação do RioPrevidência e ainda sobre a necessidade dos servidores cobrarem que seus sindicatos e os deputados estaduais exijam respostas do (des) governo do Rio de Janeiro sobre a real situação do seu fundo próprio de previdência.

Os impactos da operação Delaware no RioPrevidência: de superávit milionário a déficit bilionário em apenas 4 anos

Como professor de Metodologia da Pesquisa por quase 18 anos sempre tento mostrar a quem está nas minhas aulas o poder de síntese de figuras e tabelas, o que pode salvar muitas árvores nas florestas e ainda pro cima esclarecer muito mais ao leitor do que páginas incontáveis de texto mal escrito.

Pois bem, a figura abaixo foi retirada de uma matéria do jornal O DIA publicada na última 6a. feira e quem a confeccionou aprendeu isso em algum lugar, pois a mesma é belo exemplo de síntese de informações complexas, relações causais, e personagens envolvidos. 

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Uma observação rápida da figura mostra que o RioPrevidência saiu de R$ 38 milhões de superávit em 2012 para um déficit estratosférico de R$ 18,5 bilhões graças à Operação Delaware centrada no chamado Rio Oil Finance Trust. Além disso, vemos confirmadas as participações dos senhores Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Gustavo Barbosa (atual secretário estadual de Fazenda)  e Reges Moisés dos Santos (atual diretor-presidente do RioPrevidência) na concretização desta operação desastrosa para os cofres fluminenses e, principalmente, para os servidores públicos estaduais.

E o que fazer após se conhecer o conteúdo dessa figura? Em minha opinião, cobrar uma ação rápida do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público (Estadual e Federal) para que se apurem as responsabilidades e se estabeleçam processos para recuperar o dinheiro que foi obtido com a Operação Delaware.

E, sim, que até que se faça isso, qualquer tentativa de se aumentar o recolhimento previdenciário dos servidores públicos seja duramente combatido nas ruas e nos tribunais.

RioPrevidência: R$ 18,5 bilhões é o tamanho do rombo causado pela Operação Delaware

Os leitores deste blog já foram informados pela nebulosa operação de captação de recursos realizada no paraíso fiscal corporativo de Delaware em múltiplas postagens deste blog. E não é segredo que sempre considerei essa operação como estando emaranhada num monte de questões esquisitas, principalmente no tocante ao chamado Rio Oil Finance Trust cujos proprietários são desconhecidos até hoje, mas que abocanhou uma fortuna a partir da comercialização de bonds (espécie de nota promissória) nas bolsas internacionais.

Pois bem,  a partir do informa a nota publicada pela Assessoria de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que segue abaixo, agora sabemos o tamanho do rombo criado nas contas do RioPrevidência por essa operação e o preço é salgado: R$ 18,5 bilhões.

A construção deste valor é cuidadosamente explicada na nota do TCE, bem como os agentes públicos responsáveis pela sua execução:   ex- (des) governador Sérgio Cabral e de seu sucessor, o (des) governador Luiz Fernando Pezão, assim como do ex-diretor-presidente do Rioprevidência e atual secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa, e de Reges Moisés dos Santos, atual diretor-presidente do RioPrevidência.

E mais, na avaliação feita pelos técnicos do TCE, persistindo a condição atual não há como garantir o pagamento futuro de pensões e aposentadorias, pois o RioPrevidência tem tudo para entrar em um inapelável processo de falência.  Tal revelação apenas reforça a afirmação que tenho feito neste blog de que os valores sendo hoje recolhidos dos salários dos servidores para o RioPrevidência estão beneficiando apenas os fundos abutres que possuem os bonds e debêntures gerados pela Operação Delaware.

Todas essas revelações tornam ainda mais imprescindível que antes de qualquer discussão sobre elevação dos percentuais recolhidos para o RioPrevidência haja uma verdadeira e completa devassa na situação financeira do fundo próprio de previdência dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro. E que, de preferência, os culpados por essa situação escabrosa sejam devidamente punidos pela lei.

Finalmente, sugiro a todos que leiam com atenção a nota do TCE que vai logo abaixo, pois a mesma é muito, mas muito, esclarecedora. 

