Trash science: as conferências caça-níqueis são apenas a ponta do iceberg

As atribulações dos últimos dias não me permitiram abordar de forma rápida ao material que o jornalista Maurício Tuffani publicou na plataforma “Direto da Ciência” acerca da volta com força total das conferências científicas caça-níqueis ao Brasil (Aqui!).

O fato das conferências caça-níqueis serem as irmãs gêmeas das revistas de “trash science” apenas reforça o caráter predatório das mesmas. É que como já mostrou o próprio Maurício Tuffani em determinados casos há uma espécie de ligação direta entre a conferência caça-níquel e uma revista predatória, a qual é normalmente publicada online pelos mesmos “empreendedores” da área da publicação científica.

Para mim a pergunta que realmente importa é de porque pesquisadores em diferentes níveis de desenvolvimento de sua carreira científica se submetem a este tipo de esquema de vulgarização da ciência. As respostas são muitas, mas a principal parece ser a preferência dada pelos órgãos de fomento por premiar a quantidade e não a qualidade do que é publicado como sendo produto de investigação científica.

Algo que chama a minha atenção toda vez que este assunto surge é o quase completo silêncio que se forma por parte da ampla maioria da comunidade científica, e não apenas da brasileira. Esse é definitivamente um fenômeno global e que responde a um processo de comodificação da ciência. A diferença é que no Brasil enquanto muitos participam ativamente dos eventos e revistas que produzem e disseminam lixo científico, poucos falam aberta e criticamente do problema.

Felizmente um núcleo de resistência a este processo de vulgarização do conhecimento científico está se formando, graças ao trabalho de indíviduos como Maurício Tuffani e Jeffrey Beall que vem apontando não apenas para a existência do problema, mas também para a necessidade urgente de que saiamos de uma posição de negação do óbvio para outra que recoloque a produção da ciência dentro dos marcos rigorosos que permitiram avanços impressionantes no entendimento de processos naturais e sociais nos últimos quatro séculos.

Finalmente, para os interessados em não cair nas malhas das conferências caça-níqueis, sugiro a leitura dos critérios propostos pelo professor Jeffrey Beall para identificar quando nos deparamos com esse tipo de pseudo evento científico, o qual pode ser acessado (Aqui!).

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