A tática (até aqui vitoriosa) do (des) governo Pezão: dividir para privatizar

Um aspecto que está sendo propositalmente distorcido na forma com que o (des) governo Pezão está realizando o pagamento dos salários dos servidores estaduais da ativa e aposentados se refere ao fato de que o atraso atinge apenas uma parcela do funcionalismo (algo em torno de 20% do total).  Tal distorção facilita a disseminação de que o tamanho da crise é maior do que realmente é, e tem como objetivo facilitar a implementação de um brutal confisco salarial na forma do aumento da contribuição previdenciária do conjunto dos servidores.

Outro elemento presente na distorção que está sendo engenhosamente praticada pelo (des) governo Pezão é a separação das categorias “premiadas” com o pagamento em dia daquelas que amargam atrasos cada vez maiores. Neste caso fica claro que as categorias que carregam armas ou que tenham capacidade de mobilizar grandes contingentes para manifestações públicas são as que estão sendo privilegiadas em detrimento de categorias menores e desarmadas, como é o caso dos servidores ligados às universidades estaduais e à rede de escolas técnicas ligadas à Faetec.

E essa divisão é feita sem parcimônia alguma e até é anunciada publicamente pelos representantes do (des) governo Pezão. A intenção desta publicização é óbvia: aplicar a tática de dividir para reinar, e depois privatizar. E se tomarmos o exemplo da facilidade com que se privatizou a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), a tática está sendo cumprida com perfeição.

Agora, entender o que está fazendo o (des) governo Pezão implica também em entender no que não está sendo feito pela maioria dos sindicatos que supostamente representa os interesses dos servidores estaduais. A primeira coisa que não está sendo feita é praticar formas ativas de unificação pela base e optando pela realização de atos públicos apenas formais, onde a contestação ao (des) governo Pezão se restringe a enfrentamentos inúteis com o pelotão de choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro.  Em segundo lugar, o que os sindicatos não têm feito é tratar o problema afetando o serviço público estadual de forma estratégica, resumindo-se a negociações parciais para que determinadas categorias, justamente as que já têm mais força, continuem recebendo seus salários em dia e, como no caso recente das gratificações devidas aos servidores da área da segurança, recebendo gratificações atrasadas enquanto outros servidores ainda não tiveram seus salários de janeiro pagos.  O somatório dessas duas faces da atuação sindical resulta na criação de um estado de apatia e desmoralização generalizadas que apenas fortalecem a tática governamental de “dividir para reinar, e depois privatizar”.

E qual é o moral dessa história macabra?  Para mim é a necessidade de que se entenda o que está sendo feito pelo (des) governo Pezão para “dividir para reinar, e depois privatizar”, mas também que se pressione as direções sindicais para que efetivamente adotem uma ação unificadora de todos as categorias de servidores da ativa e aposentados para fazer frente à política de desmanche do serviço público estadual, e finalmente concretizar a realização de uma greve geral contra as políticas destrutivas do (des) governo Pezão. Do contrário, após aprovado o confisco salarial que atingirá duramente o conjunto do funcionalismo, o próximo passo será aplicar  planos de demissão voluntária (PDVs) que atingirão duramente todas as categorias e aprofundarão o processo de privatização do Estado no Rio de Janeiro.

4 pensamentos sobre “A tática (até aqui vitoriosa) do (des) governo Pezão: dividir para privatizar

  1. Tulio disse:

    E importante nao esquecermos a conjuntura formsda pela rede de corupcao envolvendo os atuais lideres politicos da nacao. Acredito que a principal ferramenta de uniao da base sindical e uma oposicao as praticas ilegais que os partidos tem praticado na rsfera federal.

  2. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos os policiais (militar e civil) e bombeiros, categorias que carregam armas, estavam com os salários atrasados também, os acertos nos salários (ainda faltam as gratificações e 13 salário) ocorreu apenas após a ameaça de paralisação por parte dos familiares dos policias. Quem está recebendo integralmente inclusive dentro do calendário de pagamento é o TJRJ, MPRJ, TCERJ e ALERJ, nestes órgãos, excluído o TJRJ, nunca houve atrasos (o TJRJ atrasou em duas ocasiões, foi tratado como um pequeno susto pelos serventuários), e que eu saiba todos mantém as gratificações em dia também, inclusive com pagamento de auxílio de natal em dezembro de 2016.

    • Marco Antônio, obrigado pelo esclarecimento. Mas note que eu não sou contrário a que meus colegas que portam armas recebam seus salários em dia. O que sou contrário é que categorias que não portam armas sejam solenemente ignoradas pelo (des) governo Pezão.

      • Marco Antônio disse:

        Eu concordo com o que o senhor expôs no texto, Pezão só está pagando aos órgãos que podem lhe trazer problemas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s