Conflito em Belisário: Comissão de Direitos Humanos da ALMG realizará audiência pública para discutir violações dos direitos humanos e impactos ambientais da mineração de bauxita

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Em 19 de Fevereiro de 2017 um homem armado ameaçou Frei Gilberto por suas posições contrárias à mineração na Serra do Brigadeiro. A ameaça atingiu um grande conjunto de organizações populares e comunidades que lutam contra a expansão de mineração de bauxita na região.

Com o objetivo de agir contra as sistemáticas violações de direitos humanos cometidos pela CBA / Votorantim na região da Serra do Brigadeiro, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) irá realizar no dia 26 de junho uma audiência pública em Belisário, Muriaé.

O tema da audiência serão as violações de direitos humanos cometidos pela CBA / Votorantim e os impactos ambientais ocorridos e que podem se agravar com o avanço da mineração na região.

Venha participar e somar forças na luta em defesa da vida e contra este projeto de morte que pretende saquear nossas terras!

Juntos somos fortes!

Data: 26/06
Horário: 18:00
Local: GAB em Belisario

Processo judicial movido contra o blog por postagens sobre o conflito da mineração em Belisário não prospera

No dia 20 de Fevereiro publiquei a postagem intitulada “Conflitos da mineração em MG: religioso sofre ameaça para abandonar organização da resistência popular em Belisário”  (Aqui!), onde trouxe ao conhecimento público a ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto Teixeira por causa de seu papel de organizador da resistência da comunidade local ao proposto processo de expansão da mineração de bauxita no Distrito de Belisário, que faz parte do município de Muriaé (MG).

Pois bem,  já no dia 02 de Março, postei novo material sobre o conflito em Belisário, agora para informar do recebimento de uma notificação extra-judicial que foi enviada ao endereço do blog pelo prestigioso escritório de advocacia sediado na cidade de São Paulo, “Moraes Pitombo Advogados”, o qual se apresentou como representante legal da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Nessa notificação extra-judicial foi apresentada a demanda para que fosse feita a remoção da referida postagem “sob pena de adoção de medidas judiciais cabiveis” (Aqui!). E para tanto, me foi dado o prazo de 24 horas. Como entendi que nada havia feito além de informar a ocorrência de um fato, lamentável é preciso que se frise, não atendi aos  termos da referida notificação extra-judicial.

Depois disso, ainda voltei a tratar dos desdobramentos da ameaça realizada contra o Frei Gilberto Teixeira em diversas postagens (Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!).

O que eu desconhecia até a manhã desta 5a. feira (25/05) é que já no dia 03 de Março, o escritório de advocacia  “Moraes Pitombo Advogados” havia dado entrado no Fórum de Campos dos Goytacazes com um processo em que requeria tutela de urgência para remoção da postagem feita no dia 20 de Fevereiro e de um outra sob pena de multa diária de R$ 5.000,00, e ainda atribuía à causa o valor de R$ 50.000,00! (Processo 0005264-58.2017.8.19.0014 (Aqui!).

Agora, vem a parte interessante desse caso. É que em decisão publicada no dia 16 de Maio, o juiz responsável pelo caso indeferiu o pedido feito pelos representantes legais da CBA por entender em minha postagem eu havia apenas informado acerca da ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto, e não de violar a imagem da CBA (ver texto completo abaixo).

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A decisão do juiz parece ter sido bastante impactante, já que teve como desdobramento prática a desistência dos advogados da CBA em relação ao processo iniciado contra mim, sendo que, já no dia 17 de Maio, o caso foi considerado como transitado em julgado e colocado em processo de arquivamento (ver sentença abaixo).

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Findo este processo,  os leitores podem ficar certos que blog que ele continuará sendo um espaço dedicado a jogar luz sobre fatos e situações que considere pertinentes, independente da possibilidade de desagradarem determinados interesses.  Além disso, ao contrário do que possa ser afirmado, este blog sempre observa com rigor a qualidade do que é apresentado por suas fontes antes de publicar uma postagem.   Talvez por isso é que o juiz responsável pelo caso chegou à decisão que chegou. E sigamos em frente!

Conflito da mineração em Belisário: a ameaça que aqueceu a resistência

 

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Desde o dia 20 de Fevereiro venho dando informações neste blog sobre o conflito socioambiental em curso no distrito de Belisário que pertence ao município de Muriaé. Desde então, foi possível observar que a ameaça realizada ao Frei Gilberto Teixeira desembocou num processo de reaquecimento da disposição de resistir ao avanço da mineração de bauxita dentro e no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro.

Abaixo posto dois vídeos que foram produzidos pelo jornalista Silvan Alves e que estão disponíveis no canal que ele possui no Youtube.  O que surge dessas imagens é uma clara demonstração de que se  ameaça de morte ao Frei Gilberto tinha o objetivo de silencia-lo e diminuir o nível de resistência da comunidade local, o efeito que a mesma teve foi exatamente o contrário.

Caminhada em Defesa das Águas e Contra a Mineração em Belisário

Conflito da mineração em Belisário: Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de ameaçar o Frei Gilberto

Desde o dia 20 de Fevereiro este blog vem informando sobre uma ameaça de morte realizada contra o Frei Gilberto Teixeira por sua participação na organização da resistência contra a expansão da mineração da bauxita no interior e no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB) (Aqui!).

