As universidades do Rio de Janeiro não estão paradas, mas sim em greves de insurgência contra sua destruição programada

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Para o olho menos treinado, universidades onde um ou mais segmentos decretam greves estão paradas. Mas eu diria que é apenas durante greves que as universidades brasileiras chegam perto do tipo de movimento que a sociedade exige delas em termos de reflexão sobre a nossa dura realidade.

Como participante de diversas greves desde que cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) afirmo sem medo de errar que foi durante esses ricos processos de mobilização política que pude ver as nossas muitas mazelas discutidas de forma ampla e franca.

Um argumento que ouvi de forma repetida ao longo de quase 20 anos é que greves não resolvem nada em universidades porque elas não param a produção como fazem metalúrgicos ou petroleiros.  Depois de muito pensar sobre este argumento, cheguei à conclusão que vai de encontro às teses levantadas para apontar uma suposta inutilidade em nossas greves. É que basta olhar para o meu contra-cheque ou simplesmente para o número do CNPJ da Uenf que todas essas conquistas (sim, a Uenf ter seu próprio CNPJ é uma enorme conquista) resultaram de greves que foram muito duras, pois os governantes de plantão raramente aceitam argumentos lógicos.

Entretanto, a minha tese é de que somente nos períodos de greve que os governantes realmente se apavoram com o principal produto gerado por universidades, qual seja, o pensamento crítico que desnuda a real natureza de suas políticas. Por isso, sempre que há uma greve, os governantes oscilam das ameaças diretas ao sentar na mesa para que se cheguem a algum tipo de solução que encerre o movimento grevista.

No caso atual das três universidades estaduais do Rio de Janeiro cujos professores estão em greve para demandar o pagamento dos seus salários atrasados, é possível notar que as manifestações associadas aos grevistas pela mídia corporativa vão muito além disso. O principal aspecto, aliás, se refere  à recusa ao projeto de destruição da natureza pública dessas universidades em prol das chamadas “Parcerias Público Privadas” e da cobrança de mensalidades dos estudantes.  Nesses dois quesitos, ao entrarem em greve, os professores da Uenf, Uerj e Uezo levantam barreiras objetivas ao projeto de  ” precarizar para depois privatizar” as universidades estaduais.

Por isso, não se deixe enganar pelo que diz o (des) governo Pezão e seus áulicos na mídia corporativa. As universidades estaduais não estão paradas por causa da greve dos professores. Elas estão sim é um processo franco de insurgência contra um (des) governo que trabalha de forma diligente para remover a possibilidade de que jovens pobres possam ter direito a um tipo de ensino superior que só é oferecido por universidades públicas e gratuitas.

E se eu não estiver enganado,  nos próximos dias e semanas veremos muito movimento partindo de dentro para fora das universidades. É que toda energia que estava represada por um funcionamento totalmente precário vai ser liberada e jogará luz sobre os danos que o (des) governo Pezão vem causando nestas entidades públicas.

 

 

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