Pandemia e golpe de estado no Brasil?

bolsonaro-manifestaçãoContrariando orientações do Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro saúda apoiadores que podem golpe de estado em meio à pandemia da COVID-19.

Começo esta postagem mostrando o gráfico da curva ascensional dos casos de infecção do coranavírus nos países que se tornaram o epicentro desta pandemia.  A partir dessa curva se pode notar que o Brasil caminha para em breve substituir um grupo de países que até agora liderou a corrida das infecções e mortes (i.e., Espanha, Itália e Alemanha), e deverá passar a disputar o primeiro lugar nos dois quesitos com os EUA.

curva ascensão

O fato é que neste início de segunda-feira (04/05), o Brasil já ocupa o 10o no número de infecções, o 7o  no número de óbitos e o 2o  no número de casos graves. E, pior, como a tendência de crescimento está evidente na curva ascensional mostrada acima, tudo indica que teremos semanas bastante difíceis pela frente, na medida em que a pandemia deverá se alastrar para cidades médias e pequenas, mais do que já se alastrou. O momento então é de extremo cuidado e de persistência nas medidas de isolamento social, cuidados com a higiene pessoal e uso de máscaras faciais.  Tais cuidados já estão mais do que anunciados como as únicas formas de se evitar o alastramento do coronavírus.

Enquanto isso a pandemia come solta pelo país afora, o presidente Jair Bolsonaro mais uma vez reuniu seus apoiadores e se misturou a eles em claro confronto com as recomendações emanadas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. E em meio a desfiles de bandeiras estrangeiras na rampa do Palácio do Planalto (no caso as bandeiras dos EUA e de Israel como mostra a imagem abaixo), Jair Bolsonaro dá a entender que pode realizar um golpe de estado com o apoio das forças armadas.

bandieras

Ainda que não se possa desprezar o pendor autoritário do presidente da república, prefiro chamar a atenção para outro aspecto da aglomeração de ontem: apesar de barulhenta e cheia de atos anti-democráticos contra profissionais da mídia corporativa, a aglomeração expressou em quantidade o real apoio que Bolsonaro possui na população brasileira, qual seja, um apoio residual (ver imagem abaixo mostrando tomada aérea da aglomeração em frente do Palácio do Planalto).

Apesar de ruidosa, a manifestação pró-golpe de estado foi raquítica em termos de participantes, revelando o real tamanho de Jair Bolsonaro.

Outro aspecto que me parece merecer a atenção que a mídia corporativa não tem nada. Ao chamar seus apoiadores para se aglomerarem em público, contradizendo tudo o que se sabe sobre as vias de disseminação do coronavírus, Bolsonaro está (consciente ou inconscientemente) possibilitando que seus apoiadores adoeçam em taxas maiores do que aqueles que estão aderindo ao isolamento social.

Essa propensão de colocar seus apoiadores em um processo de sacrifício em nome da causa lembra o que fez o pastor Jim Jones que,  em 18 de novembro de 1978,  resultou na morte de 918 pessoas  em um misto de suicídio coletivo e assassinatos em Jonestown, uma comuna fundada pelo fundador do Templo Popular.  Um aspecto que é pouco falado sobre Jim Jones é que ele viveu um ano no Brasil antes de se instalar na Guiana. Além disso, as ideias de Jones tinham um pendor socialista.  Mas o maior problema é que, ao contrário de Jones que sacrificou apenas seus seguidores, a indiferença de Jair Bolsonaro em relação ao potencial letal do coronavírus pode exportar as mortes para além daqueles que professam suas ideias.

Resta saber o que vão fazer os setores que apoiaram e continuando apoiando a via ultraneoliberal do atual governo. Até onde eu sei sobre determinadas figuras, não há muita propensão ao suicídio coletivo em nome de qualquer causa que seja. Essa indisposição para o auto-sacrifício por parte dos segmentos das elites que ainda o apoiam deverá pesar nas decisões que já devem estar em curso sobre o destino do presidente Jair Bolsonaro.

Em tempo, quando atacou as medidas de isolamento social, o empresário bolsonarista Junior Durski, proprietário do Madero, estimou que o Brasil não “poderia parar por 5 ou 7 mil mortes“.  Pois bem, o Brasil já ultrapassou o limite superior das previsões de Junior Durski e parece rumar para um recorde fúnebre sem precedentes na sua história recente. Por onde será que Durski anda e o que ele tem a nos dizer agora? 

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