Exatamente um mês após a realização dessa ameaça, a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou o retrato falado da pessoa que teria ameaçado o Frei Gilberto (ver matéria completa abaixo). A minha expectativa é de que após essa divulgação seja mais fácil identificar e deter para interrogatório o suspeito, de modo que se possa identificar de forma pronta os mandantes da ameaça de morte que teve como finalidade óbvia demover o Frei Gilberto de continuar cumprindo o papel de organizador da resistência contra o avanço da bauxita no PESB e nas áreas de entorno. A ver!

Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de ter ameaçado Frei Gilberto em Belisário

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Retrato foi feito pelo Instituto de Criminalística da PC, com base na descrição do religioso

Com base no depoimento prestado pelo Frei Gilberto Teixeira à Polícia Civil (PC) sobre a ameaça de morte que sofreu no último dia 19 de fevereiro quando saía da igreja em direção a casa paroquial, em Belisário, o Instituto de Criminalística divulgou nesta segunda-feira (20) o retrato falado do suspeito.

Até o momento não há informações sobre o suspeito e a divulgação do retrato falado tem o objetivo de ajudar na identificação e localização do mesmo através de denúncia.
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Frei Gilberto é um dos líderes do movimento contra a mineração em Belisário; ameaça ocorreu em 19/02

Frei Gilberto é um dos líderes do movimento de resistência à mineração no Parque Estadual Serra do Brigadeiro. De acordo com o religioso, a ameaça está ligada a sua militância junto aos moradores e produtores rurais contra a atividade na região, no entanto, não afirma que o ato tenha partido da empresa.  

Logo após o ocorrido a Diocese de Leopoldina divulgou nota de repúdio a ameaça e anunciou as medidas que haviam sido tomadas para a segurança pessoal do religioso.
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Sec. de Estado disse que religioso será inserido no Programa de Proteção a Pessoa do Governo de Minas

O caso ganhou repercussão nacional e na última terça-feira (14) o Secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, foi até o distrito para conversar com frei Gilberto. O secretário se reuniu ainda com representantes do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração e moradores do distrito que manifestaram contrários a atividade mineração.

Nilmário Miranda disse que o religioso será incluído do Programa de Proteção à Pessoa e que também iria encaminhar tais demandas ao governador Fernando Pimentel.

A Polícia Civil de Muriaé, através do delegado Marcelo Lopes de Aguiar, da 32ª DP, está investigando o caso que segue sob sigilo.

Informações sobre o possível autor da ameaça ao Frei Gilberto podem ser repassadas à Polícia Civil, anonimamente, pelo telefone 197 ou através do Disque Denúncia no número 181.

 Fonte : Rádio Muriaé

FONTE: http://leopoldinense.com.br/noticia/10644/policia-civil-divulga-retrato-falado-de-suspeito-de-ter-ameacado-frei-gilberto-em-belisario

Conflito da mineração em Belisário: Secretário de Direitos Humanos de MG se reúne com lideranças comunitárias após ameaça de morte ao Frei Gilberto

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Como anunciado aqui, a partir da repercussão de uma matéria  publicada no blog do jornalista Marcelo Auler (Aqui!),  o secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania – SEDPAC, do governo de Minas, o ex-deputado federal e ex-ministro chefe da Secretaria de Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda, esteve hoje no distrito de Belisário (que é parte do município de Muriaé) para uma animada reunião.  O interessante é que, segundo informes obtidos por mim nas redes sociais, esta reunião contou com a presença de  mais de uma centena de lideranças comunitárias e de movimentos sociais que aproveitaram a ocasião para discutir a problemática situação da mineração de bauxita na região de entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB).

Um aspecto importante desta reunião foi o apoio  que todos os presentes expressaram ao Frei Gilberto que,como informado por este blog (Aqui!) foi ameaçado de morte por sua luta contra a destruição de territórios que são tradicionalmente ocupados pela agricultura familiar. 

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Nesse sentido, o secretário Nilmário Miranda informou que o Frei Gilberto será no Programa de Proteção que está sendo viabilizado pelo governo do estado,  e que agora começam os demais passos do programa, inclusive o Frei Gilberto irá a Belo Horizonte (Aqui!). 

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É interessante notar que esta reunião antecede a posse dos novos membros do Conselho Consultivo do PESB que deverá ocorrer amanhã (15/03) exatamente no distrito de Belisário. Com certeza todos os acontecimentos decorrentes da ameaça de morte ao Frei Gilberto irão tornar essa cerimônia bem mais concorrida. A ver!

Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais envia mensagem de solidariedade ao “Blog do Pedlowski”

Recebo hoje uma mensagem da Profa. Andréa Zhouri, coordenadora do Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais  (GESTA-UFMG) (Aqui!)  com o sentido de prestar solidariedade e apoio por causa da notificação extra-judicial recebida dos representantes legais da Companhia Brasileira de Aluminio (Aqui!).
Essa é uma mensagem extremamente bem vinda, especialmente porque respeito muito o trabalho realizado pela equipe do GESTA-UFMG em prol das comunidades afetadas por diferentes tipos de conflitos socioambientais em diferentes partes do território mineiro. Mas o que me satisfaz ainda mais é saber que a partir desta nota, o Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais  (GESTA-UFMG) deverá acompanhar com atenção os desdobramentos relacionados à ameaça de morte proferida contra o Frei Gilberto e a comunidade de Belisário.