TCE-RJ constata dívida bilionária do Rioprevidência

Operações de antecipação de receitas comprometem royalties até 2020

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) constatou uma dívida de R$ 18,5 bilhões no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) referente a operações financeiras realizadas no Brasil e no exterior para antecipação de receitas. O resultado, de acordo com relatório do conselheiro José Gomes Graciosa aprovado pelo plenário nesta quinta-feira, é fruto, entre outros fatores, da ausência de repasse de recursos devidos pelo Governo do Estado ao órgão, que  descapitalizou a autarquia. A diferença entre a entrada de receita e a dívida resulta num déficit de R$ 10,5 bilhões. Em seu voto, o relator determina a notificação do ex-governador Sérgio Cabral e de seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, assim como do ex-diretor-presidente do Rioprevidência Gustavo Barbosa (atual secretário de Estado de Fazenda) e de Reges Moisés dos Santos, hoje à frente da autarquia.

O TCE-RJ constatou nas contas de governo do exercício de 2015, analisadas em  2016,  diversas situações que ocasionaram um  resultado negativo na gestão do  Rioprevidência. Em 2013, ocorreram as primeiras operações financeiras para captação de recursos, que ofereciam como garantia a cessão de royalties e participações especiais que compõem parte do fundo previdenciário. As transações iniciais foram feitas com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, respectivamente, nos valores de R$ 2,3 bilhões e R$ 1 bilhão. Em junho e outubro de 2014, para fechar a conta sem aportes do Tesouro Estadual, o fundo de previdência precisava de R$ 5 bilhões  em receitas extraordinárias. Desta forma, recorreu à nova cessão de receita futura, estruturando uma operação financeira internacional de securitização, por meio de três transações para captar mais recursos.

Para realizar as novas operações, foram emitidos US$ 2 bilhões em bonds (espécie de nota promissória) e R$ 2,4  bilhões em debêntures (títulos de dívida) no mercado externo. Para viabilizar as transações, o governo estadual, com autorização da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj),criou as empresas Rio Oil Finance Trust (ROFT) e Rio Petróleo S/A.  A primeira é uma sociedade de propósitos específicos, fundada com o objetivo de realizar a compra de todos os direitos sobre as receitas de royalties e participação especial do Rioprevidência, por meio da venda de bonds. A ROFT possui sede em Delaware, nos EUA, e tem como seu representante legal o National Wilmington Trust. Já a Rio Petróleo S/A tem como  objetivo  vender debêntures para amortizar o saldo devedor gerado pelas negociações anteriores, com a Caixa e o Banco do Brasil. A empresa possui como representantes a Planner Trustee  Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.

Tendo sempre como garantia os royalties futuros, o conjunto das transações iniciais gerou uma entrada de R$ 6,6 bilhões, sendo R$ 3,3 bilhões resultantes das operações internacionais, somados aos R$ 3,3 bilhões da Caixa e do Banco do Brasil, com o pagamento de obrigações do Rioprevidência previstas da ordem de R$ 12,6 bilhões até 2024. O TCE não identificou até o momento e quer saber quais foram os critérios técnicos, legais e isonômicos adotados na seleção dos representantes das empresas criadas pelo Governo. Também não há informações sobre quem seriam os responsáveis pela contratação do  National Wilmington Trust.

Para fazer frente aos compromissos assumidos, mais uma operação foi realizada no mercado externo. Dessa vez, foram emitidos títulos com valor de face de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões na época). Uma parte destes recursos, R$ 979 milhões, foi utilizada para amortizar o saldo devedor das debêntures da operação anterior. Mediante as novas negociações, as entradas totais passaram a ser de R$ 8,226 bilhões, com saídas previstas de R$ 15,666 bilhões para pagamento até 2027.

Quebras de contrato

Em setembro de 2015, houve a quebra de cláusulas contratuais com os investidores estrangeiros e foram realizadas negociações visando a não-execução das penalidades, que, caso ocorressem, impediriam a emissão de novos títulos e antecipação de pagamentos. Além disso, ocorreu o acréscimo de juros de 2%, o que gerou uma necessidade de pagamento maior no valor de R$ 1,94 bilhão. A ação resultou na proposta de waiver, uma espécie de renegociação que evita a declaração de inadimplência no mercado.

