Hegemonia chinesa e alta presença de agrotóxicos banidos caracterizam primeira rodada de liberações de 2020

agrotóxicos

Já comentei anteriormente a liberação de 16 agrotóxicos por meio do Ato No 13 de 2020 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento/Secretaria de Defesa Agropecuária (Mapa).  Mas como houve no mesmo dia, a promulgação do  Ato No 12, resolvi analisar a lista de 32 produtos que tiveram sua comercialização liberada por essa publicação.

Pois bem, a primeira coisa notável é que todos os 32 produtos (dos quais 2 são hormônios vegetais) são produtos técnicos, os quais passarão por outras etapas de preparo até serem colocadas no mercado.   Acrescido a isso, está o fato de que empresas localizadas na China respondem a 87,5% dos fabricantes primários, e basicamente os únicos, de todos os produtos técnicos liberados pelo Ato No 12 (ver gráfico abaixo).

origem país

Não bastasse essa clara predominância chinesa, pude notar que apenas três empresas chinesas fornecem 65% dos produtos aprovados, o que configura uma clara concentração nos fornecedores, o que poderá ter implicações sérias para os importadores brasileiros, tanto em termos de oferta como de preço dessas substâncias.

Além disso, no tocante ao status na União Europeia, 37,5% dos produtos aprovados contém ingredientes ativos que estão proibidos pelo bloco (ver figura abaixo).

status eu

Há ainda que destacar que o famigerado Fipronil, apontado como um dos agrotóxicos responsáveis pelo extermínio de abelhas no Brasil, teve 8 produtos liberados pelo Ato No 12, e curiosamente 6 deles com submissão realizada pela mesma empresa, a AllierBrasil Agro Ltda., sediada na cidade de São Paulo, e que tem como única fornecedora a empresa chinesa Lianyungang Avilive Chemical Co., Ltd.

Trocando em miúdos, a se considerar as características apontadas acima, o que vemos é um aprofundamento da influência da indústria chinesa no fornecimento de agrotóxicos (muitos deles banidos em outras partes do mundo) para saciar as necessidades de consumo do latifúndio agroexportador. Por outro lado, a China é a principal parceira comercial brasileira na aquisição de commodities agrícolas como a soja (que curiosamente responde por mais de 50% do consumo de agrotóxicos no Brasil. Resta saber quem está ganhando mais dinheiro com essa parceria envenenada. De cara, me parece que não é o Brasil que, na prática, acaba ficando com um enorme passivo ambiental e social por causa da parceria.

Quem desejar a conhecer a lista completa dos 32 agrotóxicos liberados pelo Ato No 12 de 2020, basta clicar [Aqui!]

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