Mensagem de solidariedade e apoio do Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais  (GESTA-UFMG) ao Blog do Pedlowski

Caro Marcos.

Receba nossa irrestrita solidariedade e apoio. Repudiamos qualquer tentativa de silenciamento do blog, atos de intimidação contra você e cerceamento da livre expressão. Os atos de violência nos contextos de conflitos ambientais devem ser amplamente divulgados, denunciados e repudiados. Conte com o apoio do Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais.

Grande abraço,

Andréa Zhouri
Coordenadora do Observatório dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais  (GESTA-UFMG)

Blog do Pedlowski recebe notificação extra-judicial por noticiar conflito socioambintal em Belisário (MG)

Uma coisa que sempre me deixou curioso ao longo dos quase 6 anos de existência do “Blog do Pedlowski” foi o fato de que apesar de todos os fatos espinhosos que foram abordados, nenhuma notificação judicial ou extra-judicial havia sido produzida contra mim. Eu normalmente atribui essa falta de notificações com o fato de que a audiência atingida era insignificante demais para as corporações se preocuparam em tentar silenciar este blog.

Bom, esse cenário acaba de ser modificado por uma notificação extra-judicial que foi enviada ao endereço do blog pelo prestigioso escritório de advocacia  “Moraes Pitombo Advogados”  em relação à postagem que fiz em relação à ameaça de morte cometida contra o Frei Gilberto Teixeira que atua no Distrito de Belisário em Muriaé (MG) (Aqui!).

Como os leitores do blog poderão observar a partir da leitura da notificação da “Moraes Pitombo Advogafos” que se apresenta na condição de representante legal da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) se baseia em dois aspectos da minha postagem sobre a ameaça de morte cometida contra o Frei Gilberto: 1) que a ameaça não teria ocorrido, já que a CBA teria procurado registros policiais sobre o fato e não teria encontrado qualquer registro, e 2) que eu teria feito referência direta à CBA como sendo partícipe da ameaça que relatei.

Em relação à primeira sustentação da notificação, creio que essa é uma matéria já ultrapassada após a declaração pública da Diocese de Leopoldina registrando a ameaça (Aqui!) e o lançamento de uma nota assinada por 73 entidades igualmente abordando o fato (Aqui!). Em outras palavras, a ameaça não só existiu como foi fortemente repudiada por causa da sua natureza anti-democrática.

Já em relação ao segundo aspecto da notificação, deixo claro que não fiz qualquer referência à CBA como partícipe da ameaça feita ao Frei Gilberto e, inclusive, estranho que essa ligação tenha sido feita por quem diz representar a empresa.

Um aspecto que parece ter fugido à atenção de quem produziu esta notificação extra-judicial é que este blog opera amparado numa ampla rede de contatos que colabotam com materiais que normalmente ainda não chegaram à atenção da mídia corporativa. Além disso, antes de publicar quaisquer postagens relacionadas à conflitos socioambientais, realizo uma verificação direta antes de publicar.  Talvez por isso é que tenha demorado tanto tempo para uma notificação desta natureza aparecer.

O fundamental nesta questão é que o blog já cumpriu e continuará cumprindo o seu papel de informar sobre os conflitos em curso em Belisário, e que a repercussão alcançada já justificou a publicação feita. Além disso, continuarei a abordar os eventuais desdobramentos deste caso da mesma forma com que tenho feito em outros casos, qual seja, de forma documentada e equilibrada, pois só assim manterei o nível de confiança que os leitores deste blog depositam no que aqui é publicado.

Finalmente, continuo prestando toda a minha solidariedade ao Frei Gilberto e aos agricultores do Distrito de Belisário, pois são eles os que precisam ser realmente apoiados nos duros embates que estão conduzindo em defesa de suas formas de organização social e produtiva.

 

Diocese de Leopoldina emite comunicado sobre ameaça a religioso que defende pequenos agricultores em Muriaé

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Na última segunda-feira (20/02) publiquei uma postagem sobre ameaças de morte que foram cometidas no Distrito de Belisário que é parte do município de Muriaé (Aqui!). Pois bem, no dia de hoje  Dom José Eudes Campos do Nascimento , Bispo da Diocese de Leopoldina, e o Chanceler do Bispado, Pedro Lopes  Lima, assinaram uma nota sobre esse atentado contra o Frei Gilberto, a qual segue logo abaixo.

Considero esse posicionamento público da Diocese de Leopoldina muito importante, pois as ameaças se dão num contexto de fortes tensões que marcam a tentativa de impor a mineração de bauxita sobre unidades de conservação e pequenas propriedades familiares que hoje tornam o Distrito de Belisário em um espaço singular de preservação da Mata Atlântica e de importantes serviços ambientais, a começar pela manutenção da capacidade hídrica em toda aquela região.

Ao Frei Gilberto toda a solidariedade e à Diocese de Leopoldina o aplauso por essa medida tão cristinalina de proteger um dos seus.  

Abaixo um vídeo onde Frei Gilberto dá explicações sobre a luta que a comunidade Belisário vem realizando contra a destruição do seu modo de vida, o que fatalmente ocorrerá com a realização de atividades de mineração de bauxita naquele santuário ecológico.