Entre as cláusulas não cumpridas, está o chamado  Índice de Cobertura (IC), que protege o investidor no caso de queda expressiva no valor dos royalties. De acordo com esta regra, não bastava o simples pagamento da parcela. Era necessário haver no caixa do Rioprevidência, R$ 2,5 para cada R$ 1 devido (IC=2,5). No caso de não alcançar este índice, o fundo era proibido de emitir novos títulos.  Na hipótese do caixa apresentar R$ 2 para cada R$ 1 devido ( IC =2), estava prevista a retenção de 60% das receitas de royaties e participações especiais. Na ocorrência do IC=1,5 haveria a aceleração da dívida principal com retenção de 60% da receita dos royalties e participações especiais e aumento de juros de todas as operações em 2% (R$ 2 bilhões). Caso o IC fosse inferior a 1,5, ocorreria a inadimplência contratual, mesmo com o débito pago.

Em 20 de outubro de 2015, o governo aceitou as condições e assinou um acordo de emenda entre representantes do Estado e investidores, antecipando temporariamente a amortização dos contratos. A renegociação no primeiro waiver não suspendeu o pagamento de mais 2% de juros, equivalente a R$ 2 bilhões, e ainda gerou um juro adicional de 1%, estimado em R$ 912 milhões, o que manteve a possibilidade de emissão de novas debêntures, ou seja, do aumento da dívida. Nesta ocasião, o IC mínimo de 1,5 foi para 1,75, tornando o cumprimento dos contratos ainda mais difícil para o Rioprevidência. Nestes valores estão inseridos R$ 16 milhões destinados ao comissionamento de advogados, ainda não identificados pelo TCE-RJ, que participaram da negociação.

Para perdoar o pagamento dos recursos excedentes de R$ 912 milhões, os investidores externos exigiram:

1)      Alterar a legislação, no caso a Constituição Estadual, retirando a prioridade de repasses de royalties ao  Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM), transferindo a preferência de pagamento aos investidores.

2)     Da mesma forma, retirar a prioridade do pagamento à União de R$ 1 bilhão ao ano até 2021 e dar preferência aos investidores externos.

3)  Retirar a preferência de pagamentos à Caixa e ao Banco do Brasil de 2015 para 2018.

Em março de 2016, em consequência do não-cumprimento das exigências, ocorreu a segunda quebra de contrato. A penalidade acordada, dessa vez, foi antecipar o pagamento, novamente para evitar a decretação da quebra contratual. Dessa forma, o Rioprevidência poderia continuar negociando no mercado externo.

Após as duas quebras contratuais e  com os consequentes  custos envolvidos nas operações, as entradas de recursos permaneceram nos mesmos R$ 8,226 bilhões. No entanto, as saídas previstas passaram a ser de R$ 18,383 bilhões, uma diferença acima de R$ 10 bilhões, com pagamento antecipado para 2020, num acréscimo de 125%.

Entre as despesas efetuadas nas transações, o TCE-RJ registrou o pagamento de R$ 173,8 milhões a título de comissões para estruturação nas operações a empresas que não foram identificadas.

A equipe do TCE concluiu que a política de antecipação de recursos promovida pelo Rioprevidência, em conjunto com o governo estadual, resultou em desequilíbrio das finanças estaduais, afetando diretamente as gestões futuras. Outro fator observado pelo relator é que, até 2012, portanto, antes do início das operações, o Rioprevidência era superavitário.

No relatório, o conselheiro José Graciosa elenca algumas sugestões para que o Estado restabeleça as receitas totais aos patamares necessários para atender as demandas.  Entre as medidas, está a cobrança eficiente do montante da dívida ativa, revisão de todos os benefícios e incentivos fiscais e proibição que empresas com dívida ativa ajuizada gozem de incentivos e benefícios fiscais de qualquer natureza.

Desde 2002, o TCE-RJ vem destinando atenção especial à situação do Rioprevidência. Em 2003, em atendimento ao Tribunal, foi aprovada a lei estadual 4.237, que incorporou ao patrimônio do Rioprevidência os direitos pertinentes aos royalties e participações especiais. De 2008 a 2011, o plenário, ao apurar um déficit atuarial nas contas do Fundo, determinou a elaboração de um plano de amortização. Em 2012, foi demonstrada preocupação com a finitude dos royalties. Em 2013, foram apontados problemas no fluxo de caixa.   Em 2015, o plenário aprovou a realização da auditoria governamental que resultou no atual relatório.

Além da notificação dos responsáveis pelas operações, o TCE determinou a expedição de ofício ao atual presidente da Alerj, Jorge Picciani; às Comissões de Orçamento e Tributação da Alerj, ao procurador-geral de Justiça do Estado, aos ministros da Fazenda e Previdência Social, ao Procurador-Geral da República e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM),  para que tomem ciência dos fatos.

