Michel Temer e Pezão vão colocar as Forças Armadas nas ruas para “ajudar na segurança” ou para viabilizar a privatização da CEDAE?

A mídia corporativa está informando que o presidente “de facto” Michel Temer acaba de autorizar, a pedido do (des) governador Luiz Fernando Pezão, o uso das forças armadas brasileiras para “garantir a segurança” no estado do Rio de Janeiro, inclusive na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Aqui!Aqui!, Aqui!Aqui!).

Cá entre nós, esse uso das forças armadas para garantir a segurança pública é uma bela desculpa para usar contingentes militares para sufocar pela força os inevitáveis protestos que irão ocorrer quando a base do (des) governo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tiver um mínimo de coesão para aprovar a privatização a lucrativa Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE). Entretanto, essa é uma jogada que traz graves perigos não apenas para o Rio de Janeiro, mas para todo o Brasil.

Não custa lembrar que um dos episódios mais trágicos do início da chamada “Nova República se deu exatamente no estado do Rio de Janeiro em 1988, quando tropas do Exército foram enviadas pelo presidente José Sarney para reprimir uma greve que ocorria na então estatal Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e acabaram promovendo um verdadeiro massacre que ainda é lembrado de forma viva pelos habitantes da cidade de Volta Redonda  (Aqui!).

O risco que se corra com essa operação de uso de contingentes militares para garantir a privatização de uma empresa pública é justamente produzir um cadáver ou mais cadáveres que certamente faria eclodir uma grave convulsão social. É que está mais do que evidente que o (des) governador Luiz Fernando Pezão perdeu completamente a condição política de continuar à frente do executivo fluminese. E usar as Forças Armadas para garantir uma sobrevida momantânea ao seu (des) governo morimbundo trará inevitavelmente os riscos que estou apontando.

Mas como estamos diante de um (des) governo que se encontra numa encruzilhada encrencada, não me parece que devamos esperar qualquer grau de razoabilidade da parte dos seus componentes. Por outro lado, é possível que a repetição do uso de forças militares para resolver um problema que deveria ficar na esfera das decisões políticas possa apressar o final da agonizante Nova República, o que seria uma grande ironia histórica.

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