ATENTADO A FREI GILBERTO

Publicado por 
Autor:Pedro Lopes

No último dia 19 de fevereiro, domingo, o nosso querido Frei Gilberto Teixeira, Administrador Paroquial da Paróquia de Santo Antônio, em Belisário, distrito de Muriaé, sofreu um atentado por ameaça de morte, com a exibição de arma de fogo. Foi abordado quando, encerrada a missa dominical com sua comunidade, entrou, sozinho, na casa paroquial. O bandido fez questão de lhe informar que o acompanha em todos os seus atos e movimentos, nos últimos tempos. Impôs-lhe que se calasse em todos os pronunciamentos sobre os direitos dos seus paroquianos, para não ser morto. E que era o último aviso.

Frei Gilberto, em sua função missionária, como deve ser, vem prestando  assistência e apoio aos pequenos agricultores de sua comunidade, na luta contra a espoliação de suas terras e a degradação das áreas de lavouras familiares. Em nosso País, como temos assistido com muita dor, os ditos “grandes empreendimentos” não suportam argumentação que contrarie seus planos, sabedores de que sempre sairão vitoriosos. Pelo que, ignoram qualquer bem-estar ou direito dos fracos. Se entender necessário, desprezam até mesmo a vida humana dos contraditores.  Irmã Dorothy é uma das nossas mais recentes e dolorosas memórias…

Diante deste monstruoso atentado, a Diocese de Leopoldina não pode nem vai se calar, enquanto a questão for a segurança, o direito e o bem-estar de nosso Clero e das nossas comunidades. Frei Gilberto fazia o que toda a nossa Diocese faz e fará sempre. Temos compromisso com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua milenar opção pelos mais sem-voz e sem-vez e, nestes últimos tempos, acompanhando o Santo Padre, o Papa Francisco, no “Cuidado com a Casa Comum”, na recomendável leitura de sua Carta “Laudato SÌ”. A vida de nosso povo e o meio-ambiente saudável não são questão secundária para a nossa Igreja. “Que todos tenham vida e a tenham em abundância” – como o Senhor Jesus proclamou.

Tornamos público que todas as medidas necessárias à segurança pessoal de Frei Gilberto estão sendo tomadas e que as autoridades foram devidamente acionadas para que se investigue e que o autor, e o mandante se for o caso, sejam criminalmente responsabilizados.

Assim, esperamos que o mandante retire suas sentenças e que as autoridades constituídas venham em socorro imediato daquelas comunidades, para que se assegurem os sagrados direitos às suas pequenas propriedades, à proteção aos saudáveis e ricos mananciais de água potável de extraordinária qualidade que ali nascem. E, por fim, que os serviços de evangelização e expressões religiosas não venham  jamais  ser amordaçados. E que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!

 Leopoldina,23 de fevereiro de 2017

Dom José Eudes Campos do Nascimento  – Bispo Diocesano

Pedro Lopes  Lima – Chanceler  do Bispado

Desmatamento na Amazônia: números explosivos são apenas a ponta do iceberg

O jornalista Maurício Tuffani abordou hoje no seu “Direto da Ciência” o problema expresso pelos últimos dados sobre o desmatamento raso na Amazônia brasileira, e lembrou que existem ainda outros fatores importantes de degradação como o fogo e a extração seletiva de madeira para que se componha uma imagem mais acabada da perda da biodiversidade naquele bioma (Aqui!).

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Acredito que é fundamental a lembrança feita por Maurício Tuffani sobre o fato de que o corte raso é apenas uma fração (talvez até menor) da perda de biodiversidade na Amazônia. É que já em 2010 fui co-autor de um artigo publicado pela revista “Remote Sensing of Environment” (Aqui!) onde ficou estimado que 70% das florestas amazônicas possuíam algum nível de degradação por causa da extração seletiva de madeira. Além disso, também apontamos a forte sinergia existente entre extração seletiva, penetração de fogo e a prática do corte raso.

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De lá para cá, as evidências que já foram obtidas por meio de pesquisas subsequentes e que ainda serão publicadas é que houve um espalhamento considerável das áreas sendo afetadas pela extração seletiva de madeira, o que permite a inferência de que o aumento já detectado nas novas que tiveram a floresta completamente erradicada ainda não deve ser um momento de pico. Em outras palavras, as taxas anuais de desmatamento ainda deverão aumentar nos próximos anos.

A pergunta que pode ser feita imediatamente é a seguinte: por que estamos assistindo ao retorno de taxas explosivas de corte raso na floresta Amazônica? Para mim que fui pela primeira vez no estado de Rondônia em fevereiro de 1991 quando ainda havia muita floresta nativa na sua região central e que hoje está totalmente desmatada, o que estamos presenciando é o equivalente a uma tempestade perfeita. 

É que se pegarmos variáveis como a expansão da pecuária de corte, das monoculturas de cana de açúcar e soja, a perda de controle sobre a extração de madeira, a diminuição da proteção às unidades de conservação, e somar tudo isso aos projetos de rodovias e hidrelétricas que foram fomentados por meio do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o resultado não poderia ser outro que não um aumento explosivo nas diversas formas de degradação da floresta Amazônica.

Para completar essa tempestade perfeita ainda tivemos a aprovação do novo Código Florestal, (ao qual brevemente se juntará a reforma do Código de Mineração, é preciso lembrar ), que sob o argumento de modernizar a legislação, acabou por facilitar a vida dos diferentes agentes responsáveis pelo desmatamento, aí podemos ter uma fotografia completa da tragédia.