FONTE: http://www.tce.rj.gov.br/web/guest/todas-noticias/-/asset_publisher/SPJsTl5LTiyv/content/tce-constata-divida-bilionaria-do-rioprevidencia

 

Aumentam os problemas do (des) governador Pezão. TCE finalmente “descobre” Operação Delaware que causou rombo bilionário no RioPrevidência

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Demorou, mas aconteceu. É que segundo informa o jornalista Lauro Jardim em seu blog no  O GLOBO, o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro acaba de aprovar um relatório de inspeção onde ficou determinada que a Operação Delaware que eu tanto mencionei neste blog (AquiAqui!Aqui!Aqui! e Aqui!) causou um rombo bilionário nas contas do RioPrevidência.

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O interessante é que na matéria de Lauro Jardim uma das irregularidades apontadas envolve o pagamento de um escritório de advocacia que teria cobrado R$ 16 milhões por seus serviços na Operação Delaware, mas que não é identificado pelo RioPrevidência. Acontece que eu havia mencionado o envolvimento deste escritório nesse negócio (Aqui! ).

O aparecimento desse relatório deverá ser mais um complicador na já complicada situação do (des) governador Pezão, mas também deverá colocar na roda o secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que era o diretor-presidente do RioPrevidência na época em que a Operação Delaware foi realizada.

O que me parece peculiar é que o TCE tenha demorado tanto tempo a investigar uma transação que já cheirava muito mal desde que foi realizada em 2014 (Aqui!). Mas vá lá, antes de tarde do que nunca!

Agora, convenhamos, como poderá a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovar um confisco salarial brutal para cobrir o rombo que foi criado pela Operação Delaware?

E, finalmente, as perguntas que não querem calar: quem são os donos do Rio Oil Finance Trust? E onde foram parar os bilhões que foram arrecadados com esta esquisita operação de securitização que efetivamente quebrou o RioPrevidência? No mínimo o que os servidores estaduais vão querer é que se apure esse rombo antes que se discuta qualquer aumento no recolhimento previdenciário. O que me parece mais do que justo.

Rio Oil Finance Trust, por que ninguém quer falar nele?

Um dos grandes mistérios conhecidos da bancarrota criada pelos (des) governos comandados pelo PMDB no Rio de Janeiro é o relacionado à operação de captação de recursos realizada por meio de recursos do RioPrevidência no paraíso fiscal de Delaware.

Mas o que me impressiona no caso do Rio Oil Finance Trust é a consistente indisposição que a mídia corporativa, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro demonstram em não querer investigar a contribuição dessa essa operação comandada pelo então diretor-presidente do Rio Previdência e atual secretário estadual de Fazenda, Sr. Gustavo Barbosa, mostrado abaixo sentado na mesa do BNP Paribas durante o convescote auto-congratulatório promovido pela revista especializada Latin Finance em Janeiro de 2015.

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Um aspecto que mereceria ser investigado com alguma profundidade tem a ver com o peso que apenas a operação feita em Delaware representa sobre a dívida pública fluminense, já que os títulos do Rio Oil Finance Trust já que os mesmos só vencerão no ainda distante ano de 2024 (ver gráfico produzido pela Bolsa de Berlin com as variações anuais das debêntures que são continuam a ser negociadas).

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A necessidade de que se investigue a fundo o Rio Oil Finance Trust é maior do que se imagina. É que a falência objetiva do RioPrevidência e a consequente necessidade do (des) governo Pezão utilizar receitas oriundas do tesouro estadual para pagar as aposentadorias ainda está servindo como ferramenta de convencimento acerca da necessidade de se impor um arrocho draconiano sobre os salários dos servidores e para viabilizar a privatização da CEDAE e de outras estatais. Começando pela mentira espalhada pela Sefaz que o Rio de Janeiro estourou o limite da famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no tocante às despesas com pessoal. Mentira essa, ressalte-se isso, que está sendo ecoado pela mídia corporativa e, claro, pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles.

Nesse sentido, destrinchar os meandros da operação realizada em Delaware é um elemento central nas disputas que ocorrerão em breve no âmbito da Alerj para impor o pacote Pezão/Meirelles.

Ao que parece caberá ao MUSPE e aos sindicatos ligados a ele levantar a bandeira de uma auditoria pública independente sobre a situação do RioPrevidência, o que envolverá obviamente o destino dado aos US$ 3,1 bilhões que foram captados em Delaware e tomaram um destino até agora desconhecido.