Mas como naquela Lei de Murphy que dita que aquilo que está ruim sempre pode piorar, o governo “de facto” de Michel Temer abandonou o discurso pragmático que reinou por mais de uma década que ditava que era possível combinar desenvolvimento com conservação, e partiu para liberar geral. De quebra, ainda tivemos o retorno de Zequinha Sarney ao comando do Ministério do Meio Ambiente, enquanto no Ministério da Agricultura foi colocado o dublê de senador e mega latifundiário Blairo Maggi. Esse descompasso de figuras e de poderes entre os dois ministérios sugere um novo elemento para jogar mais energia na tempestade perfeita que está engolindo rapidamente grandes áreas de floresta para transformá-las rapidamente em territórios do “agrobusiness” e das mineradoras.

Toda esse contexto obrigará a comunidade científica a sair de uma posição quase chapa branca que perdurou ao longo dos anos Lula/Dilma para uma ação mais diligente para estabelecer o real tamanho do problema que estamos enfrentando na Amazônia neste momento. O duro vai ser fazer isso com o orçamento congelado nas universidades e instituições de pesquisa.

Especialista que revelou dimensões do TsuLama ao mundo, analisa relatório da ANA e faz alertas preocupantes sobre situação de barragens de rejeitos no Brasil

Lindsay Newland Bowker é a especialista de análise de riscos ambientais relacionados às atividades de mineração que primeiro levou ao conhecimento mundial as reais dimensões do incidente ambiental causado pela Mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues no dia 05 de Novembro de 2015.  Em função da qualidade do relatório que a sua organização produziu pudemos ter um primeiro olhar ampliado sobre as dimensões do desastre, e que foi rapidamente divulgado por alguns do principais veículos da mídia internacional (Aqui!Aqui! Aqui!).

Em função de suas preocupações com o que ela percebe uma falta de respostas à altura por parte das autoridades brasileiras à hecatombe ambiental e social criada pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton), Lindsay Newland Bowker está acompanhando de perto a situação brasileira, bem como as informações que surgem a respeito das centenas de barragens de rejeitos que existem em diferentes partes do território brasileiro, algumas com capacidade destruição armazenada que superam o caso da barragem de Fundão em Mariana.

O material abaixo, que foi publicado originalmente em inglês por Lindsay Newland Bowker, em seu blog (Aqui!) traça um cenário bastante preocupantes sobre a situação envolvendo a disposição de rejeitos de mineração no Brasil tomando como base um relatório elaborado pela Agência Nacional de Águas em 2014.

Como julgo que as considerações e prognósticos feitos por ela são muito importantes realizei uma tradução completa do material para que este possa ser lido de forma mais ampla no Brasil. E posso adiantar que os prognósticos não são nada animadores.

TODOS AS 144 GRANDES BARRAGENS DE REJEITOS  EXISTENTES NO BRASIL DEVEM SER CONSIDERADAS COMO SOB RISCO DE ROMPIMENTO E REAVALIADAS POR UM PAINEL MULTIDISCIPLINAR TOTALMENTE INDEPENDENTE 

Por Lindsay Newland Bowker*

De acordo com um relatório produzido pela Agência Nacional de Águas (Aqui!), o Brasil possui 633 reservatórios de rejeitos, a maioria deles construída após a promulgação de uma nova legislação em 2010, sendo que 144 deles são grandes o suficiente para causar perdas catastróficas (i.e., sociais, ambientais, econômicas) caso venham a colapsar. Neste relatório, a ANA classifica apenas 32 do universo de 633 como sendo de alto risco de acordo com os procedimentos padrões que foram utilizados para analisar o grau de risco. Estes procedimentos parecem seguir padrões de classificação de risco que tratam o problema de uma forma mais simplista e estreita no que se refere à definição de quanto dano pode resultar de um determinado caso de derramamento de rejeitos. 

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Estes procedimentos, entretanto, não identificam se do que foi construído e está sendo operado pode esperar que atenda os padrões ambientais.  Por exemplo, estes procedimentos não tem como avaliar a propensão para rompimento em função de uma dada altura e configuração de capacidade, taxa de preenchimento, desenho do reservatório, sistema de drenagem, capacidade para separar silte de areia, proporção de partículas finas, secura ao longo do depósito, e outras características específicas de depósitos de rejeitos que não são compartilhadas por reservatórios de água.   

Todos devem se lembrar que o relatório de inspeção de Julho de 2015 que foi preparado pela VOG BR deu uma nota satisfatória para o reservatório de Fundão da Mineradora Samarco em Mariana (MG). Como a VOG BR explicou em uma breve nota que foi postada na internet e que já foi analisada de forma extensa por mim, aquele documento era um relatório anual de aderência a procedimentos de segurança cuja forma e conteúdo são determinados por regras e legislações existentes no Brasil.

A VOG BR escreveu que a Samarco não permitiu que eles tomassem medidas de forma independente ou que seus técnicos visitassem o reservatório de Fundão. Em vez disso, a VOG BR informou que a Samarco lhes entregou dados e estabeleceu formalmente em contrato o tipo de análise que deveria ser feito neles. Este mesmo procedimento de avaliação de inspeção anual de segurança foi provavelmente utilizado pela ANA para avaliar a situação de todos os grandes reservatórios de rejeitos existentes no Brasil.

Adotando uma visão mais abrangente e informada do ponto de vista forense sobre o que seja risco e avaliando a estrutura legal brasileira, fica óbvio o seu baixo nível de competência técnica em mineração. Em função disso, acreditamos que todos os 144 grandes reservatórios de rejeitos de mineração existentes no Brasil deveriam ser classificados como estando sob risco significativo de rompimento. Em função disso, um programa independente avaliação de risco multidisciplinar deveria ser realizado em todos estes 144 reservatórios. Além disso, todas as barragens a montante com altura superior a 50 m deveriam receber atenção prioritária. Adicionalmente, uma prioridade imediata deveria ser colocada em 15 megabarragens de altura extrema e tamanho relativo a outras barragens de rejeitos existentes em outras partes do mundo. Nossas razões para considerar que todas as 144 grandes barragens em risco são as seguintes:

(1) a reforma da legislação de 2010 (i.e., a da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), estabelecido pela Lei Federal nº 12.334, de 20 de setembro de 2010) não abordou nenhuma das causas de falhas catastróficas concentrando-se sobre a estrutura da responsabilidade penal e civil. Sob a vigência dessa legislação as falhas fatais na barragem de Fundão não foram detectadas ou abordadas até o seu rompimento, no que representou no pior acidente desta natureza na história da mineração mundial.

(2) A Vale controla 114 de 633 totais instalações do tipo Tailing Storage Facility (TSF) (Unidade de Armazenamento de Rejeitos) e conseguiu fazer o Brasil recuar da adoção de medidas que colocariam limites na altura e na taxa de preenchimento de reservatórios (que é globalmente o melhor tipo de procedimento a ser adotado), bem como proibiria a construção de grandes barragens a montante (Eisenhammer & Nogueira, 2016). A Vale, que detém 50% da Samarco, vetou a expansão deste tipo de procedimento, não obstante o fato de o seu próprio consultor ter sinalizado a ausência de capacidade adequada sobre o Fundão, bem como a ausência de qualquer plano ou espaço “in situ” para fornecer tal capacidade.  O inventário das TSFs da Vale inclui muitas, se não a maioria, das grandes barragens de rejeitos existentes no Brasil.

(3) Não há nenhuma competência de mineração dentro de qualquer das entidades que emitem licenças no Brasil ou dentro do estado brasileiro. Ainda que o quadro jurídico existente tenha relacionado às causas do rompimento catastrófico de barragens, não há capacidade técnica dentro do governo brasileiro para determinar se as normas ambientais e de conservação são realmente atingíveis. Praticamente todas as 144 grandes barragens de rejeitos e os 15 mega barragens foram autorizadas sem que existisse a competência técnica por parte da agência responsável por sua fiscalização. 

(4) O estado de Minas Gerais, que é um importante centro de mineração no Brasil, parece tanto inepto quanto uma vítima de uma completa captura regulatória (como foi e é o caso da British Columbia no Canadá).  O Rio Pomba teve dois graves acontecimentos anteriores (2003 e 2006) antes da ocorrência de uma falha final muito grave em 2007. Além disso, Minas Gerais é responsável por 3 das 18 falhas muito graves que ocorrem no mundo (entre 1/1 / 1996 a 31/12/2015, de 17%) e 3 das 20 falhas graves após o ano de 1996 (15%). Nós não precisamos de mais detalhes sobre a produção total de minério de Minas Gerais para saber que isto está fora de escala em relação à posição deste estado brasileiro na produção mundial de minério. 

Nas imagens à cima, a direita mostra o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguazes e na esquerda os impactos ocorridos na área urbana da cidade de Miraí, 2007.

(5) O Brasil, desde a aprovação da legislação de 2010 iniciou uma expansão massiva inadequadamente regulada da produção de metais que lançou as sementes para falhas catastróficas envolvendo bacias de rejeitos (Aqui! ). O fato é que em 2011 havia apenas 241 barragens de rejeitos, contra um total de 641 em 2012 (veja abaixo Figura 9 do relatório citado).

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Para o crédito do Brasil e de acordo com a revisão legal de 2010, o país pelo menos fez um registro das suas TSFs e apresentou publicamente algumas estatísticas úteis.  Cada Estado Nação deveria relatar e monitorar a condição de todas as barragens do tipo TSF que tenham sido autorizados, como fez o Brasil neste relatório da ANA.  Porém, a grande falha do relatório da ANA é que ele se concentra sobre um conjunto comum de medidas entre todos os tipos de barragens, enquanto negligencia a abordagem de elementos-chaves de riscos e de funções que são de uso específico. Por exemplo, nenhuma discussão sobre a construção de depósitos à montante e sobre a taxa de elevação de barragens de rejeitos.

Como já se sabe, o Comitê Internacional sobre Grandes Barragens (ICOLD) não acompanha a situação das barragens de rejeitos por medo de que a sua situação de falta de segurança possa se refletir sobre a percepção pública sobre a segurança dos reservatórios de água (Kiernan, 2016) O Brasil pelo menos conta e dá estatísticas básicas sobre suas barragens de rejeitos. Com isso, nós, por causa da nossa profunda imersão no conhecimento forense das catástrofes da mineração em nível mundial, podemos fazer alguma inferência a partir destes dados sobre a responsabilidade civil maciça provavelmente já formada nestes 144 grandes TSFs.

Nós advogamos que barragens de rejeitos requerem seus próprios critérios de avaliação de risco e suas próprias estatísticas relevantes e regras legais. Nossa posição é de que todo distrito destinado para bacias de rejeitos deveria ter um grupo independente multidisciplinar que fosse indicado separadamente e com um mandato semelhante a um Departamento de Obras e Posturas no tocante à construção de grandes edifícios.  Os membros deste painel deveriam ter o poder de agir contra ou no lugar de órgãos de licenciamento que não estejam aplicando as regras existentes, o que é por si só uma das causas de fracasso (BC Auditor General´s Report, 2016).

O relatório da ANA usa as mesmas categorias de tamanho para barragens de rejeitos em relação as que são utilizados pela ICOLD para outros tipos de barragens. Neste sentido, a definição da ICOLD para grandes barragens é de uma altura maior do que 15 metros ou uma capacidade maior do que 3 milhões de metros cúbicos.  

Neste caso os critérios que definem um grande reservatório de água e aqueles que definem uma grande barragem de rejeitos são razoáveis e atendem as características forenses de uma falha catastrófica. Barragens de rejeitos de 3 milhões de metros cúbicos são capazes de causar falhas catastróficas, as quais Dr. Chambers e eu já definimos como sendo maiores do que 1 milhão de metros cúbicos (Bowker & Chambers 2015, Bowker & Chambers, 2016)  Em uma falha total, 30-50% do conteúdo da barragem é normalmente liberada (Rico 2010 e forense)

Como uma analista de risco e mais propriamente como uma analista, eu desencorajo que sejam feitas comparações entre reservatórios de água (que são construídos para atender um fluxo conhecido de materiais obedecendo a um conjunto de especificações rígidas, que retém apenas água) com barragens que são construídas com materiais que estejam prontamente disponíveis, que retém todo tipo de material tóxico e com grande variabilidade em termos da integridade estrutural dos materiais disponíveis em cada evento de elevação.  Obviamente estes tipos de barragens não podem ser significativamente comparados. Nós temos de reiterar que as estatísticas fabricadas, e por isso insignificantes, que mostram que as barragens de rejeitos falham numa taxa 10 vezes maior do que reservatórios de água deveriam ser aposentadas e nunca mais citadas por nenhum pesquisador, jornalista ou porta-voz dotado de responsabilidade.

Cada tipo de barragem de retenção deve ser avaliada pelos seus próprios riscos distintos de engenharia e de falhas inerentes, com base tanto no seu conteúdo como nos seus métodos e materiais de construção.

 Para desencorajar comparações com reservatórios de água seria melhor que estes fossem foram relatados separadamente e monitorados usando padrões adequados para sua avaliação, enquanto barragens de mineração (por exemplo barragem rejeitos ou aquelas construídas para reter soluções de lixiviação) sejam relatados e monitorados em seus próprios termos para avaliar os riscos específicos para cada tipo de barragem.

Ignorando as comparações por tipo de barragem no presente relatório da ANA (e resistindo qualquer tentação de citá-los em uma base comparativa), aqui estão algumas das estatísticas presentes no relatório da ANA:

 Por exemplo, a partir da Figura 4 (ver logo abaixo) podemos apontar que:

ana-figura-4

519 das 663  das barragens de rejeitos existentes no Brasil não são “grandes barragens” por definição e, por isto, não são capazes de causar falhas catastróficas como definido por Bowker Chambers (2015) e Bowker Chambers (2016).

Entretanto, também podemos verificar que:

144  das 663 unidades analisadas são grandes reservatórios.

Destas 144, 15 possuem uma capacidade maior do que 74 milhões de metros cúbicos (sendo que 7 deles possuem uma capacidade maior do que 200 milhões de metros cúbicos (ver também a Figura 10)

A distribuição das barragens de rejeitos existentes no Brasil é mostrada na Figura 12 que está colocada na página 29.

A barragem de Fundão estava com uma altura de 74 metros no momento do seu rompimento e tinha uma capacidade de armazenar 62 milhões de metros cúbicos.  O reservatório de Mount Polley tinha uma altura de 40 metros no momento do seu rompimento e uma capacidade de armazenamento de 75 milhões de metros cúbicos  ( Chambers Bowker Failure Data Base 2015, r visado em 2016).

Como ficamos sabendo recentemente, a BHP Billiton sequer tinha um geofísico no seu quadro técnico antes da falha catastrófica da barragem de Fundão e não possuía uma política de gerenciamento de riscos em muitas de suas minas ao redor do mundo.  Já a Samarco tinha uma painel independente de revisão de suas barragens de rejeitos mas o efeito do mesmo sobre a prevenção de perdas e controle é apenas aparente.  Não é um exagero considerar que todos os 144 grandes barragens de rejeitos estejam sob condição de risco.  

Eu e Dr. Chambers sabemos que baseados em nosso mergulho profundo na análise forense de todas as rupturas catastróficas já registradas de TSFs (Bowker & Chambers, 2015; Bowker & Chambers, 2016)  que a grande expansão no volume de produção de minério requerido para atender uma unidade de metal produzido enquanto as taxas de concentração estão caindo em escala mundial está sendo acomodada principalmente por levar os TSFs existentes para além de sua capacidade em termos de sua capacidade relativa à altura, volume, anos de vida útil e   pegada.  No TSF de Chuquicamata , por exemplo,   está sendo planejando o uso dos mesmos 43 Kmdefinido em  1985 para uma expansão subterrânea massiva daquela mina. No caso da Samarco, era sabido que o reservatório de Fundão não tinha a capacidade para suportar a expansão planejada nas atividades de mineração da empresa. A Vale que controla 144 TSFs existentes no Brasil ( ver o Quadra 4 na página 51 do relatório da ANA) aprovou a expansão de Fundão. Esta aprovação se deu ainda que todos soubessem que não havia um plano preparado para expansão da capacidade de armazenamento em local adequado, ou para que pudesse se manejar de forma segura o volume e a taxa de deposição de rejeitos que a expansão exigiria. Isso acontece em todos os lugares. Raramente vemos uma revisão  específica focada específica na capacidade das barragens de rejeitos para estas grandes expansões nas atividades de mineração, e os investidores nunca pensam previamente em fazer estas perguntas.   

Eu e Dr. Chambers temos falado por dois anos que os registros existentes nos indicam que a ação regulatória mais urgente e a atenção pública devem ser dirigidas ao material já depositado em barragens que ainda não manifestaram características de eminente falha catastrófica   (Bowker Chambers 2015, Bowker Chambers 2016)

 Parece claro que este esforço não pode ser um exercício de auto-avaliação e também parece claro que o estado de Minas Gerais e a maioria dos distritos de mineração não possuem a competência tanto para monitorar ou conduzir estas reavaliações 

Estas  reavaliações precisam ir mais além da avaliação rotineira das causas aproximadas de falhas. O registro mundial acerca de casos de falhas em depósitos de rejeitos mostra claramente as causas que explicam escolhas incompetentes ou simplesmente escolhas de engenharia erradas  que são comumente citadas como causas “aproximadas” (Bowker & Chambers, 2016)

 A classificação brasileira de risco e as mudanças feitas na legislação brasileira relativa às atividades de mineração ignoram o que já foi identificado como sendo as principais causas de rompimentos catastróficos de barragens (Bowker & Chambers, 2016)

O Brasil precisa parar o relógio em relação à sua agenda de expansão agressiva nas atividades de mineração para avaliar o que já permitido acumular após a expansão desregulada que ocorreu após 2010 para desenvolver uma estratégia para diminuir os riscos. Infelizmente parece que o atual código legal não oferece qualquer resposta até que um dado desastre destrutivo ocorra.   O Brasil precisa de novas leis que tratem de forma específica o que será descoberto quando um levantamento mais amplo for realizado acerca dos riscos existentes em relação aquilo que foi levantado por este relatório da ANA.  

Referências

Blight, Geoffrey (2010). “Management & Operational Background to Three Tailings Dams Failures in South Africa.” Chapter 42, Slope Stability in Surface Mining, ed. Hustrulid, W.A., McCarter, Kim, Van Zyl, Dirk, Society for Mining Metallurgy and Exploration, e-book, 2010.

 Blight, G.E. and A.B. Fourie (2004). “A Review of Catastrophic Flow Failures of Deposits of Mine Waste and Municipal Refuse.” Proceedings International Workshop, “Occurrence and Mechanisms of Flow-like Landslides in Natural Slopes and Earthfills.” Sorrento, 19-36, Picarello (ed), Patron, Bologna

 Bowker, L.N. and Chambers, D.M. (2016).” Root Causes of Tailings Dam Overtopping: The Economics of Risk & Consequence”  Proceedings of “Solutions 16”, (September 2016 ) ( presently in compilation by Solutions16  meanwhile pre publication copy available from the authors) 

 Bowker, L.N. and Chambers, D.M. (2015). “The Risk, Public Liability, & Economics of Tailings Storage Facility Failures.” July 21, 2015, http://www.csp2.org/technical-reports, (June 14, 2016).

Chambers D.M. and Bowker L.N.(2016)  Tailings Dam Failures 1915-2015 (excel Free publicly downladadble) www.csp2.org

Chambers, D.M. (2014). “Options For Defining Environmental “GO/NO-GO” Zones For Mines.”January2, 2014 http://www.csp2.org/technical-reports, (June 14, 2016). Commissioned Directed By Bowker Associates) http://www.csp2.org/files/reports/Go-NoGo%20Zones%20-%20Chambers%202Jan14.pdf

Eisenhammer, S and Nogueira, M (2016). “Brazil Mining Dam Reforms Unsettle Companies, Do Little for Safety.” Reuters, May 11, 2016

Kiernan, Paul (2016b). “Engineers Say Brazilian Disaster Shows World-Wide Danger from Hoover Dam-Size Earthen Structures Holding ‘Tailings’ Waste.” Wall Street Journal (WSJ), April 5, 2016

Mt Polley Expert Panel (2015). “Report on Mount Polley Tailings Storage Facility Breach.” Independent Expert Engineering Investigation and Review Panel, Province of British Columbia, January 30, 2015.

Lindsay Newland Bowker é uma especialista na análise de riscos ambientais, e tem atuado avaliado na análise dos impactos ambientais de projetos de mineração, e dirige o Bowker Associates, Science & Research In The Public Interest que é baseado no estado do Maine, costa leste dos EUA.